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Copa 2014

Marcação forte sobre Neymar preocupa a seleção brasileira

Almir Leite - Enviado especial a Teresópolis - O Estado de S. Paulo

09 Junho 2014 | 07h 00

Comissão técnica do Brasil acredita ter alternativas se isso acontecer durante a Copa do Mundo, mas essaa situação incomoda 

A possibilidade de Neymar ser duramente marcado pelos adversários durante a Copa e, por isso, não conseguir jogar tudo o que pode (e sabe) em algumas ocasiões já é levada em consideração na seleção brasileira há tempos. Mas a preocupação aumentou depois do amistoso com a Sérvia, na sexta-feira, quando o craque, apesar do esforço, teve atuação discreta. A seleção acredita ter alternativas se isso acontecer, mas essa situação incomoda.

O técnico Luiz Felipe Scolari procura encarar esse "risco" com naturalidade. “É igual ao que acontece com o Cristiano Ronaldo e com o Messi. Jogador que desequilibra é marcado por um, por dois, por três (adversários). Cabe aos outros abrir espaços para que, com o Neymar marcado, sobre gente para resolver a partida’’, disse, após a partida com os sérvios.

As alternativas nesse caso são diversas. Uma delas é o próprio Neymar puxar a marcação e, assim, criar brechas para que outros jogadores consigam penetrar na área do adversário e concluir as jogadas. 

Paulinho, por exemplo, pode ser um elemento-surpresa. Oscar também pode se aproximar mais da área para concluir em gol. Além, claro, de armar jogadas para a penetração dos companheiros. As subidas dos laterais Daniel Alves e Marcelo também podem ser boas opções. Nesse caso, podem prevalecer as jogadas de fundo, com cruzamentos para a área, para o cabeceio de Fred.

Marcelo, por ser um jogador habilidoso, também pode se infiltrar pelo meio, contribuindo para surpreender e desmobilizar as defesas adversárias. Hulk, que se movimenta bastante por todos os setores do ataque, tem muita força física e bom poder de conclusão. É outro jogador que pode ter sua importância aumentada quando Neymar tiver dificuldade para desenvolver seu futebol.

O atacante Fred admite que a seleção brasileira depende muito de Neymar. E espera que ele, com marcação dura ou não, esteja sempre inspirado. “Todo mundo sabe que o jogador que faz diferença, que é o craque da seleção, é o Neymar. É um jogador especial, o mundo inteiro fica de olho nele’’, disse, ontem, o autor do gol da vitória brasileira sobre a Sérvia, por 1 a 0.

Fred prevê, no entanto, jogos complicados para Neymar. Mas garante que os outros jogadores estarão prontos para compensar as dificuldades que o atacante venha a ter, exatamente como quer Felipão. “Nossos adversários vão marcar muito forte, mas quando as coisas estiverem difíceis para ele, o grupo é forte, tem jogadores com capacidade para ajudar a seleção e fazer algo diferente."

O artilheiro, porém, reconhece que a seleção tem boa dose de "Neymardependência". "Sem dúvida, estamos fazendo de tudo para jogar a bola para o Neymar. Mesmo porque, é difícil as coisas ficarem difíceis para o Neymar."

AJUSTES

Nos treinamentos desta segunda e terça-feira, Luiz Felipe Scolari vai fazer os últimos ajustes na seleção brasileira para a estreia de quinta-feira na Copa do Mundo contra a Croácia. Vai procurar aperfeiçoar as jogadas de bola parada, defensivas e ofensivas, e também a marcação por pressão desde a saída de bola adversária, entre outros itens. E também vai buscar afinar as alternativas de jogadas para o caso de Neymar estar “encurralado’’ por forte marcação. Assim, deve treinar bastante as jogadas de linhas de fundo a partir das subidas dos laterais e as infiltrações pelo meio.

Outra preocupação dos companheiros e da comissão técnica, embora não admitida claramente, é que uma marcação implacável e violenta pode irritar Neymar, levando-o a discutir com adversários e com a arbitragem. O risco, nesse caso, é de o craque se desestabilizar e acabar recebendo cartão.Contra a Sérvia, por exemplo, Neymar discutiu asperamente com jogadores rivais, principalmente após receber faltas mais duras, e chegou a dar um safanão no lateral-direito. No amistoso anterior, contra o Panamá, realizado em Goiânia, falou bastante com a arbitragem, às vezes em tom áspero.

O craque, porém, parece preparado para tratar a forte marcação com naturalidade. Depois da partida contra a Sérvia, ele foi questionado sobre a situação e a abordou com naturalidade. "Foi difícil criar jogadas com pouco espaço. Mas tenho de me acostumar com isso."

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