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Há 40 anos, Pelé fez história com o milésimo gol

André Rigue - estadao.com.br

19 Novembro 2009 | 09h 43

Rei do Futebol relembra os momentos no Maracanã, ele ainda se diz triste por descaso com criancinhas

"Foi um momento muito especial. Quando olhei para trás, na hora de bater o pênalti, vi todos os jogadores do Santos abraçados no meio-campo. Putz, pensei... Se eu errar não vai ter ninguém para pegar o rebote... O Maracanã todo gritava 'Pelé, Pelé'... Minhas pernas tremeram. Eu não podia perder aquele gol...".

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Pelé não perdeu. Em 19 de novembro de 1969, ele cobrou a penalidade no canto esquerdo de Andrada, do Vasco, e assim escreveu um dos capítulos mais bonitos da história do futebol mundial: o milésimo gol. No aniversário de 40 anos do feito, o Rei do Futebol ainda é capaz de lembrar dos mínimos detalhes.

"Havia muita cobrança naquela época. Desde quando me aproximei do milésimo gol, a imprensa do mundo todo começou a seguir o Santos", explica. "Acho que sou uma pessoa que nasci com um dom especial. Meus pais [Celeste e Dondinho] sempre me falavam em Bauru, quando comecei, que eu tinha o dom de Deus para jogar futebol."

O gol número 999 aconteceu em 14 de novembro, contra o Botafogo da Paraíba, no Estádio Governador José Américo de Almeida. Pelé poderia ter feito o milésimo na Fonte Nova. No dia 16 de novembro, cerca de 100 mil pessoas compareceram ao estádio para acompanhar Santos x Bahia - acabou no 1 a 1. Pelé não marcou. E foram dois culpados: o zagueiro Nildo, que tirou uma bola em cima da linha, e a trave.

"Nunca tinha visto algo desse tipo. O beque do Bahia tirou a bola em cima da linha e foi vaiado pelo estádio inteiro", conta Pelé. Nildo morreu em outubro do ano passado.

 Vasco 1
Andrada; Fidélis, Moacir, Fernando e Eberval; Bougleaux, Renê, Acelino (Raimundinho) e Adílson; Benetti e Danilo Menezes (Silvinho)
Técnico: Célio de Souza
 Santos 2
Aguinaldo; Carlos Alberto Torres, Ramos Delgado, Djalma Dias (Joel Camargo) e Rildo; Clodoaldo, Lima, Manoel Maria e Edu; Pelé (Jair Bala) e Abel
Técnico: Antoninho
Gols: Benetti, aos 17 minutos do primeiro tempo; Renê (contra), aos 10, e Pelé (pênalti), aos 32 minutos do segundo tempo

Árbitro: Manoel Amaro de Lima

Público: 65.157 pagantes

Estádio: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)

Data: 19/11/1969

O milésimo gol ficou para o Maracanã, o templo do futebol. "Foi o palco ideal", afirma Pelé. Pela Taça de Prata, Vasco e Santos se enfrentaram no Maracanã, com 65.157 mil torcedores. O Rei do Futebol só conseguiu balançar as redes aos 32 minutos do segundo tempo, após penalidade cometida por Fernando.

No gol, estava Andrada, argentino de Rosário. "Ele não queria levar o milésimo gol de forma alguma", lembra Pelé. Não teve jeito. O Rei do Futebol bateu no canto esquerdo. Andrada quase conseguiu fazer a defesa, mas a bola morreu no fundo das redes. O goleiro socou o gramado de raiva, enquanto os fotógrafos invadiram o Maracanã.

"Pensem no Natal. Pensem nas criancinhas", foram as frases de Pelé depois de se tornar o primeiro homem a marcar mil gols. Quarenta anos depois, o Rei do Futebol acredita que suas palavras não surtiram muito efeito. "A situação está pior. A educação das crianças não melhorou. Hoje elas batem nos professores."

Pelé não é o único a conseguir mil gols. Romário alcançou pelo Vasco em 2007. Túlio também persegue a marca. "Tomara que o Túlio consiga. É muito bom terem artilheiros que cheguem a essa marca. Se bem que hoje acredito que será muito difícil surgirem novos goleadores. O futebol tem muita força física."

Aos 69 anos, Pelé diz que ainda guarda um espírito de criança. Na entrevista para falar do milésimo gol, no estádio do Jabaquara, em Santos, o Rei do Futebol ficou por mais de uma hora com a imprensa, debaixo de um calor de mais de 35 graus. "Enquanto tiver disposição, estarei aqui. Sou um homem de Três Corações [em referência à cidade mineira onde nasceu]."

Arquivo/AE - 19/11/2009

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