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Eleição presidencial da Fifa na sexta-feira pode ser suspensa

Candidato diz que não há consenso sobre como ocorrerá a votação

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Jamil Chade, correspondente em Zurique,
O Estado de S. Paulo

23 Fevereiro 2016 | 07h21

A eleição da Fifa vai parar nos tribunais e pode ser suspensa. Nesta terça-feira, um dos candidatos para a presidência, Ali bin al-Hussein, pediu a suspensão das votações, marcadas para a sexta-feira. Seus advogados entraram com um pedido ao Tribunal Arbitral dos Esportes para que o processo seja adiado. Sua argumentação é de que não existe um consenso sobre como ocorrerá a votação. Sem um processo claro, Ali sugere que haverá brechas para fraude nos 209 votos.  

A Fifa também rejeitou seu pedido para que as urnas usadas no processo sejam transparentes, depois que alguns eleitores indicaram que, em maio de 2015, eram orientados a fotografar suas cédulas para que provassem aos candidatos que haviam dado seu apoio.

O voto ocorre em Zurique, numa eleição considerada pelos candidatos como "fundamental" para o futuro da Fifa e num dos processos mais disputados da história da entidade. 

O jordaniano é um dos cinco candidatos e, em maio de 2015, chegou a ter mais de 70 votos na eleição vencida na época por Joseph Blatter.

Segundo Ali, o recurso foi apresentado diante da "recusa da Fifa em aceitar um processo acelerado" para avaliar sua proposta. Os advogados do jordaniano, Francis Szpiner e Renaud Semerdjian, insistem que "apenas uma urna transparente permitiria provar que cada voto possa ser realizado de forma correta e que não houve voto forçado". "Ela impediria que os eleitores fotografassem suas cédulas para provar que eles seguiram uma ordem de voto", disseram. 

Na agenda da Fifa está a aprovação de uma ampla reforma, na esperança de convencer a polícia e as autoridades judiciais de que a entidade foi vítima de corruptos e que não é uma organização criminosa. 

Mas o Comitê que faz a gestão do processo eleitoral garante que não existe a necessidade de que as urnas sejam transparentes. Cada um dos 209 eleitores das federações nacionais será obrigado a entrar em uma cabine para colocar seu voto. Mas não poderão entrar com celulares e câmeras de foto.

Ali levou o caso ao Tribunal Arbitral dos Esportes e fez questão de enviar para Zurique urnas transparentes, caso a Fifa autorize seu uso. O jordaniano tem o apoio de Jimmy Carter, ex-presidente dos EUA e de políticos de outras partes do mundo. Mas conta com poucos votos dos dirigentes esportivos. 

Mas ele não é único a se queixar. O candidato francês Jérôme Champagne denunciou o fato de um "número elevado de observadores" foram credenciados para a eleição vindos da Uefa e da Confederação Asiática, regiões que servem de base de apoio para dois dos favoritos: Gianni Infantino e Salman Al Khalifa. 

Champagne denunciou a manobra à comissão eleitoral da Fifa, apontando para 20 credenciais extras para a Europa e sete para a Ásia. Para o francês, o objetivo dessas regiões é de pressionar os eleitores instantes antes do pleito e "enviar ao Congresso seus funcionários capazes de terem acesso aos membros votantes das federações."

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