Gilberto Almeida/Estadão
Gilberto Almeida/Estadão

Investigação aponta uso de contas na Suíça de esquema envolvendo Ricardo Teixeira

Ex-presidente da CBF é suspeito de ter usado a seleção brasileira para lavar dinheiro

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 15h06

Investigadores espanhóis apuram o uso de contas secretas na Suíça no esquema envolvendo o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell. Nesta quarta-feira, a procuradoria suíça confirmou à reportagem do Estado que está colaborando com as investigações sobre dirigentes do futebol na Espanha. Mas preferiu não detalhar nem os nomes e nem se as contas já foram bloqueadas.

Nesta semana, num caso envolvendo Teixeira, a polícia em Barcelona deteve cinco pessoas. A suspeita é de que os dirigentes tenham usado a seleção brasileira para lavar dinheiro, com contratos fraudulentos, empresas que passaram pelo Catar e contas secretas em Andorra. A reportagem apurou, agora, que Berna também esteve implicada no processo, diante da suspeita de que o dinheiro tenha passado pelos bancos alpinos.

"O Escritório do Procurador Geral confirma o recebimento de um pedido de assistência mútua enviado pela Espanha", indicou a procuradoria em um comunicado ao Estado. Segundo ela, o pedido está "atualmente sendo executado". Na prática, isso significa que os extratos bancários solicitados estão sendo recolhidos e enviados para Madri.

Além do caso com Rosell, os norte-americanos também investigam Teixeira por contas controladas pelo ex-presidente da CBF em pelo menos três bancos suíços: o UBS, Banca del Gottardo e BSI.

Em apenas duas dessas contas, um total de US$ 800 mil foi transferido dos EUA para a Suíça, envolvendo a Somerton, empresa controlada pelo também brasileiro José Margulies. Ele é suspeito de agir como testa de ferro para o empresário J. Hawilla e realizar os pagamentos de propinas para dirigentes do futebol mundial. A empresa de fachada de Hawilla, portanto, também teria abastecido as contas suíças de Teixeira.

A suspeita do FBI é de que Teixeira usaria um nome de fachada para não ter sua identidade revelada, mas aparecia como beneficiário das contas. O "laranja" seria Willy Kraus, dono da Kraus Corretora de Câmbio, no centro do Rio de Janeiro. Para o FBI, Teixeira mantinha o "efetivo controle" sobre essas contas.

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