Intrigas abalam a rotina no São Paulo

O ambiente no São Paulo é o mesmo de um velório. A derrota para o Figueirense, na quinta-feira, a terceira consecutiva, abateu, e muito, o elenco e evidenciou que o grupo já não está mais tão unido como antes. Durante e após o jogo, o lateral-direito Belletti chegou a se desentender com Kaká. Alguns atletas estão aborrecidos, porque apenas o jovem meia e o atacante França levaram a fama quando o time conseguiu sucessivas goleadas. Na visão deles, o restante foi esquecido pela mídia. Ninguém, no entanto, quer se pronunciar publicamente. O novo tropeço fez uma vítima. Prestigiado por Luiz Felipe Scolari na seleção, Belletti volta a ser afastado da equipe. Gabriel atuará na direita e Gustavo Nery entra na esquerda. ?Normal, faz parte?, disse o lateral. A comissão técnica e o elenco só vêem uma alternativa de modificar o quadro de instabilidade: vencendo o Corinthians, neste domingo, em Presidente Prudente, pelo Rio-São Paulo. E vontade para isso não faltará, garantem eles. A motivação aumentou bastante após as declarações do atacante corintiano Gil de que a defesa tricolor é lenta. O grupo ficou irritadíssimo e desafiou o atleta. ?O Gil mexeu com o brio do nosso time e tenho certeza de que a marcação em cima dele vai ficar bem mais pesada?, rebateu Belletti. Wilson, um dos atingidos pelas críticas do rival, disse que ?quem tem boca fala o que quer?, mas que em campo as coisas serão diferentes. Na opinião de Rogério Ceni, Gil ?apimentou? o clássico. ?Ele vai ter de comprovar em campo o que falou. Tenho certeza de que o Wilson não gostou nada disso.? O técnico Nelsinho Baptista definiu como decisivo o jogo contra o Corinthians. Acredita que uma derrota complicará a classificação do time para a semifinal. Na sua visão, não há nervosismo nem desunião no grupo. Para ele, o lance em que Kaká atrapalhou França na tentativa de fazer o gol contra o Figueirense foi casual. ?O problema é que os gols não estão saindo e o time não está mais marcando como antes.? No desembarque da delegação, nesta sexta-feira, em Congonhas, alguns jogadores, cabisbaixos, tentaram evitar a imprensa e o assédio de torcedores. Outros, como Wilson e Belletti, foram atenciosos e pararam para dar autógrafos e tirar fotos. Nem todos no clube, porém, estão tristes. Muitos conselheiros da oposição comemoraram a derrota de quinta. Sabem que os resultados da equipe em campo podem fazer diferença no resultado das eleições presidenciais, que ocorrerão no fim de abril.

Agencia Estado,

29 Março 2002 | 20h12

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