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Fifa perdoa atrasos na preparação da Copa das Confederações

Almir Leite - O Estado de S.Paulo

10 Abril 2013 | 20h 26

Entidade admite que nem tudo o que foi prometido será feito para o evento-teste da Copa

SÃO PAULO - A 66 dias do início da Copa das Confederações, a Fifa já tem uma certeza: ainda há muito por fazer e não vai dar tempo para que tudo esteja pronto para ser testado com vistas à Copa do Mundo. O jeito, então, é encarar a situação de frente. “Temos noção clara de que o tempo é curto. Mas o Valcke (Jérôme, secretário-geral da Fifa) já disse que não teremos tudo 100%”, disse ontem o diretor de comunicações da entidade, Walter de Gregorio, em visita ao Estado.

Faltam três estádios da competição para serem entregues – Arena Pernambuco, Nacional Mané Garrincha e Maracanã. Mas Gregorio está preocupado mesmo é com a questão operacional. “Dentro das arenas não deveremos ter grandes problemas. Nossa dúvida é o entorno. Como muita coisa não está pronta, podemos ter problemas no acesso do público, não sabemos como vai funcionar o transporte coletivo, os estacionamentos...’’

Gregorio demonstrou uma grande apreensão com o sistema de telecomunicações e espera que o governo implante de fato a tecnologia 4G, conforme foi combinado. “Não podemos correr o risco de um jornalista, por exemplo, ter dificuldade para enviar o seu material.’’

O dirigente definiu a Copa das Confederações, de 15 a 30 de junho, como um grande desafio e disse que talvez seja a mais importante de todas as edições já realizadas pela Fifa – a do Brasil será a nona.

“A expectativa dentro do próprio país é grande. O Brasil é o país do futebol e teremos pela primeira vez 12 títulos mundiais na competição, além do campeão olímpico”, ressaltou Gregorio, referindo-se aos cinco títulos da seleção brasileira, aos quatro da italiana, aos dois da uruguaia e a um da espanhola. E os mexicanos ganharam a medalha de ouro nos Jogos de Londres.

Como a Copa das Confederações é um evento-teste, a Fifa vai ser tolerante – mesmo porque os problemas servirão de aprendizado e poderão ser corrigidos para a Copa de 2014.

Em relação ao Mundial, no entanto, não haverá perdão e todos os prazos deverão ser cumpridos. Os estádios terão de ser entregues até dezembro. E atrasos significativos nas obras de infraestrutura poderão até excluir uma sede do Mundial. “Não temos plano B, trabalhamos com 12 sedes, mas a Fifa pode fazer uma Copa com até oito sedes.’’

FIFA E MARIN

Walter de Gregorio não quis se aprofundar sobre a situação do presidente da CBF e do Comitê Organizador Local, José Maria Marin. O cartola tem várias denúncias contra si e existe pressão para que deixe os cargos. A Fifa gostaria de uma troca no COL, mas não admite isso oficialmente.

“A Fifa tem uma relação institucional com o senhor Marin, como presidente do COL e da CBF. Sobre o que se fala de seu passado político, eu não tenho como opinar. Essa é uma questão interna do Brasil.’’

O diretor de comunicações negou interesse da entidade em trocar o comando do futebol brasileiro. “A Fifa não interfere na eleição da CBF, nem de qualquer outra federação. E nem em nomeações do COL. Ela respeita o que o filiado decidir.’’