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Fifa proíbe Real e Atlético de fazerem contratações até 2017

Clubes também são multados por contratação ilegal de menores

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Jamil Chade, correspondente em Genebra,
O Estado de S. Paulo

14 Janeiro 2016 | 10h58

A Fifa pune o Real Madrid e o Atlético de Madrid pela contratação ilegal de menores e proíbe os dois clubes de trazerem novos reforços até meados de 2017. Uma punição parecida já havia sido tomada contra o Barcelona por conta da importação ilegal de menores. A Fifa ainda estabeleceu multas pesadas. O Atlético pagará US$ 900 mil (aproximadamente R$ 3,6 milhões) em multas, contra US$ 360 mil (R$ 1,45 milhão) pelo Real Madrid. 

A entidade classificou as punições como um esforço para proteger os direitos dos jogadores. E o caso dos dois clubes de Madri envolve jogadores que atuaram por esses times entre 2007 e 2014, de acordo com a entidade.

O Brasil por anos tem criticado a exportação de jovens talentos, antes mesmo que completem 18 anos. Na Espanha, um a cada 5 mil jovens nos centros oficiais de treinamentos dos clubes chegam à elite do futebol. Só o Real tem 70 deles "concentrados" em seus espaços. Alguns chegam com oito anos e são tratados como verdadeiras pérolas. Mimados pelo clube, contam até mesmo com suas páginas oficiais nas redes sociais e, a partir dos dez anos, contam com um empresário para administrar suas futuras carreiras. 

Poucos traduzem essas esperanças em realidade. Mas, quando isso ocorre, os lucros do clube são enormes. Lionel Messi, por exemplo, chegou ao Barcelona por meio de um sistema parecido. Sua família inteira passou a viver na cidade catalã para justificar a iniciativa do clube. Pelas regras, um estrangeiro pode ser contratado por um clube ainda menor. Mas com a condição de que sua família já esteja no local. O Barcelona encontrou um trabalho para o pai de Messi e tudo foi apresentado como uma família de imigrantes. Hoje, com 5 bolas de ouro, Messi tem seu passe avaliado em R$ 1 bilhão.

Mas, por anos, a Fifa fez vistas grossas ao problema. Tudo mudaria quando o Barcelona passou a ser investigado e ficou provada a contratação ilegal de menores. O time catalão se queixava de que a punição era injusta e, segundo fontes, também denunciou seu principais adversários. O clube catalão até se reforçou em 2015 com Arda Turan e Aleix Vidal, mas só os registrou e pôde utilizá-los a partir deste ano.

A nova punição impedirá que os dois clubes de Madri façam novas contratações na janela de meados de 2016 e no mercado de janeiro de 2017. Novos reforços poderiam ser contratados, portanto, apenas após o fim da temporada 2016/2017 do futebol europeu. 

A medida não afeta a atual janela de contratações, o que permitiu o Atlético a fechar com  Augusto Fernández (Celta) e Matías Kranevitter (River Plate). Já o novo treinador do Real, Zinedine Zidane, disse que não previa a contratação de novos jogadores. Mas, com as portas fechadas até 2017, pode acelerar planos ainda para a atual janela de transferências. 

Os dois times devem apresentar recursos e o caso pode se arrastar por meses. Mas já temendo sofrer com a falta de reforços, os clubes avaliam recuperar jogadores emprestados, como Fabio Coentrao ou Lucas Silva. Já o Atlético poderia recuperar Baptistao, Silvio ou André Moreira.

"Se determinou que os clubes violaram várias cláusulas relativas à transferência internacional e primeira inscrição de jogadores, assim como outras disposições relacionadas com a inscrição e participações de certos jogadores", expressou a Fifa em um comunicado.

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