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Futebol Internacional

Investidores cobram Barcelona e Santos por negociação de Neymar

Ciro Campos, Gonçalo Junior e Sanches Filho - O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2014 | 05h 00

Grupo DIS exige ver contratos e acredita ter mais dinheiro a receber pela ida do atacante

SÃO PAULO - A ida de Neymar para a Barcelona muda de figura conforme o ângulo de observação. Na Espanha, o Barcelona e o estafe do craque avaliam que as explicações dadas na semana passada para o negócio são suficientes para considerar o caso encerrado. No Brasil, muitas questões estão abertas e influenciam desde a política interna do Santos até a relação com a DIS, braço esportivo do Grupo Sonda e que detinha 40% dos direitos federativos de Neymar.

Na semana passada a DIS encaminhou uma notificação para o Barcelona solicitando a apresentação dos documentos relativos à venda do craque brasileiro. “O Grupo DIS não viu os documentos”, alega o advogado Roberto Moreno. A DIS quer analisar a documentação porque teme não ter receber os valores a que tem direito, em sua visão. A empresa alega que deveria receber 40% do valor total da venda, que inclui, entre outros itens, a intermediação do pai de Neymar, por exemplo. “Vamos aguardar a documentação da Espanha para definir como atuar”, diz Roberto.

“A contratação custou 57,1 milhões de euros. Tecnicamente, o valor é de 17,1 milhões de euros, a quantia paga ao Santos. O resto, que eleva as cifras para mais de 80 milhões de euros (R$ 262,4 milhões), não tem a ver com a contratação”, disse Raúl Sanllehí, diretor de futebol Barcelona. No sábado, na final da Copa de São Paulo, o presidente em exercício Odílio Rodrigues afirmou que só vai se pronunciar oficialmente na semana que vem. Nesta segunda-feira, por meio de sua assessoria de imprensa, o clube garantiu “acompanhar atentamente todos os desdobramentos na Europa”.

Francisco Cembranelli, membro do Comitê Gestor, foi ainda mais enfático. “O Santos não tem culpa de nada. Quem pagou é que tem de explicar se os valores foram superiores. Nós cumprimos o contrato”, diz o dirigente santista. Na sexta-feira, Bartomeu e Raúl Sanllehí reafirmaram que o gasto do clube com a contratação foi mesmo de 57,1 milhões de euros (R$ 187,2 milhões), dos quais 40 milhões (R$ 131,2 milhões ) para a empresa N&N, que pertence a Neymar, e 17,1 milhões de euros (R$ 56 milhões) para o Santos dividir com a DIS.

A revelação dos detalhes da negociação de Neymar foi solicitada, segundo a diretoria do Barcelona, pelo próprio pai de Neymar, que estaria chateado com as suspeitas sobre a operação. Na semana passada, Sandro Rosell não resistiu às suspeitas e renunciou à presidência.

SEGUNDA TENTATIVA

A DIS afirma que a notificação enviada à Espanha é uma segunda tentativa de ter acesso aos números da negociação de Neymar. No final do ano passado, a empresa ingressou com ação judicial, na Justiça de São Paulo exigindo a exposição desses documentos.

A DIS quer ter acesso a quatro contratos: o documento da venda, o contrato para a realização de dois amistosos, o que trata da preferência do clube espanhol sobre jogadores das categorias de base do Santos e o acordo firmado entre o Barça e o jogador em novembro de 2011 e pelo qual Neymar recebeu um adiantamento de 10 milhões de euros.

OPOSIÇÃO

Os dirigentes da oposição santista acham que a venda de Neymar é uma história mal contada e aguardam o fim da investigação da Justiça Espanhola para agir. Entre as providências possíveis estão desde pedir à diretoria esclarecimentos até articular – mais uma vez – o pedido de impeachment da atual presidência.

O conselho tem 250 membros – cerca de 80 da oposição. Para eles, o momento atual é a oportunidade de derrubar a cúpula do clube. Os questionamentos principais são o lucro reduzido do Santos na negociação e a possibilidade de a venda de Neymar para o Barcelona ter sido concluída em 2011 – mesmo sem nenhuma confirmação oficial.

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