David Mercado/Reuters
David Mercado/Reuters

Idas da seleção a La Paz tiveram canja de galinha e mal-estar coletivo

Histórico da equipe na capital boliviana não é favorável e é marcado por diversas peripécias

Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

04 Outubro 2017 | 07h00

A seleção brasileira aprendeu na prática, e com derrotas doloridas, como fazer para chegar a La Paz e enfrentar a Bolívia. Até a comissão técnica de Tite elaborar a logística para a partida desta quinta-feira, pelas Eliminatórias, muitos jogadores tiveram de passar mal ou apostar em canja de galinha e sorvete como soluções para minimizar os efeitos no organismo da altitude de 3,6 mil metros acima do nível do mar.

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As passagens brasileiras pela capital mais alta do mundo tiveram peripécias impensáveis para os dias atuais. Na primeira das sete visitas, em 1979, o Brasil enfrentou a Bolívia pela Copa América com uma programação bem estranha em comparação à que o time de Neymar fará. O time viajou no dia do jogo pela manhã e entrou em campo à noite. 

"Muitos jogadores se sentiram mal. Eu não estava bem em campo, estava com dor de cabeça, com dificuldade para respirar. O Zico não conseguiu jogar. Ele não foi sequer ao estádio e ficou sob cuidado médico", relembrou o ex-zagueiro Oscar Bernardi. A derrota por 2 a 1 logo na estreia em La Paz causou um trauma.

A agenda mais comum das equipes hoje em dia é desembarcar em La Paz cerca de duas horas antes do começo do jogo, pois, segundo os fisiologistas, os efeitos da altitude só começam a aparecer seis horas depois da chegada à cidade.

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O susto em 1979 causou uma mudança radical dois anos depois, já pelas Eliminatórias. O técnico Telê Santana levou o Brasil para se preparar durante duas semanas na altitude de Quito, a 2,8 mil metros. "Fizemos uma ambientação, com amistosos e treinos para não sentir os efeitos. Isso nos ajudou a ganhar o jogo", afirmou Oscar. O Brasil venceu por 2 a 1.

Desde então, o calendário apertado da seleção a obriga a adotar a logística atual, com hospedagem em Santa Cruz de la Sierra, a 416 metros de altitude, e viagem somente no dia da partida. A programação foi inaugurada em 1993, no dia da derrota por 2 a 0, a primeira do Brasil na história das Eliminatórias da Copa do Mundo.

Antes do duelo, a comissão técnica se preocupou minuciosamente com a alimentação. Canja de galinha de prato principal, sorvete e biscoitos de sobremesa e muita ingestão de líquido estavam no cardápio do elenco como formas de ajudar na adaptação. Apesar do resultado ruim em campo, a programação de viagem para a Bolívia foi repetida todas as vezes depois.

A última vitória brasileira em La Paz foi em 1997, na final da Copa América. Mesmo o autor do último gol dos 3 a 1 na decisão, o meia Zé Roberto, diz não ter boas lembranças do país. "Em 2001 eu perdi a minha vaga na Copa do ano seguinte em um jogo lá. O time foi mal, perdemos por 3 a 1 e depois daquilo nunca mais fui chamado pelo técnico Felipão", afirmou o jogador do Palmeiras.

Depois do sucesso em 1997 e do fracasso em 2001, a seleção voltou duas vezes para La Paz pelas Eliminatórias. Em 2005, empatou por 1 a 1. Em 2009, perdeu por 2 a 1.

 

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