HMTF exige cortes no Corinthians

Charles Tate, um dos acionistas da Hicks, Muse, Tate & Furst, deu um recado bem claro aos corintianos, na noite de domingo: o clube terá, obrigatoriamente, de reduzir o orçamento. Os sócios do fundo de pensões norte-americano não admitem mais perdas. E Tate afirmou, de forma velada, que o HMTF não ficará no Brasil se continuar tendo prejuízo. Como a situação econômica do País e do futebol não é nada animadora, as possibilidades de o parceiro rescindir o contrato continuam sendo grandes, dizem pessoas ligadas à própria diretoria alvinegra. Os americanos ficaram assustados com a queda nas receitas. A principal fonte de renda nos últimos anos, os direitos de televisão, despencaram em 40%. Tate decidiu passar no Brasil para cobrar seus colegas da Hicks no País. ?O Tate veio para pedir que os executivos da Hicks e os diretores do Corinthians reduzam os custos, a folha de pagamento (que hoje gira em torno de R$ 2,2 milhões por mês), para compensar a perda de receitas?, comentou uma pessoa que almoçou com Tate no domingo, pouco antes de o chefão do HMTF se reunir com os corintianos. O vice-presidente de Futebol do clube, Antonio Roque Citadini, confirmou que desde o ano passado a intenção é reduzir a folha de pagamento. Conseguiu em cerca de R$ 1 milhão. O fundo já viu que não conseguirá ganhar dinheiro no futebol brasileiro. Investir em jogadores, então, nem pensar. Quer, pelo menos, evitar mais perdas. A única esperança dos americanos é em relação ao estádio na Rodovia Raposo Tavares. Eles acreditam que, com ele, podem ganhar dinheiro. Mas, ao mesmo tempo, estão preocupados com a burocracia que existe no Brasil. Esperam a liberação da prefeitura para iniciar as obras desde o ano passado. Acreditam que, em 18 meses, podem entregar o estádio pronto. Já investiram cerca de US$ 25 milhões na compra do terreno e no desenvolvimento do projeto. Mesmo assim, muita gente, da própria diretoria, duvida que o sonho se torne realidade. Zezé Perrella, presidente do Cruzeiro, que também tem parceria com a Hicks, foi convidado por Dick Law, homem-forte do fundo de pensões no Brasil, para se encontrar com Tate no domingo. Recusou. O acordo entre o clube mineiro e os americanos está perto do fim. A diretoria do Santos conseguiu cassar a liminar que liberava o meia Fernando Fumagalli a jogar pelo Corinthians. Nesta segunda-feira, o clube de Parque São Jorge comemorou vitória na 44.ª Vara de Justiça do Trabalho contra o goleiro Ronaldo. O jogador queria receber R$ 2 milhões, alegando danos morais e pedindo passe livre, quando deixou o Corinthians, em 1998.

Agencia Estado,

04 Março 2002 | 20h02

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