Gascoigne ainda luta para jogar

Paul Gascoigne chamou a atenção, no Mundial de 90, na Itália, pelo futebol atrevido e pelo comportamento emotivo. Na época com 23 anos, encantava pelo estilo criativo e por não esconder lágrimas nos momentos mais delicados para a seleção da Inglaterra. ´Gazza´, como o chamavam companheiros e torcedores, ganhou a simpatia internacional pelo sangue ´latino´ e por destoar da tradicional sisudez britânica. O tempo passou, Gascoigne perdeu o rumo e agora, com 35 anos, não se deu conta ainda de que chegou o momento de parar. O antigo meia-atacante do Newcastle sentiu como o declínio é forte ao ser rejeitado pelo DC United, uma das principais equipes da Primeira Divisão dos Estados Unidos. Depois de uma semana de testes - provação pesada para quem foi o maior ídolo dos ingleses antes de Beckham -, o clube delicadamente lhe disse que era melhor interromperem as negociações para fechar contrato. "O contato foi proveitoso", comentou o técnico Ray Hudson. "Mas achamos que não devíamos seguir adiante", ponderou o treinador. Hudson elogiou o comportamento de Gascoigne, "dentro e fora de campo", e lhe desejou boa sorte e passar bem. Dessa forma, fecha-se a porta de um mercado razoável para quem está em fim de carreira. A Major League Soccer não é o objeto de desejo para atletas de ponta, mas paga salários decentes. Gazza seria, em outras circunstância, atração extra para a equipe que já conquistou o título doméstico em duas ocasiões. Mas seu tempo passou. Talvez a melhor oportunidade lhe tenha sido dada pela Lazio, em 92, depois de ter sofrido grave contusão no joelho, um ano antes, quando defendia o Tottenham Hotspurs. Os primeiros tempos na Itália foram de serenidade, até Gascoigne ter fratura na perna. Ele demorou para voltar, mas passou a colecionar problemas, dentro e fora de campo. Bebedeiras e brigas com a mulher eram mais freqüentes do que boas jogadas. Gascoigne passou também por Glasgow Rangers, Middlesbrough, Everton e, mais recentemente, o Burnley, da Segunda Divisão da Inglaterra. Sempre ladeira abaixo.

Agencia Estado,

03 Agosto 2002 | 16h51

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