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Há ética ou éticas?

Precisamos melhorar como analistas, torcedores, jogadores. Vamos acordar, gigantes!

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Marília Ruiz

16 Março 2017 | 06h00

Lembram-se da tal história do “gigante acordou”? Convivemos, dependendo do viés analista, desde as grandes manifestações de 2013 com gigante acordado, acordando, bocejando ou tropeçando. Com mais indignação ou um tantinho de resignação, a população tem feito duras cobranças por postura ética dos representantes das instituições e dos poderes públicos. 

Essas reclamações invadiram as arenas esportivas com vaias e protestos, atraídas por tantos eventos que sediamos seguidamente desde então. E o que era apenas um palanque para “fora esse, aquele ou aquela’’ tem ganhado novos contornos (agora esportivos) ao virar os holofotes para a ética dos jogadores. 

Tem ou não tem um jogador que abdicar de uma vantagem indevida dada pelos assopradores de apito? E o Fair Play realmente vale menos do que a tal a lenda urbana sobre “dentro de campo as regras serem outras”?

Dudu, craque palmeirense que fez falta na lista de Tite para os próximos jogos da seleção brasileira, foi um dos que levantaram a voz a favor da malandragem caricata do jeitinho brasileiro. Segundo ele, a torcida alviverde massacraria o elenco caso os atletas tivessem ajudado o árbitro Thiago Duarte Peixoto a não cometer o erro grotesco no clássico contra o Corinthians.

É?! Por quê?

Alguém massacraria alguém por falar a verdade? No que o futebol é diferente?

A resposta recorrente é que é assim porque sempre foi assim.

Sempre? O que é sempre?

Desde as categorias de base ensina-se o jogador a mentir? A simular? 

Não acho. Do mesmo jeito que a repetida e recorrente “impunidade” cria o lamentável jeitinho, a virtude ética pode ser adquirida pelo hábito. Nascemos amorais: médicos, professores, assassinos, bailarinos e jogadores. É por meio de um processo lento que construímos hábitos éticos (ou não).

Se por ética no futebol entendemos o ideal de jogo limpo, o tal Fair Play tão olimpicamente festejado, quando foi que resolvemos que a simulação, a malandragem e até o mau-caratismo combinam com a ideia de honra, lealdade e honestidade no futebol?

Tem certeza que é do jogo fingir que tomou uma cotovelada para tirar um adversário da disputa? 

Tem certeza que é do jogo marcar gol de mão e sair para comemorar o “golaço” tal qual um Maradona?

Não sou nenhuma Poliana e não acho que o ideal do jogo mais popular do mundo é ser “amistoso”. Mas, do mesmo jeito que não acho que é do jogo dar cotoveladas, não considero do jogo simulá-las. Do mesmo jeito que não acho do jogo meu time tomar gols de mão, não acho razoável fazê-los.

Passou da hora de melhorarmos, senhores. O que está no espírito do jogo é o Fair Play. Temos de valorizá-lo. Temos de cobrá-lo.

BOLA FORA

Como afrontar violentamente a opinião pública

Existisse um manual de amoralidades e transgressões, o presidente do Boa Esporte poderia ser citado em um capítulo sobre como perpetuar a ideia de que o machismo, o feminicídio, o homicídio, a ocultação de cadáver e o cárcere privado podem ser ignorados em nome de umas manchetes de jornal. 

BOLA DENTRO

A história de um privilegiado no mundo do futebol

“Se você busca encontrar aqui a história de um super-herói, de alguém que superou as injustiças do mundo para se tornar ídolo, que venceu o improvável para se tornar campeão, não está nas páginas certas.” Trecho de #Prass38, de Andrei Kampff. Vale conhecer um personagem que transcende as cores do time que defende. Golaço (ou “defesaça”).

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