Frank Augstein| AP
Frank Augstein| AP

Fifa pede suspensão de 2 anos de ex-presidente da federação alemã

Caso de Wolfgang Niersbach na organização da Copa de 2006 pode acabar com a carreira de Beckenbauer no mundo do futebol

Estadão Conteúdo

20 Maio 2016 | 09h31

Apenas dez dias depois do reformado Conselho da Fifa se reunir pela primeira vez, um dos seus membros pode ser afastado do futebol por acusações relacionadas à corrupção na organização da Copa do Mundo. A procuradoria da Comissão de Ética da Fifa pediu nesta sexta-feira uma suspensão de dois anos de Wolfgang Niersbach, membro do Conselho da Fifa, em uma investigação sobre a candidatura alemã para sediar a Copa do Mundo de 2006, um caso que também podera acabar com a carreira de Franz Beckenbauer no mundo do futebol.

A câmara do comitê de ética da Fifa disse ter recebido o arquivo final da investigação e abriu um processo formal contra Niersbach. "A câmara investigadora recomenda uma sanção de dois anos de inelegibilidade de toda atividade relacionada com o futebol e uma multa de 30 mil francos suíços (aproximadamente R$ 108 mil)", indicou o organismo.

Em março, foi aberta uma investigação contra seis dirigentes alemães, incluindo Niersbach, que foi eleito no ano passado para ocupar cargos nos comitês executivos da Fifa e da Uefa. Ele está sendo investigado por "possível não denúncia" de comportamentos antiéticos dos outros e conflito de interesses.

"Também é uma questão de honra e de proteger os meus direitos pessoais para me opor a este movimento com todos os meios disponíveis de recurso", disse Niersbach em um comunicado. O executivo declarou que o seu caso está relacionado com "eventos relacionadas com a Copa do Mundo de 2006, dos quais eu tive conhecimento de forma gradual no verão de 2015".

Beckenbauer, um dos grandes jogadores da história do futebol alemão, e três outros membros da organização do Mundial estão sendo investigados pelo Comitê de Ética da Fifa por uma série de contratos e pagamentos irregulares durante o processo de candidatura e depois de organização da Copa do Mundo.

Nesta sexta-feira, não foram fornecidos os detalhes dos outros cinco casos que estão sendo investigados. Os procuradores federais suíços e os investigadores alemães de crimes penais e fiscais têm processos abertos a respeito.

Niersbach renunciou no ano passado à presidência da Federação Alemã de Futebol, mas manteve seus cargos na Fifa e na Uefa. Ele participou na última quarta-feira da reunião do Comitê Executivo da Uefa na Basileia, na Suíça, onde foi definida a data para as eleições presidenciais da entidade que vão definir o substituto de Michel Platini, que está cumprindo uma suspensão de quatro anos.

No ano passado, o dirigente alemão foi apontado como um possível aspirante à presidência da Uefa, até que as acusações sobre a Copa do Mundo de 2006 voltaram a ganhar força. A Justiça da Suíça investiga acusações sobre a competição, em um caso mais amplo sobre práticas corporativas da Fifa.

O principal caso investigado pela Fifa gira em torno de Beckenbauer, que liderou o comitê organizador da Copa do Mundo e se juntou ao Comitê Executivo da Fifa em 2007, Theo Zwanziger, que substituiu Beckenbauer na Fifa em 2011, Horst Schmidt, vice-presidente do comitê organizador da Copa do Mundo; e Stefan Hans, diretor financeiro da competição.

Niersbach e o diretor do torneio de 2006, Helmut Sandrock, enfrentam acusações menores de contravenção por não terem informado possíveis irregularidades. Sandrock renunciou ao cargo de secretário-geral da federação alemã em fevereiro.

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