Kaká mantém equilibrio depois da fama

Berço, expressão utilizada para definir um ambiente familiar saudável, realmente faz diferença, sobretudo no futebol. E o grande expoente dessa tese, hoje, é o meia são-paulino Kaká. Dono de uma carreira meteórica, ele, ao contrário do que alguns chegaram a prever, não parece vulnerável a um declínio de produção tão próximo. Pelo contrário. A cada dia, cativa mais admiradores. Autor do quarto gol tricolor na vitória deste domingo sobre a Portuguesa e com bom toque de bola, ele se tornou, ao lado do atacante França, o destaque da partida. Apesar de toda a badalação, Kaká nunca deixa de lado a simplicidade e a noção de realidade. No domingo, por exemplo, ao tomar conhecimento das declarações do técnico da Portuguesa, Valdir Espinosa, de que ele era um jogador quase impossível de marcar, graças à habilidade e inteligência tática, a jovem revelação surpreendeu. "Não acho isso. Hoje qualquer jogador razoável ganha destaque. Eu quero ser excelente e espero evoluir para esse objetivo", afirmou. Ele só tropeçou quando exagerou no discurso. "Eu sou do povo brasileiro." Nada de técnica ou um esquema revolucionário de jogo. Para Kaká, a principal virtude de sua equipe é o espírito de grupo e o conjunto, resultado de um trabalho que vem sendo mantido desde o ano passado. "As principais características nossas atualmente são a solidariedade e a união no campo", afirmou. "Quando o França vem para o meio, eu vou marcar a saída do zagueiro. Quando o Gustavo (Nery, lateral-esquerdo) avança, o Souza faz a cobertura. Esse é o diferencial." França: Nem mesmo os dois gols marcados neste domingo e o futebol convincente serviram para fazer o atacante França mudar sua atitude. Depois de sumir ao ser substituído na quinta-feira, quando defendeu a seleção brasileira contra a Islândia, em Cuiabá, o jogador repetiu a dose no Morumbi e deixou o estádio sem falar com ninguém. Duas sensações ficaram no ar: a primeira é de que, com os dois gols, França se recuperou da fraca atuação na capital mato-grossense. A segunda, e não tão boa, é ter justificado o estigma de jogador de clube, que já o acompanha há algum tempo. De acordo com o técnico do São Paulo, Nelsinho Baptista, o que faltou ao seu atacante foi mais tempo no campo com a camisa da seleção. "Eu não quero questionar o trabalho de ninguém (referindo-se ao treinador da seleção Luiz Felipe Scolari), mas 45 minutos são muito pouco para um jogador da qualidade do França", observou Nelsinho. "E tem outro detalhe: jogar contra um adversário mais fraco é diferente. Pode notar que os gols do Brasil foram feitos por atletas que vinham de trás." Para Kaká, o grande problema de França foi a marcação islandesa. "Como ele (França) é um atacante de área, a situação naquele setor sempre ficava congestionada e nos obrigava a tentar outro tipo de jogada."

Agencia Estado,

10 Março 2002 | 19h55

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