Livro aborda o mundo das torcidas organizadas por quase toda a América Latina

Material fala sobre estilos de torcer, violência e cooperação

Gonçalo Junior, O Estado de S.Paulo

19 Maio 2017 | 08h06

Independentemente das fronteiras geográficas e culturais, a América Latina tem uma maneira parecida de torcer nos estádios de futebol. A maioria segue o comportamento das torcidas argentinas, as chamadas barras, principalmente os cânticos com um ritmo particular e os materiais levados aos estádios como bandeiras, faixas e instrumentos musicais.

Essa é uma das constatações do livro Torcidas organizadas na América Latina: estudos contemporâneos, que será lançado em junho. O título reúne estudos sobre as torcidas de nove países, entre eles Brasil, Uruguai, Argentina, México e Peru, e analisa o esporte a partir das lentes das ciências humanas e sociais.

Produzido a partir de dois encontros acadêmicos com pesquisadores latino-americanos da Associação Latino-americana de Sociologia, o volume mostra como um tipo específico de associação juvenil, voltada à idolatria dos clubes de futebol, ganhou corpo em escalas nacional e internacional.

"Há uma similaridade entre as torcidas de ordem estética, fruto da influência argentina no modo musicado de cantar, ou de alentar, as barras. As transmissões televisivas e as redes sociais têm contribuído para a cópia de modelos", afirmou Bernardo Buarque de Hollanda, professor da Escola de Ciências Sociais da FGV e um dos organizadores da publicação ao lado do antropólogo costa-riquenho Onésimo Rodríguez Aguilar.

Outra semelhança entre as torcidas, de acordo com a publicação da editora 7 Letras, é a violência. Além dos conflitos entre rivais, o trabalho sublinha as brigas internas. A maioria dos capítulos salienta que, nos últimos 10 anos, as brigas por poder dentro da mesma torcida tornam-se frequentes. Neste contexto, o exemplo mais recente no futebol brasileiro foi a morte de Moacir Bianchi, torcedor da Mancha Alviverde, no mês de março. O crime teria sido cometido por palmeirenses em uma briga de facções.

Por outro lado, Holanda destaca uma aproximação entre as torcidas nos últimos anos com os objetivos de integração e cooperação. "Estão surgindo alianças sul-americanas, como a amizade entre a torcida do Palmeiras e a Garra Blanca (Colo-Colo) ou entre as torcidas do Fluminense, como a Young Flu, com as do Vélez Sarsfield, da Argentina", disse.

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