Janela, janelinha

Muito se falou do comportamento de Neymar em sua transferência recorde para o PSG

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 07h00

Chegou o dia 31 de agosto, uma espécie de fim do efeito Cinderela no futebol, o dia do fechamento do portal mágico das transferências espetaculares que movimentam bilhões de euros todos os anos na Europa. Estamos quase sempre do lado de cá, do lado dos que vão (não do lado dos que vêm). 

A literatura e a arte sempre foram ricas em dar às janelas protagonismo: desde as cantigas medievais até as vanguardas modernistas, é fácil constatar as funções simbólicas dadas à janela. A imagem romântica e ficcional da passagem mágica para um Eldorado recheado de potes de ouro representa exatamente os sonhos dos nossos atletas: dinheiro, fama, títulos e badalação os esperam do lado de lá. Essa parte é bem compreendida desde os primeiros chutes na nossa várzea. Falta apenas a eles terem mais claro que as benesses do Eldorado servem melhor para aqueles que não se esquecem de que foi a bola que os conduziu até lá. Não basta jogar. Gostar de jogar é fundamental. 

São muito os casos tristes dos que se perdem do lado de lá porque se lambuzam nas benesses antes mesmo de a bola rolar. Muito se falou do comportamento de Neymar e companhia familiar S/A no episódio recente de sua transferência recorde para o PSG. 

O dinheiro foi o mais importante? O protagonismo foi determinante? A hipocrisia não ajuda na análise. Eu o chamei de “sofista da bola” neste mesmo espaço há algumas semanas por ter clara a ideia de que ele consegue amar muitas coisas ao mesmo tempo: a bola, o espelho e o dinheiro.

Claro que é mais fácil para ele assumir esse triunvirato como mantra, ainda que não abertamente, porque ele é um dos melhores do mundo. É certamente o melhor brasileiro do século. Sabe do seu talento e tem muito pouco a temer com a mudança: tem confiança de que camisa alguma vai diminuir o seu futebol, seu gosto pelo jogo e seus planos pessoais. 

Não é o mesmo caso de outros brasileiros que atravessam o portal em busca só de dinheiro (o que é uma possibilidade válida, registre-se). Quantos são os casos dos nossos que atravessam a janela como “piratas” e deixam aqui um pezinho para voltar ricos tão logo sejam (re) lembrados? Quantos são craques para esperar pela “janela dos sonhos”? Quem pode escolher – e não ser escolhido, como a maioria sugada pela janela de transferências?

O caso do dia é de Philippe Coutinho, vítima de dor nas costas que só se manifesta na umidade latejante da fria Liverpool. Ele é nosso, ele era titular da seleção até outro dia, gostamos dele, é um ótimo jogador (não é craque), pode escolher, também queremos que ele brilhe em Barcelona com Messi e Suárez, mas o vai não vai dele poderia ser bem menos constrangedor, não poderia? A porta da rua, assim como a janela de transferência, é a serventia da casa. Já as portas dos fundos...

CONFIABILIDADE, ESTABILIDADE

Tite repete time da estreia na partida de hoje

Na cartilha do técnico da seleção não existe “chegar e se sentar na janelinha”. Mesmo tendo sinalizado que poderia fazer testes depois da vaga assegurada na Copa, hoje Tite repete o time de sua estreia nas Eliminatórias, contra o mesmo Equador, há um ano. Tite prefere a continuidade à instabilidade.

COPA DO MUNDO

‘Hermanos’ devem anunciar hoje candidatura a 2030

Apesar de os jogadores de Uruguai e Argentina terem decretado “greve” de entrevistas (por motivos diferentes em cada país), o clássico de hoje deve ser precedido do anúncio de que ambos os países são candidatos conjuntamente a sediar a Copa. Messi e Suárez são candidatos a garotos-propaganda.

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