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Mal da cuca e das pernas

O Palmeiras que apanhou do Audax, na noite de ontem, fez lembrar de Samba na minha terra, de Dorival Caymmi, que num dos refrões diz: “Quem não gosta do samba, bom sujeito não é. É ruim da cabeça ou doente do pé.” Pois a rapaziada de Cuca anda insegura, travada, nervosa e atrapalhada. A consequência? Presa fácil para a equipe de Osasco, que construiu 2 a 0 no primeiro tempo, tratou de se resguardar na etapa final, sobretudo depois de sofrer o gol de Barrios.

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Antero Greco

21 Março 2016 | 03h00

Houve inversão de papéis no “José Liberatti”, com o Audax a representar o time grande. O que não chegou a surpreender, pois faz campanha acima da média. Objetivo e simples, apertou desde logo, empurrou o Palmeiras para o próprio campo, criou as oportunidades e as converteu. E sustentou postura firme na defesa.

Cuca fez a ressalva de que ainda não treinou o Palmeiras. Mas mudou em relação às últimas apresentações sob a guarda de Marcelo Oliveira e também em comparação com a escalação que ele mesmo mandou a campo na quinta-feira, na estreia com derrota para o Nacional. As principais trocas se concentraram na saída dos laterais Lucas e Egídio e na presença de Robinho no meio, em vez de Allione (machucado).

As mexidas não tiveram efeito. A equipe continuou desconjuntada, com buracos na marcação e espaço para o Audax criar na frente. Daí para levar gols foram alguns passes; não compensou sequer com jogadas de perigo.

Cuca recorreu a mudanças no intervalo. Para mostrar vocação ofensiva, tirou Gabriel e Alecsandro e colocou Rafael Marques e Barrios. Aumentou a velocidade e, na base do esforço e não da tática, diminuiu a diferença, teve o empate nos pés de Dudu, mas voltou para casa de novo com cabeça inchada.

Acorda, São Paulo. O jet leg provocado pela aventura na Venezuela pelo jeito não passou para Edgardo Bauza e rapazes. O bate e volta maluco para enfrentar o Trujillanos, com monte de trocas de voos e incontáveis milhas, se estendeu pelo fim de semana e fez os são-paulinos se arrastarem ontem em Itu. Essa é uma explicação suave para entender o empate por 1 a 1 e a quinta partida sem vitória, somados o Campeonato Paulista e a Libertadores. Bem, teve também o calor, tão intenso que o árbitro optou por parada técnica, para todos tomaram uma água.

Já olhar mais severo vai além da sonolência provocada pelas viagens e ressalta o que se vê há algum tempo: o São Paulo não encontra rumo. Não há meio de aprumar-se nem de manter ritmo razoável de desempenho. O treinador argentino apelou para outras mexidas – desta vez começou com João Schimidt e Daniel como novidades. Nem por isso, ocorreu crescimento. A equipe não tem estilo vistoso nem prático. Ou seja, não lhe cabe nem a justificativa de jogar feio e vencer.

Criou, se tanto, meia dúzia de lances notáveis – e a conta inclui dose de boa vontade. Numa dessas jogadas, saiu o gol, marcado por Ganso. O meia descobriu vocação para artilheiro e tem sido o goleador da tropa em 2016.

Coube-lhe o segundo momento de emoção, ao mandar bola na trave, quando poderia ter definido o placar. Os espasmos de criatividade tricolor tiveram Ganso como protagonista. Se por um lado anima ver o camisa 10 ligado e criativo, de outro fica escancarada a limitação: o São Paulo hoje limita-se à inspiração de Ganso. Falta apenas o restante.

Redes invictas. O público foi extraordinário (mais de 30 mil pessoas), a tarde em São Paulo de sol e céu limpo, o astral no Pacaembu pra cima. Cenário pra lá de ideal para um Fla-Flu memorável. Na prática, não foi assim. O clássico especial se revelou rotineiro, com as chances de praxe para cada lado, os erros costumeiros e o 0 a 0 afinal previsível. Valeu pelo programa diferente.

Quem sabe na próxima visita, saia um golzinho. E que não se espere mais 74 anos (é redundância, mas lembro que a primeira vez foi em março de 1942, com 0 a 0) para que ambos se reencontrem por aqui.

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