Marcelinho ainda sonha com a seleção

Marcelinho Carioca completou hoje dois meses no futebol japonês, mas ainda é praticamente anônimo no país que será sede, com a Coréia do Sul, da Copa do Mundo. Ao contrário do que ocorria no Brasil, o ex-corintiano pode caminhar com tranqüilidade pelas ruas de Osaka, onde vive, sem ser incomodado ou mesmo observado. "Com o passar dos jogos o povo vai me conhecendo", diz. A distância dos holofotes, porém, o afasta completamente da seleção brasileira e as personalidades do esporte dão como certa sua ausência no Mundial. Mesmo assim, Marcelinho fez, hoje, discurso ousado e garantiu estar esperançoso em ser convocado pelo técnico Luiz Felipe Scolari. "Sempre tive esperança, porque sei que o Felipão gosta do meu futebol. No ano passado, ele até quis me levar para disputar a Libertadores da América pelo Cruzeiro." Após o jantar com o pai, Adílson, e com o amigo e secretário Paulinho, na bela casa em que reside, o meia contou que está surpreso positivamente com o Japão. Comemora o fato de poder deixar a bolsa jogada em "qualquer lugar" sem se preocupar em perdê-la e de ter sossego nas horas de descanso. "O povo é educado e respeita demais as pessoas." Seu clube, o Gamba Osaka, vem lhe prestando toda a assistência necessária. Já lhe deu, por exemplo, uma casa de dois andares com quatro espaçosos dormitórios. Por enquanto, tem apenas duas dificuldades: a língua e o trânsito. Por não estar acostumado com o sistema japonês, em que os carros andam do lado esquerdo da pista e a direção fica do lado direito, Marcelinho preferiu deixar, nos primeiros dois meses, o veículo na garagem. Agora, espera que sua carta de habilitação seja liberada para que volte a dirigir, o que deve ocorrer até o início da semana que vem. Em Osaka, a agitação noturna não passa de 22 horas ou 23 horas, afinal o japonês tem o hábito de se recolher cedo. Assim, o meia passa boa parte do tempo em sua casa ou numa igreja evangélica, acompanhado do atacante Magrão, ex-São Caetano, que também atua no Gamba e vem tendo boas atuações. Um dos aspectos que mais chamam a atenção de Marcelinho é a facilidade para se locomover dentro do país por meio de trem, transporte bastante utilizado pelos japoneses. "Os trens me lembram 1985, quando jogava pelo Madureira. Desde aquela época não andava de trem", observa. Em seu cotidiano, não poderia faltar, é claro, um tempero brasileiro. Uma vez por semana, ele encomenda, de um restaurante próximo de Osaka, comida tipicamente brasileira, que é entregue em sua casa. A feijoada é o prato predileto e o menu de quase todas as quartas-feiras. Sempre que fala de futebol e de sua carreira, o meia não consegue deixar de mencionar o Corinthians, com o qual trava batalha judicial. Hoje, voltou a lembrar que está com saudade do Parque São Jorge e que quer, talvez no ano que vem, retornar ao clube. O técnico Vanderlei Luxemburgo, que o afastou em meados de 2001, está no Palmeiras e o vice-presidente de Futebol, Antônio Roque Citadini, um dos que lideraram o movimento por sua saída, já aceita tê-lo de volta ao elenco. Por isso, seu sonho não está tão distante. "Os problemas que ocorreram entre nós foram vergonhosos e ruins para todos, mas já perdoei o Ricardinho e o Vanderlei, apesar de nossas diferenças", afirma, lembrando que a torcida ainda cobra a diretoria por seu afastamento. Sonhando com a Copa, Marcelinho assistirá amanhã ao amistoso preparatório entre Japão e Ucrânia, em Osaka. Todos os ingressos para esta partida foram vendidos com antecedência, prova de que os japoneses têm interesse pelo Mundial, apesar de não mostrarem nenhum entusiasmo.

Agencia Estado,

20 Março 2002 | 15h23

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