Maldita janela

São Paulo é um dos clubes brasileiros que mais sofre com o mercado de transferências europeu

Robson Morelli, O Estado de S. Paulo

17 Julho 2017 | 03h00

Ninguém sabe o tamanho da crise deste São Paulo, que voltou a perder no Campeonato Brasileiro, desta vez para a Chapecoense fora de casa. Já são nove rodadas sem ganhar, a quarta em que o time dorme na zona de rebaixamento, com dois técnicos diferentes. Nada acontece nos jogos do tricolor de positivo. É duro pescar algo de bom que seus jogadores tenham feito dentro de campo. Ocorre que o problema do clube do Morumbi, e de outros talvez em menor escala, é a maldita janela de transferência.

Todo ano, nesta mesma época, a Europa vem beber da nossa água. Ela já foi mais limpa, diga-se, e saborosa. Mesmo assim, continua abastecendo o futebol que paga em euro. O São Paulo deixou a torneira aberta e agora todo jogador do elenco se acha em condições, e no direito, de ser negociado. Os que não acham são logo convencidos pelos seus assessores e empresários.

Enquanto esta sangria não for contida, nada de bom vai acontecer no Morumbi, a não ser a chegada do euro, que, como chega, também vai embora facilmente. Veja o exemplo do técnico Rogério Ceni. Ele trabalhou sete meses incompletos e levou para casa uma bolada na rescisão de R$ 5 milhões. Nada contra e também nada a favor. Alguém fez o contrato e eles assinaram.

A diretoria do São Paulo precisa urgentemente definir o seu elenco. Colocar um ponto final nas negociações com os clubes europeus. Só assim o técnico Dorival Junior terá tranquilidade para reorganizar o time, de modo a não se preocupar com possíveis baixas de última hora nem de cabeças ao vento durante as partidas – esse problema encurtou a carreira de Ceni na equipe.

Mais do que isso. Com a janela trancada, o jogador, malandro que é, vai correr mais e atuar com mais inteligência, sabendo da sua real condição e de que não deixará o elenco. Rodrigo Caio está com a cabeça embaralhada, por mais esclarecido que ele seja. Vai ou não vai embora? Cueva também espera por uma oferta sabe-se lá de quem para deixar o São Paulo. Há outros no grupo que sonham encher as burras. A hora é essa e o atleta sabe disso. Então, perder ou ganhar vira secundário, uma vez que amanhã o cara pode estar embarcando para a Espanha, Itália...

E aí sobra para o pobre treinador. Dorival é melhor do que Ceni, mas Ceni foi vítima desse mercado em compras e das portas escancaradas do Morumbi. A diretoria fez sua opção. E ela não foi a de manter o elenco. Leco e seus pares optaram em fazer dinheiro. Isso é tão legítimo quando decidir em não negociar nenhum jogador. O problema é que o São Paulo continua sangrando no único campeonato que disputa. Seria providencial então se o presidente desse um basta nesta ansiedade e garantisse que nenhum outro jogador deixará o clube até o fim da temporada. Seria importante ainda definir hoje a vida do zagueiro Rodrigo Caio, de malas prontas para o Zenit, da Rússia.

PALMEIRAS

Para não dizer que não toquei no assunto, digo com todas as letras: ‘não foi pênalti em Mina’. A marcação ajudou demais o time de Cuca dentro de sua casa diante do Vitória, uma vez que perdia por 1 a 0. Então, após a cobrança e o gol de Róger Guedes, a história mudou. Não sei dizer, e ninguém sabe, se o Palmeiras conseguiria virar para 4 a 2 sem a marcação do pênalti do árbitro carioca Wagner Magalhães.

CORINTHIANS

É cedo demais para apontar o empate do Corinthians com o Atlético-PR, 2 a 2, no Itaquerão, como o começo da derrocada do líder do Brasileirão, como previu Renato Gaúcho, do Grêmio. O empate, no entanto, serviu para mostrar a todos como furar a boa defesa e marcação do Alvinegro. Refiro-me ao gol de Jonathan, passando por quatro dentro da área e se valendo de um fundamento perdido no futebol brasileiro, o drible.

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