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Copa 2014

Fifa recusou plano de segurança expandida antes do início da Copa

Roberto Godoy - O Estado de S. Paulo

20 Junho 2014 | 05h 00

Entidade acreditava que tal medida poderia caracterizar certa militarização do evento e preferiu serviços terceirizados

A Fifa joga sujo ao atribuir às autoridades brasileiras a falha na segurança do Maracanã que resultou em duas invasões - uma delas, por cerca de 200 torcedores chilenos empenhados em entrar no estádio sem pagar pelos ingressos. Como consequência, 85 deles, detidos e identificados, terão de deixar o País até este sábado sob risco de deportação. O episódio seria evitado tivesse a autoritária Fifa, a dona da Copa de Futebol, atendido a sugestão dos representantes das forças da Defesa que propuseram expandir os limites do perímetro de exclusão no círculo externo do Maracanã - e também de outras arenas, como a do Itaquerão, em São Paulo, e das Dunas, em Natal. O limite permitiria entregar o controle desse primeiro e mais distante perímetro aos federais.

Segundo um oficial das Forças Armadas ouvido na quinta-feira pelo Estado, houve uma reunião em São Paulo na véspera da abertura dos jogos. No encontro, representantes do alemão Ralf Mutschke, chefe da segurança da Fifa, não aceitaram a proposta, alegando que poderia caracterizar certa militarização dos cuidados com o evento. Continuou valendo o modelo da terceirização do serviços, por meio de empresas encarregadas de prover até 1.800 funcionários por jogo. Não funcionou bem.

Todavia, a tese converge com a da presidente Dilma Rousseff, que recomendou discrição - o contingente fardado deve ser mantido pronto para ação, sim, mas fora das áreas públicas; e sem os blindados postos nas ruas. Mais ainda: em cada um dos 12 centros regionais de controle, um superior da Polícia Federal, seu equivalente da Secretaria de Segurança Pública e o general da área dividem o comando. A entrada em ação da tropa está condicionada à convocação declarada pela autoridade civil estadual. Na quinta-feira à tarde, algumas dessas restrições estavam sendo relativizadas. Paraquedistas do Exército faziam reconhecimento da rota de invasão utilizada pelos torcedores do Chile, no Maracanã. E Ralf Mutschke acabou sendo barrado na entrada do estádio ao apresentar uma credencial não válida. Os agentes de segurança exigiram que ele fosse até uma espécie de secretaria central para obter um novo documento. O regime mudou.

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