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Copa 2014

Joseph Blatter tem proteção de chefe de Estado no Brasil

Jamil Chade - O Estado de S. Paulo

08 Junho 2014 | 17h 02

Sempre acompanhado por seguranças em São Paulo, presidente da Fifa só sai de hotel luxuoso com escolta de homens do Exército

Atualizado às 17h55

Oito motos, carros blindados, mais de 30 soldados, policiais e representantes da Polícia Federal. A escolta do presidente da Fifa, Joseph Blatter, é equivalente a de um chefe de Estado. Mesmo dentro do luxuoso hotel onde está hospedado em São Paulo, Blatter apenas caminha de um lugar ao outro na companhia de até seis seguranças, que impedem qualquer aproximação ao cartola. 

Na Suíça, Blatter circula praticamente sem segurança. Na Copa de 2006, na Alemanha, apesar de o governo ter criado dispositivos para protegê-lo, o número de homens era pequeno. Na África do Sul, quatro anos atrás, a segurança foi reforçada diante dos índices de criminalidade do país. 

Jamil Chade/Estadão
Motos da Polícia do Exército em frente ao hotel em que Blatter está hospedado

No Brasil, a garantia de  segurança da Fifa se transformou em uma real preocupação depois que, em 2013, a Copa das Confederações foi realizada em meio a protestos que pegaram todos de surpresa. Naquela ocasião, a Fifa cobrou do governo brasileiro garantias de que as seleções e os cartolas seriam protegidos. 

Agora, as autoridades não querem dar qualquer brecha para um eventual problema de segurança. No total, 157 mil homens farão a segurança da Copa, com gastos recordes para esse segmento da organização. 

No lobby do hotel e em cada acesso, seguranças foram colocados, restringindo até mesmo a movimentação de outros hospedes. Funcionários da Fifa contaram ao Estado que, antes de desembarcar no Brasil, foram orientados a não sair às ruas caminhando.

Na tarde deste domingo, ao sair do hotel, a comitiva de Blatter fechou a rua, as oito motos foram abrindo caminho na zona sul de São Paulo e, além de seu carro com um segurança dentro, o cartola foi seguido por um comboio de seis carros. Não faltou nem mesmo uma ambulância que, no final da fila de carros, acompanhou o deslocamento do "chefe do futebol". 

Nos últimos dias, tanto Blatter como o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, tem insistido: direcionar os protestos contra a entidade é um equívoco, já que os problemas seriam do governo brasileiro. Segundo Blatter, a Fifa jamais utilizou dinheiro público para a Copa. 

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