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Copa 2014

Felipão define seu futuro na seleção depois da Copa

Almir Leite, Luiz Antônio Prósperi - enviados especiais a Teresópolis - O Estado de S. Paulo

11 Julho 2014 | 05h 00

Encontro com Marin, na segunda-feira, será crucial para definir se o técnico será mantido no comando da equipe brasileira

Até na tarde desta quinta-feira, Luiz Felipe Scolari não havia recebido nenhum convite da CBF para continuar no comando da seleção brasileira. O treinador só vai pensar no seu futuro na segunda-feira. Depois do jogo de amanhã contra a Holanda, em Brasília, na decisão do terceiro lugar da Copa, Felipão embarca para São Paulo onde vai passar o domingo recluso com a família.

Na segunda-feira, é bem provável que ele se encontre com José Maria Marin, presidente da CBF, para apresentar o relatório final de todo o trabalho de um ano e meio em que esteve no comando da seleção - seu compromisso com Marin era até o fim da Copa do Mundo.

No documento, Felipão vai apresentar uma análise detalhada dos jogadores, uma avaliação de cada um e dos erros e acertos do trabalho comissão técnica no período que abrange de janeiro de 2013, quando de fato assumiu a seleção, até o último jogo do Brasil na Copa.

Wilton Junior/Estadão
Felipão se encontrou com José Maria Marin na tarde da última quinta-feira em Teresópolis

Na sua última entrevista na Granja Comary, quarta-feira, Felipão fez um discurso de continuidade no comando da seleção ao dar um balanço do seu trabalho e da comissão técnica no Mundial. O técnico adiantou que pretende preparar a maioria dos jogadores deste grupo para o Mundial de 2018.

Marin esteve ontem na Granja Comary. Chegou por volta do meio-dia, almoçou com os jogadores e, à tarde, assistiu ao treino, vestindo jaqueta e boné da seleção brasileira. Antes, conversou por 5 minutos com Felipão. Em alguns momentos, ambos deram boas risadas.

Ao sair da Granja, às 16h45, Marin atendeu ao pedido da reportagem do Estado, solicitou ao motorista que parasse o carro e desceu para uma rápida conversa. Mas não quis falar sobre o futuro da seleção. "Vamos aguardar. Primeiro vamos pensar nesse jogo em Brasília. É importante terminar bem a Copa", disse. Sobre o encontro com os jogadores, afirmou ter sido tranquilo. "Eles estão bem."

Na saída da Granja, Marin estava acompanhado por Alexandre Gallo, um dos observadores dos adversários da seleção nesta Copa. Gallo é nome que não pode ser descartado para suceder Felipão, confirmou ao Estado uma fonte próxima ao atual presidente da CBF e ao futuro, Marco Polo del Nero, que conversou com ambos no dia seguinte à derrota no Mineirão.

"Ele (Marin) está entusiasmado com o Gallo. Destacou que ele tem ótima visão tática, é dedicado e disciplinador", revelou esse interlocutor. Marin já fez elogios públicos a Gallo, técnico da seleção sub-20 e coordenador das categorias de base da seleção e, meses atrás, chegou a dizer que, caso Felipão saísse, era o nome ideal para herdar o cargo. Uma de suas justificativas foi a Olimpíada de 2016, no Rio. Gallo deve dirigir o time.

Marin não tem pressa para nomear o futuro treinador da seleção principal. Vai esperar que Felipão tome a iniciativa de deixar o cargo - acha que isso será mais cortês do que anunciar que não o quer mais - e, depois, decidirá com calma, o que pode levar algumas semanas.

Gallo é cotado, mas está longe de ser a única opção. Fontes do futebol paulista, inclusive, garantem que o acordo da CBF com Tite está selado. Tite seria uma sugestão de Del Nero, entusiasmado que ficou com o recente trabalho do treinador no Corinthians. Mas Marin também tem simpatias por Muricy Ramalho, por sua forte ligação com o São Paulo.

Se Tite for confirmado, a CBF vai dar à escola gaúcha nova chance de comandar a seleção. Tem sido assim desde 2006, quando Dunga assumiu no lugar de Carlos Alberto Parreira, depois Mano Menezes na vaga de Dunga, de 2010 a 2012, e, por fim, Felipão, do final de 2012 até meados deste ano.

Estrangeiro, não

A chance de a seleção brasileira ter um técnico estrangeiro é zero. Marin e seu sucessor já eleito, Marco Polo Del Nero, rejeitam todas as tentativas ou pressão para trazer um treinador de outro país. Nem mesmo nomes badalados, como o português José Mourinho e o espanhol Pep Guardiola, animam os dirigentes

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