Falência da Fiorentina alerta Itália

A falência da Fiorentina, decretada no meio da semana, abalou a Itália, mas também serviu como sinal de alerta. Os clubes mais importantes do país sentiram que o destino pode ser impiedoso, se não houver controle das contas. O temor da bancarrota explica, em grande parte, por que o atual período de mercado tem sido o mais fraco dos últimos anos. Com exceção do Milan, que abriu os cofres para acertar com Rivaldo ? e ainda assim com valores bem abaixo do que costumava fazer tempos atrás ?, ninguém apostou fichas em contratações de peso. Juventus, Inter, Lazio, Roma pescaram no varejo, um veterano aqui, uma promessa ali, mas nada de bombástico. Os dois clubes romanos chegaram a ter inscrição suspensa, até apresentarem garantias bancárias para os débitos acumulados na temporada 2001-2002. A quebra da Fiorentina provocou comoção. Seria o mesmo, se no Brasil, desaparecessem Atlético-MG, Inter de Porto Alegre, Botafogo-RJ. Parte da história do futebol tricampeão do mundo se perdeu. Mas a Liga (que representa os clubes) e a Federação Italiana de Futebol mostraram, com a decisão, que não pretendem tolerar gastança sem o devido respaldo financeiro. Para não arranhar a credibilidade de seus estatutos e dos torneios. ?Foi episódio duro, mas necessário?, comentou Franco Carraro, presidente da ?Federcalcio? após a reunião em que se optou pelo encerramento das atividades do time campeão italiano em 56 e 69. Além disso, o cartola foi duro, ao admitir que o novo time criado pelos florentinos ? a Fiorentina 1926 Florentia ? não teria lugar na elite, a não ser se apresentar méritos técnicos. ?Não podemos iludir os torcedores. A cidade de Florença terá sua equipe, mas deve recomeçar da Quarta Divisão.? O renascimento está em ação desde quinta-feira. O prefeito Leonardo Domenici conseguiu fazer com que o novo clube fosse inscrito na Liga e na Federação e agora corre atrás de patrocinadores e, o que é mais importante, de um investidor forte. O elenco atual será desmontado, pois os jogadores têm direito a passe livre, e a saída provavelmente será a de contratar veteranos e muitos iniciantes. Os clubes também tomam providências. Antes da bancarrota da Fiorentina, houve proposta para redução de salários, balão de ensaio que provocou divisão de opiniões entre jogadores. Mas, num ponto todos concordam: os tempos, na Itália, não são de vacas gordas.

Agencia Estado,

03 Agosto 2002 | 12h02

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.