Ex-gerente nega abusos nas categorias de base do Corinthians

Wando de Moraes diz que vai processar pessoas que o acusaram de pedofilia no clube paulista

Robson Morelli, Jornal da Tarde

10 Novembro 2007 | 18h11

Evanir Jesus de Moraes, o Wando, 59 anos, acusado por dirigentes do Corinthians e pelo pai do meia Willian de abusar sexualmente de menores das categorias de base do clube, nos sete anos em que esteve à frente do Centro de Treinamento de Itaquera, defende-se das denúncias e promete processar os que envolveram seu nome nesse suposto crime.   O ex-gerente de futebol amador esteve ontem na redação do JT, com seu advogado, Alexandre Mendes Pinto, para apresentar documento do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo comprovando que não consta nenhum processo criminal contra ele. "Jamais pratiquei qualquer ato dessa natureza contra qualquer jogador amador do Corinthians ou da Euroexport, onde comecei", jurou. "Sempre fui um defensor do Willian na Seleção das bases e da sua utilização no profissional do clube. Não sei por que seu pai e ele próprio me acusaram disso." Wando disse mais: "Os boatos de abusos sempre existiram, mas nunca foram além. E é um assunto que quanto mais você mexe, pior fica."   Em entrevista exclusiva ao JT, o pai de Willian (hoje no futebol da Ucrânia), Severino Vieira, revelou que sempre soube de casos de pedofilia no Parque, e por isso nunca perdeu de vista seu filho nos 11 anos em que ele esteve nas categorias de base. "Eu tinha pena dos outros pais... que não podiam ficar perto dos seus filhos para protegê-los do Wando. Sei de processo de pedofilia contra ele", afirmou Severino. A entrevista fez com que outros veículos de comunicação entrassem no caso. O jornal Lance! falou na Ucrânia com Willian, que trabalhou com Wando durante sete anos, e confirmou a história. Ocorre que, após saber da ameaça de Wando de processar seus acusadores, Severino recuou. "Boatos de pedofilia sempre existiram. Mas não posso confirmar nenhum caso." O advogado de Wando confirmou que o pai de Willian procurou seu cliente para uma conversa. Ficou de se retratar na imprensa, como está fazendo, e de desmentir as declarações do próprio filho."Isso não é suficiente. Meu cliente perdeu propostas de trabalho nos dois últimos dias e alguém terá de pagar por isso", afirmou Alexandre Pinto.   Wando não aceita conversar com o pai de Willian. Diz não ter nada para tratar com o homem que o acusou de pedofilia. Entregou o caso a seu advogado. "Perdi trabalho por causa dele. Não sou rico. Dos 8 aos 14 anos, trabalhei na roça. Moro com minha mãe, de 94 anos. E é claro que fica muita mágoa com tudo isso".   Não estão descartadas ações judiciais contra os dirigentes do Corinthians, Miguel Marques e Toni Craveiro, os primeiros a tocarem no assunto na Fazendinha."Nunca citei o nome de ninguém", explica Miguel Marques, que também é desembargador do Tribunal de Justiça. "Estamos investigando para saber se há inquérito."   Andrés Sanchez, presidente do clube, declarou que os inquéritos que apuram os casos de pedofilia estavam no Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado). O delegado de polícia e assistente da diretoria do Deic, Maurício Guimarães Soares, afirmou ontem não haver inquérito algum no departamento, ou nos 30.º e 52.º distritos policiais,os mais próximos do clube e do CT de Itaquera.   Nas divisões de bases do Corinthians, desde ontem funcionários e atletas estão impedidos de tocar no assunto. A nova diretoria agendará reunião com os pais de todos os jogadores menores de idade.

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