Lucas Prates/Hoje em Dia
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Família Perrella mantém a força no futebol do Cruzeiro

Mandatário do clube por quatro ocasiões, Zezé é o atual presidente do Conselho Deliberativo do clube mineiro

Almir Leite, O Estado de S.Paulo

15 Abril 2018 | 07h00

A família Perrella continua forte no futebol do Cruzeiro. Zezé, presidente por quatro mandatos – três entre 1995 e 2002 e o último de 2009 a 2011 –, é atualmente presidente do Conselho Deliberativo do clube. Foi eleito em novembro do ano passado. Seu irmão, Alvimar, foi o mandatário de 2003 a 2005. Ambos também são conselheiros beneméritos. E o filho de Zezé, Gustavo, é conselheiro nato.

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Gustavo, aliás, exerceu várias funções no Cruzeiro, levado pelas mãos do pai. Foi superintendente de gestão e também vice-presidente de futebol.

Empresários, pai e filho também são ligados à política de longa data. Zezé já foi deputado estadual, federal e desde 2011 é senador por Minas Gerais – era suplente de Itamar Franco e assumiu o posto após sua morte. Gustavo foi deputado estadual de 2011/15, mas não teve sucesso na tentativa de obter cadeira na Câmara Federal.

Nos bastidores, os comentários são de que a contratação de Gustavo Perrella pela CBF como diretor de Desenvolvimento de Projetos foi uma maneira de agradecer o apoio de Zezé durante a CPI do Futebol no Senado. O pai do diretor foi figura importante na estratégia de evitar que as apurações da comissão respingassem nos cartolas.

A entidade sustenta que ele foi alçado à posição por seus conhecimentos na área, evidenciados no trabalho como Secretário Nacional de Futebol e Defesa dos Direitos do Torcedor.

Escândalo

Em 2013, um helicóptero da empresa de Gustavo Perrella foi apreendido pela Polícia Federal com 445 quilos de cocaína. O piloto, que foi preso, era funcionário da Assembleia de Minas Gerais. No entanto, a investigação concluiu que Gustavo e seu pai não tinham envolvimento com o caso, pois o piloto teria usado a aeronave sem que soubessem.

Ainda assim, o caso rendeu dois processos a Gustavo no Tribunal de Justiça de Minas Gerais (ambos estão em primeira instância): ele é acusado de usar R$ 14 mil da verba da assembleia para abastecer o helicóptero e de empregar o piloto preso, Rogério Antunes, como funcionário da casa – Antunes disse à polícia que só prestava serviços para a família Perrella.

O Estado tentou contato com Gustavo Perrella e solicitou à assessoria de imprensa da CBF entrevista com ele, mas não obteve sucesso.

PARA LEMBRAR: Ricardo Teixeira ‘incrementou’ o lobby

A relação de dirigentes da CBF com políticos influentes no Congresso e no governo vem desde os tempos da antiga CBD (Confederação Brasileira de Desportos). Mas ganhou força no fim dos anos 1990, com Ricardo Teixeira na presidência. Em 1997, ele alugou uma mansão em Brasília para fazer lobby durante a discussão da Lei Pelé.

Três anos depois, com a CBF sob ameaça de duas CPIs (Nike, na Câmara, e do Futebol, no Senado), o movimento na casa tornou-se maior, com festas, jantares, churrasco e muito lobby.

Na época, ganhou destaque a atuação do lobista Vandenbergue Machado, até hoje a serviço da CBF – ele é diretor de Assessoria Legislativa. Ele foi decisivo para enterrar as duas CPIs. Machado continua eficiente: em 2016, já sob o comando de Marco Polo del Nero, foi fundamental para “detonar” a CPI do Futebol.

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