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Horror verde

O Palmeiras serve de objeto para estudos de psicologia, administração e marketing, gestão esportiva, estratégias de futebol, antropologia, educação física, culinária e disciplinadas variadas. O clube arrecada muito, contrata demais, técnicos falham, jogadores perdem o controle, a torcida se enerva, o caldo entorna, o pavor toma conta. Consegue num piscar de olhos despencar do alto dos prognósticos favoráveis para mergulhar em crise e depressão. Fenômeno.

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Antero Greco

28 Março 2016 | 03h00

O desempenho diante do Água Santa, em Presidente Prudente, entra para a antologia do horror palestrino. Fernando Prass, Edu Dracena, Robinho & Companhia proporcionaram momentos de pesadelo, daqueles que se imaginavam parte do passado e que, no entanto, voltaram como tormento. Tomaram de 4 a 1 do novato da Série A estadual, com direito a bola na trave que evitou vexame ainda maior.

Cuca desembarcou no Parque há duas semanas e está perdido, atônito, sem saber para que lado correr. Só não se mostra mais estupefato do que o fã alviverde. Este, coitado, não tem ideia de como reagir diante do desmoronamento da equipe. No baile levado no interior em algumas ocasiões vaiou e, em outras, gritou “olé!” toda vez que o rival tocava na bola. Protesto pacífico e aceitável, ao contrário da truculência dos fanáticos que agem com terror e ameaçam invadir centro de treinos.

A pane palmeirense é geral e irrestrita. O técnico mexeu pela quarta vez, desde que chegou, e perdeu de novo. A defesa continua lenta, desta vez com Lucas, Edu Dracena, Roger Carvalho.

O meio-campo, que deveria ser mais ligeiro e ágil para cobrir a zaga, também esteve com freio de mão bem no alto. Thiago Santos e Arouca não deram conta do recado na marcação, Erik, Allione, Robinho não criaram. Rafael Marques ficou abandonado na frente, como já aconteceu com Cristaldo, Alecsandro, Lucas Barrios, Gabriel Jesus.

O time torto e mal-ajambrado passou o recado claro para o Água Santa: pode vir para cima que a chance de sucesso é boa. O caçula e ameaçado de rebaixamento acolheu a dica soprada pelo adversário e atreveu-se a atacar. Se deu bem, e acumulou gols com naturalidade, como se fosse o grande.

Nem as mexidas mudaram o astral e a forma de a equipe jogar. Régis entrou na vaga de Thiago Santos, Zé Roberto ocupou lugar de Erik e João Pedro tratou de ser mais eficiente na marcação do que Lucas. Nada aconteceu de diferente, a não ser o quarto gol do Água Santa. O Palmeiras manteve a toada do desespero, do chutão pra frente na base do seja o que Deus quiser. Tática? Jogadas ensaiadas? Ás na manga? Se Cuca os tem não os mostrou, ou não conseguiu se fazer entender pelos atletas. 

O Palmeiras mergulhou num turbilhão conhecido, temido, que custa a abandoná-lo e que o leva para depressão. Em vez de cumprir o roteiro da classificação sem atropelos, num torneio adequado para crescimento e ajustes, despencou para a lanterna. Último colocado num grupo com Ituano, Novorizontino, Ponte Preta e São Bernardo humilha. Não passar para a próxima fase representa fiasco preocupante. Até o rebaixamento, a esta altura, é ameaça crescente.

O Palmeiras topou com o Água Santa e saiu de campo com a certeza de que precisa de um banho de imersão em água benta. Ajuda divina convém. Mais conveniente, porém, é autocrítica, treino e inflar a bola murcha que ultimamente tem jogado.

Clássico morno. Santos e São Paulo, desfalcados e desfigurados, cumpriram o que se previa e fizeram duelo sem empolgação, no início da noite. Mesmo assim o que se viu, na Vila, anima de um lado e mantém interrogações de outro. O Santos de Dorival Júnior tem cara e alma, encontrou uma forma de jogar. Apesar das baixas, manteve o autocontrole; faltou-lhe pouco para mais uma vitória.

O São Paulo de Edgardo Bauza não achou a própria identidade, fica muito aquém do desejado, ganhou um ponto quase em cima da hora. Mas lhe falta passar confiança.

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