Benoit Tessier/Reuters
Benoit Tessier/Reuters

Menos habilidoso da família, Marquinhos projeta ápice na Rússia

Zagueiro, apelidado de Mocote pelos parentes, deixa de lado timidez para se firmar tanto no PSG como na seleção brasileira

Catharina Obeid, especial para o Estado, O Estado de S. Paulo

08 Janeiro 2018 | 07h00

Marcos Aoás Correia, o Marquinhos, vem de uma família de jogadores. O primeiro a chegar lá foi o primo Moreno, seguido de seu irmão mais velho, Luan, ambos revelados pela base do Corinthians. Ao lado deles, o atual zagueiro titular da seleção brasileira teve seu primeiro contato com a bola. 

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Seu primeiro técnico, José Carlos Barboza, relembra que, antes mesmo dos quatro anos, Marquinhos já assistia aos jogos do irmão na arquibancada. Mocote, como é chamado pela família, também era presença garantida nos treinos que acompanhava sua mãe, Alina, sempre vestido de goleiro. Sua mãe acredita que ele é tão bom na função que exerce porque sua missão sempre foi defender o gol. Por outro lado, um consenso entre seu primeiro técnico e sua mãe é que Marquinhos sempre foi o menos habilidoso da família. "Meu primo e meu irmão eram muito melhores do que eu", admite. 

Adalberto Barbosa, professor de educação física do Marquinhos, relembra o dia em que viu pela primeira vez o Marquinhos jogar no time profissional do Corinthians em 2011, após se destacar com o título da Copa São Paulo de Juniores. "Eu não acreditei na hora que vi o Tite chamando ele no banco. Foi uma emoção absurda", conta. 

Adalberto conta também que ele era sempre o primeiro a ser escolhido, independentemente do esporte, e que seu diferencial sempre foram a seriedade e compromisso com a equipe. 

Desde o título do Campeonato Brasileiro foram só seis anos, mas muitas conquistas. Aquele menino de aparelho nos dentes, tímido e sem jeito para entrevistas teve que se transformar em um homem quando, aos 18 anos, foi ter sua primeira experiência na Europa. "O Corinthians tinha a intenção de que ele amadurecesse profissionalmente e retornasse. Era uma experiência por um ano, um empréstimo", conta sua mãe. 

A mudança de planos ocorreu com o sucesso que o defensor teve no Campeonato Italiano. Foram 26 partidas defendendo o Roma – em 22 delas, ele atuou como titular. Não demorou para que despertasse o interesse do PSG, que fez dele o quarto zagueiro mais caro da história aos 19 anos no momento da transação – hoje ele é o quinto colocado. 

A escolha não se deu apenas pelo projeto e valores oferecidos. Marquinhos conta que seu maior ídolo no futebol sempre foi seu atual companheiro de equipe, o zagueiro Thiago Silva, e admite que a presença dele motivou a decisão. "Influenciou muito a vontade de querer conhecer, jogar junto, aprender com ele". Marquinhos também se diz muito feliz em jogar ao lado de Neymar. "O Neymar é uma marca muito forte. Ele acabou trazendo não só ele mas também muitos olhos para o Paris Saint Germain".

No clube francês, o zagueiro aplica um dos tantos ensinamentos que aprendeu com o seu primeiro técnico: desligar-se do mundo fora das quatro linhas. Tanto que a família já acostumou e entendeu que o jeito é torcer pelo time e não individualizar no jogador. “Para ele, nós somos torcedores como todos os outros do estádio para dentro", explica a mãe. 

Uma exceção ocorreu no jogo contra o Anderlecht. Sua mulher, Carol Cabrino, entrou em trabalho de parto ainda durante a partida. "Meu irmão começou a fazer gestos, um sinal indicando a barriga, e falou para eu correr. Aí eu já entendi que alguma coisa estava acontecendo".

Depois de ter se tornado pai no dia 1.º de novembro de 2017 da pequena Maria Eduarda, o brasileiro conta que, além de construir uma família ao lado de sua mulher, seus outros sonhos são ganhar a Liga dos Campeões e a Copa do Mundo. 

Confiante na preparação da seleção para 2018, Marquinhos conta que o ambiente dos clubes dirigidos por Tite, a quem ele chama de "ser humano de ouro", é leve e agradável. "Ele sabe valorizar cada um dos profissionais – inclusive a equipe que faz o extracampo". 

Marquinhos diz que a derrota para a Alemanha por 7 a 1, na Copa de 2014, é um fato superado, mas que “para muitos jogadores que estavam ali aquele dia até hoje é uma mancha, uma marca, no coração e na memória deles”. Seu palpite para a final da Rússia é Brasil e França. 

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