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Ituano vence Santos nos pênaltis e é campeão paulista

Gonçalo Junior - O Estado de S. Paulo

13 Abril 2014 | 18h 36

Equipe treinada por Doriva conquista campeonato e repete feito de outras equipes do interior

SÃO PAULO - A festa que os jogadores do Ituano fizeram após a conquista do bicampeonato paulista foi diferente das celebrações tradicionais. Foi a festa de um time pequeno que derrotou o bicho-papão. Do primo pobre que consegue um triunfo quase épico. A vitória por 7 a 6 nos pênaltis adaptou para o futebol a lenda de Davi contra Golias. O zagueiro santista Neto perdeu o pênalti decisivo depois que Josa marcou. Se o futebol serve como inspiração e alegoria para a vida, os pequeninos do Ituano provaram que vale a pena esperar um pouco a mais pelo seu momento de glória.

Ao contrário do título conquistado em 2002, quando o Paulista não teve os grandes clubes, em 2014 os gigantes jogaram desde o início e, portanto, não há desculpa.

Para chegar ao bicampeonato, o Ituano teve na defesa o seu melhor ataque. No Grupo B, a equipe só ficou atrás do Botafogo, eliminando o Corinthians. Em 15 jogos, levou apenas 10 gols. Depois, no mata-mata, tirou o time de Ribeirão Preto nos pênaltis (após empate em 0 a 0) e fez 1 a 0 no Palmeiras. Só foi levar um gol neste domingo.

O Ituano passou por cima de todos. Primeiro, eliminou o Corinthians na primeira fase, mesmo sem enfrentá-lo. Venceu o São Paulo no Morumbi, o Palmeiras no Pacaembu e o Santos na primeira decisão.

Neste domingo, os jogadores do Ituano não se abateram com a derrota no tempo normal por 1 a 0 e buscaram a redenção nas penalidades, dentro da cova do leão.

O Ituano foi além do que fez na primeira partida. Continuou colocando as manguinhas de fora com uma primorosa organização tática, mas fez da decisão um duelo psicológico. Truncou o jogo, caiu quando não precisava, reclamou, catimbou e esfregou nos dedos os nervos santistas. Executou um jogo quente, falado, pegado, no limite da lealdade. Parte dessa força mental veio de um vídeo motivacional enviado pelo técnico Luiz Felipe Scolari, que tem amigos na comissão técnica do Ituano. Felipão falou de seu título da Copa do Brasil com o Criciúma em 1991, em cima do Grêmio, e lembrou que os pequenos têm vez.

Pilhado e afobado, o Santos entrou nessa hipnose. Oswaldo de Oliveira apostou em um paradoxo para corrigir os erros do primeiro jogo. Escalou o volante Alison para ter mais consistência, liberar Cícero e Arouca e deixar o time mais ofensivo. O Santos ficou mais protegido, mas não fez o seu jogo.

Foi a torcida que tirou o Santos do transe. As milhares de faixas com a inscrição "mar branco" que pintavam as arquibancadas ganharam a companhia das bandeiras – brancas – de mais uma ação da Federação Paulista contra o racismo. Faltava uma faísca. E vieram duas: uma falta bem cobrada de Cícero e uma cabeçada de Thiago Ribeiro.

O jogo cinza e cerebral do Ituano sucumbiu – não há força mental que resista a um mantra de 34 mil vozes dizendo que o Santos é o time da virada. Aos 44, Cícero sai do impedimento (as tevês denunciaram) e recebeu o rapa do zagueiro Alemão. O próprio meia, que havia perdido uma penalidade no primeiro jogo, bateu no canto e fez. Foi o primeiro gol que o Ituano sofreu em cinco jogos e meio.

Os sinais da equação do jogo se inverteram. O Ituano abandonou o cai-cai e voltou a ser o que sempre foi: um time organizado, que sabe tocar a bola. Além disso, proibiu o Santos de contra-atacar, a especialidade de Rildo, que entrou no lugar de Thiago Ribeiro. Aos 23, Geuvânio perdeu a única chance.

Faltou ao Ituano força ofensiva para resolver a parada no tempo normal. Mas a angústia dos pênaltis só aumentou a alegria da glória final. Neste domingo, os pequenos é que dormem no céu.

FICHA TÉCNICA:

SANTOS 1 X 0 ITUANO (6 a 7 nos pênaltis)

SANTOS - Aranha; Cicinho, Neto, David Braz e Mena; Arouca, Alison e Cícero; Geuvânio (Alan Santos), Thiago Ribeiro (Rildo) e Leandro Damião (Gabriel). Técnico - Oswaldo de Oliveira.

ITUANO - Vagner; Dick, Alemão, Anderson Salles e Dener; Josa, Paulinho (Marcinho), Jackson Caucaia, Cristian (Marcelinho) e Esquerdinha; Rafael Silva (Jean Carlos). Técnico - Doriva.

GOL - Cícero, aos 46 minutos do primeiro tempo.

ÁRBITRO - Raphael Claus.

CARTÕES AMARELOS - Vladimir, David Braz, Arouca, Cristian, Esquerdinha e Rafael Silva.

CARTÃO VERMELHO - Cicinho.

RENDA - 1.901.845,00.

PÚBLICO - 34.964 pagantes.

LOCAL - Estádio do Pacaembu, em São Paulo.

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