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Justiça denuncia 25 torcedores por briga com 2 mortos em 2012

Confronto ocorreu antes de um clássico Palmeiras x Corinthians

Estadão Conteúdo

18 Março 2015 | 14h58

A Justiça denunciou na terça-feira 14 integrantes da torcida Gaviões da Fiel, do Corinthians, e 11 da Mancha Alviverde, do  Palmeiras, pela morte de dois palmeirenses durante briga na Avenida Inajar de Souza, na zona norte, em 25 de março de 2012. Os corintianos foram denunciados por duplo homicídio qualificado e formação de quadrilha e os palmeirenses, por formação de quadrilha. A briga ocorreu horas antes de um jogo entre as duas equipes e resultou nas mortes de André Alves Lezo e Guilherme Vinícius Jovanelli Moreira, ambos torcedores do Palmeiras.

Entre os denunciados estão Alex Sandro Gomes, nomeado em 12 de fevereiro secretário parlamentar por Andrés Sanchez, deputado-federal pelo PT-SP, e Tiago Alves Lezo, irmão de André Lezo, morto no confronto.

Também vão a júri o atual presidente da Gaviões da Fiel, Wagner da Costa, o "B.O.'', os ex-presidentes Douglas Deungaro, o "Metaleiro'', e Antonio Alan Silva Souza, o "Donizete'', além de Rodrigo de Azevedo Lopes Fonseca, o "Diguinho'', que concorrerá à presidência na eleição marcada para sábado.

O promotor do Juizado Especial Criminal (Jecrim), Paulo Castilho, que tem liderado trabalho para que o combate à violência no futebol seja tratado como política de Estado – estão em discussão medidas para que o Juizado do Torcedor seja estruturado de maneira que passe a atuar de maneira efetiva –, entende a denúncia como um primeiro passo nessa direção.

"Esse desfecho é fruto de um trabalho integrado. A delegada Margareth Barreto (da Decradi, Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância) fez um trabalho de investigação que permitiu ao Ministério Público fazer denúncia consistente.''

Castilho acrescenta que o juiz Ulisses Pascolatti (do Jecrim) tem boa relação com seu colega Paulo Lorenzino, juiz da 2.ª Vara do Júri do Fórum Regional de Santana e responsável pela denúncia e, como especialista nessas situações de violência entre torcedores, pôde alertá-lo sobre a necessidade de dar uma resposta positiva à sociedade. "Esse é um exemplo de como a integração pode dar bons resultados.''

Em seu parecer, o juiz Lorenzino conclui que “os fatos imputados a todos os denunciados são de extrema gravidade, sendo desnecessária qualquer maior fundamentação. Tratou-se de mais um dos diversos e infelizes casos envolvendo briga entre fanáticos torcedores que, ao que se verifica, se interessam mais pela violência pré ou pós-jogos do que pelo esporte, trazendo risco não somente para os cidadãos de bem que pretendem acompanhar o evento esportivo e time de predileção, mas também fomentando, cooptando, agremiando outros jovens para que se tornem também rixosos e perigosos delinquentes”.

O confronto foi marcado pelas redes sociais e também ocorreu em outras ruas da região. Mas a pancadaria mais grave ocorreu na Inajar de Souza. Os torcedores de ambas as equipes se enfrentaram com paus, pedras e barras de ferro.

Foram denunciados 28 pessoas, mas o juiz da 2ª Vara do Júri optou por só aceitar 25. A promotoria promete recorrer para que os outros três também sejam processados, pois também participaram do confronto.

A investigação do Ministério Público concluiu que os corintianos passaram a madrugada preparando uma emboscada, com o objetivo de vingar a  a morte de Douglas Karim da Silva, alguns meses antes.

O juiz Lorenzino também proibiu seis membros da Gaviões e dois da Mancha de frequentar e acessar estádios de futebol no Brasil em dias de jogos de seus times. Castilho e Pascolatti acertaram com o José Balestiero Filho, comandante do 2.º Batalhão de Choque da Polícia Militar, que os oito terão de apresentar no batalhão e lá ficar durante os jogos, sob o risco de ter a prisão pedida.

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