Jogadores começam a deixar de falar dos seus sentimentos

Emoção vai ser assunto proibido na seleção brasileira, uma estratégia para controlar os nervos

Robson Morelli - Enviado especial, O Estado de S. Paulo

01 Julho 2014 | 14h49

Felipão se reuniu na noite se segunda-feira com seus jogadores na Granja Comary para pedir a todos eles que parassem de chorar e controlassem melhor seus sentimentos. Essa foi a proposta também para chamar novamente a psicóloga Regina Brandão. O resultado já pôde ser visto nas declarações de dois jogadores do Brasil, o goleiro reserva Victor e Ramires. Ambos se valeram do discurso de que o País todo está dando muito destaque para a emoção sentida e mostrada pelos atletas na batalha contra o Chile, sobretudo antes das cobranças de pênaltis.

Felipão disse ao jogadores que tudo o que eles viveram em Belo Horizonte, toda a intensidade daquela partida, deve ser esquecida. A comissão técnica não quer que o elenco leve a experiência para o jogo com os colombianos, sexta-feira, em Fortaleza, sob a condição de que isso pode prejudicar o rendimento dos jogadores. A presença da psicóloga na Granja Comary é também para 'ensinar' aos jogadores que emoções vividas devem ficar guardadas na memória e lembradas eventualmente, com conotação positiva. Felipão e Regina tentam tirar essa ansiedade no grupo.

"Não vejo essa emoção toda sentida na partida contra o Chile pelos jogadores como um peso para a seleção. Nós estamos vivendo essa Copa intensamente, e alguns se emocionam um pouco mais que outros, choram mais. Mas o exemplo do Julio Cesar é bacana, porque ele chorou antes dos pênaltis e fez o que fez (duas defesas)", disse o goleiro Victor.

Ramires andou pelo mesmo caminho. Essa será uma conduta padrão do Brasil. Após o almoço desta terça-feira, antes do treino da tarde, todos os jogadores, com os membros da comissão técnica, se reuniram com Regina Brandão. Haverá outros encontros, inclusive individuais. A intenção é fortalecer emocionalmente a todos, e dar de ombros para a importância que os brasileiros deram para isso após as imagens vistas no Mineirão. Vão encerrar o assunto.

"Houve sim uma emoção diferente naquele jogo, pela forma com que foi, a bola na trave na prorrogação, os pênaltis, o apoio do torcedor no estádio e os 200 milhões de brasileiros com a gente. Já vi jogadores mais experientes na Liga dos Campeões chorando da mesma forma. Não vejo problemas. Vamos administra esse sentimento, estamos até sabendo fazer isso, para poder continuar jogando bem a Copa. Se vier outra prorrogação ou disputa de pênaltis, estaremos preparados", assegurou Ramires.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.