Governo cobra R$ 28 milhões dos clubes brasileiros por irregularidades no FGTS

Ministério do Trabalho acionou 11 clubes das séries A e B do Brasileirão por R$ 800 mi de dívidas contraídas em 2016

Matheus Lara e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2017 | 06h14

O Ministério do Trabalho cobrou no ano passado de 11 clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro mais de R$ 28 milhões de dívidas e pendências com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). As notificações entregues aos clubes até 31 de dezembro referem-se a irregularidades no depósito dos encargos trabalhistas dos últimos 30 anos e que fazem parte de um montante de quase R$ 800 milhões devidos pelas principais agremiações esportivas do País à União.

Os clubes estão em uma lista de mais de 16 mil empresas notificadas pela pasta em 2016. O jornal O Estado de S.Paulo obteve a relação através da Lei de Acesso à Informação. Os clubes contestam a cobrança do Ministério do Trabalho.

O FGTS é equivalente a 8% do salário do funcionário, que o empregador tem de repassar à União todo mês. O dinheiro depois é devolvido ao trabalhador em caso de demissão sem justa causa, compra de imóvel, doença grave ou aposentadoria. Em 2016, estavam registrados na CBF 21 mil atletas em todo o País, além de 26 mil jogadores com vínculos não profissionais.

Somente o Guarani, atualmente na Série B, recebeu três notificações de auditores do Ministério do Trabalho, que totalizaram R$ 7,1 milhões. O Bahia, que está de volta à Série A, vem em seguida na lista com duas notificações de falta de depósitos de direitos trabalhistas que totalizam R$ 6,2 milhões. As autuações incluem, além de jogadores de futebol, todos os outros funcionários dos clubes.

Segundo o Ministério do Trabalho, a relação de devedores do FGTS tem atualmente mais de 2 milhões de empresas. Por causa desse número alto, os auditores da pasta focaram a fiscalização nas empresas com maior débito ou com maior número de trabalhadores prejudicados, o que inclui os clubes.

"A partir de informações de bases de dados a que temos acesso, como o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), comparamos o que o trabalhador ganha com o que é depositado na Caixa Econômica Federal em relação ao FGTS. A partir disso, a gente consegue extrair o débito da empresa em relação a todos os seus trabalhadores", explicou o chefe de Divisão de Fiscalização do FGTS do ministério, Joel Darcie.

O líder dos times de futebol de notificações de atrasos no depósito do FGTS é o Avaí. Somente em 2016 foram sete autuações totalizando R$ 5,4 milhões. Segundo o ministério, o número de notificações está relacionado à variedade de infrações cometidas pelo empregador e não ao valor da dívida.

O levantamento leva em conta débitos referentes à falta de depósito, ou seja, o salário foi pago, a base de cálculo informada para o cálculo do FGTS está correta, mas não houve a transferência do valor correspondente para a conta vinculada do trabalhador. Em outros casos, o empregador pode não ter considerado na base de cálculo (do FGTS) uma parcela de natureza salarial, como ajuda de custo.

"A empresa pode recorrer. Isso gera um procedimento administrativo que inicia com uma análise do processo para ver se a alegação é coerente. Caso dê ganho de causa para a empresa, um segundo nível de julgamento ocorre em Brasília. É um processo administrativo que leva cerca de um ano", disse Joel Darcie.

ALÉM DO FUTEBOL

Confederações e federações de esportes olímpicos também foram notificados pelo Ministério do Trabalho por não recolheram corretamente o FGTS. Para a Confederação Brasileira de Handebol (CBHb), por exemplo, que recebe recursos públicos por meio da Lei de Incentivo do Esporte, a cobrança foi de R$ 210 mil.

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