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Copa 2014

Match: Whelan está no Rio e ele tem 'direito de resistir à prisão'

Jamil Chade e Tiago Rogero - O Estado de S. Paulo

11 Julho 2014 | 14h 30

Empresa não considera seu funcionário um fugitivo, já que ele não tinha seu movimento restringido

A Match, empresa parceira da Fifa, declara que Ray Whelan tem "o direito de resistir" diante do que a companhia chama de um "processo injusto" e "arbitrário". O Estado revelou ontem com exclusividade que Whelan fugiu do hotel Copacabana Palace 10 minutos antes da chegada dos policiais do Rio que, com um mandado de prisão, o buscavam para levar de volta para a delegacia.

Imagens mostraram Whelan saindo com seu advogado pela porta dos fundos do luxuoso hotel. Ele é acusado de fazer parte de um esquema milionário de vendas ilegais de ingressos.

A Match insiste que não concorda com a palavra "fugitivo", já que ele não tinha seu movimento restringido e nem a exigência de ficar no Copacabana Palace. A empresa também justifica que Whelan não fugiu e que, pelo vídeo, ficou claro que ele "não estava correndo" do hotel.

"Entendemos que qualquer acusado no Brasil tem o direito fundamental de resistir uma coerção que ele acredite ser arbitrária e ilegal", afirmou a empresa em um comunicado. "

A Match insiste que, desde a fuga, a empresa não conseguiu manter contatos telefônicos com seu CEO.

Fabio Motta/Estadão
Ray Whelan está foragido da polícia

 

Mas o advogado Fernando Fernandes, flagrado pelas câmeras do Copacabana Palace ao lado de Raymond Whelan quando o CEO da Match fugia pela porta dos fundos do hotel, informou que seu cliente está no Rio.

Segundo Fernandes, Whelan, que é considerado foragido pela Justiça, "não está fugindo, nem tentará fugir. No momento, ele aguarda decisões judiciais sobre o processo, uma vez que o pedido de prisão de ontem é ilegal, já que a liminar que soltou Whelan na terça-feira não foi revogada", informou Fernandes.

"Ele também está sem documento, uma vez que o passaporte foi entregue à Justiça no início da semana".

A Match garante que o advogado, ainda que não tenha sido contactado, vá apresentar uma nova ação para conseguir um Habeas Corpus.

A empresa ainda tentou explicar como Whelan, que se ocupava de acomodações, estava vendendo ingressos a um cambista. "Isso não é ilegal e nem inapropriado", disse. Segundo a Match, revender ingressos só é ilegal se é feito sem a autorização. "Revender não é ilegal", completou.

ADVOGADO FACILITOU A FUGA

O chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Fernando Veloso, criticou a atuação do advogado Fernando Fernandes, que defende o CEO da Match.

Segundo Veloso, há indícios de que Fernandes teria levado a seu cliente a informação sobre o mandado de prisão expedido pela Justiça e participado da fuga. De acordo com o chefe de Polícia, a conduta do advogado "merece ser avaliada e, salvo engano, já há procedimento instaurado neste sentido".

"O problema é a conduta do advogado na medida em que ele dá fuga ao seu cliente. Aí é um problema", afirmou. Perguntado sobre as críticas à atuação da polícia feitas pela Match, que considerou a prisão de Whelan "ilegal e arbitrária", o delegado declarou: "Normalmente, as pessoas que são alvo de investigação não elogiam. O trabalho da polícia não está acontecendo de forma isolada, vem sendo acompanhado pelo Ministério Público e pela Justiça, então as críticas atingiriam todo o judiciário."

O chefe de polícia disse que faz parte do trabalho do advogado assessorar e orientar o seu cliente, mas há indícios de que Fernandes teria levado a informação sobre a expedição do mandado de prisão e saído com Whelan em fuga do Hotel Copacabana Palace, onde ele estava hospedado.

 

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