Felipe Rau/ Estadão
Felipe Rau/ Estadão

‘Meu estilo de jogo ainda assusta os dirigentes’, diz Fernando Diniz

Para quem antes assumia o posto de um dos técnicos mais cobiçados do futebol brasileiro, agora o treinador está desempregado

Entrevista com

Fernando Diniz

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2017 | 07h00

Em um passado recente, Fernando Diniz era um dos técnicos mais cobiçados do futebol brasileiro. Seu Audax encantava o País com toque de bola envolvente e um estilo de jogo diferente. Agora, com um vice-campeonato paulista e um rebaixamento no estadual, Fernando Diniz está desempregado. Em entrevista ao Estado, ele disse que seu estilo de jogo é algo que ainda assusta a alguns dirigentes, por isso está sem clube. Garantiu ter recebido ofertas, mas nada tentador. Ele garante que, se for contratado, rapidamente consegue implementar seu estilo de jogo.

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Você deixou o Audax há quatro meses e sumiu. O que tem feito?

Estou esperando propostas interessantes. Tenho estudado, feito cursos, curtindo a família e aguardando um bom momento para voltar a trabalhar.

O que deu errado para o técnico sensação do futebol brasileiro ficar desempregado?

Existia a parceria entre Audax e Oeste e o plano era seguir na Série B, mas no ano passado teve briga entre os dirigentes dos dois clubes e resolveram se separar. Então, decidi sair do Audax após o Paulista.

Mas o Paulista acabou em maio. Porque está desempregado até agora?

Apareceram algumas coisas, mas eu não quis pegar. Foram vários pontos que eu analisei. A situação financeira do clube, se há muita troca de treinadores, o gestor que estava me contratando...

Por que não ter apareceu uma proposta boa?

Acho que existe uma visão um pouco errada do meu trabalho, de que preciso de muito tempo para colocar meu estilo de jogo em uma equipe. Eu treinei o Audax por poucos dias antes de iniciar o Paulista, não levei nenhum jogador e fiz aquele trabalho que todo mundo conhece. No Votoraty e no Paraná, eu também tive pouco tempo para montar o time e consegui bons resultados. Eu consigo colocar meu padrão de jogo com facilidade em pouco tempo. Acredito também que meu estilo de jogo assusta alguns dirigentes, pois é algo diferente, que muita gente acha que precisa de tempo para dar certo e que não dá para jogar bonito e ganhar campeonatos. Dirigente que vai atrás de técnico agora é para minimizar crise e acha que jogar com toque de bola, envolvendo o adversário, não vai fazer o time se recuperar. Quer o time cruzando bola para a área e no sufoco ganhando de 1 a 0.

Qual o verdadeiro Fernando Diniz: o vice-campeão paulista ou o rebaixado no ano seguinte?

Ano passado eu tive nove propostas e esse ano nenhuma. As pessoas que acompanham de longe não conheceram meu trabalho no Audax e isso, aliado com os números, assusta um pouco. Mas é importante falar que mudamos nove jogadores do time titular do ano do vice paulista para o seguinte e o Campeonato Paulista é um campeonato muito curto. Vários jogos poderíamos ter ganho, mas não conseguíamos o resultado. O meu jeito de jogar, essa novidade tática, mexe com as pessoas. O Audax fez o pequeno dominar o grande, mas infelizmente tivemos esse problema no estadual.

Se arrepende de não ter saído do Audax antes? Em 2016, muitos queriam você como técnico...

Eu sei, mas não me arrependo. Eu poderia estar lá até hoje, mas a parceria Audax e Oeste não prosperou. Se eu estivesse lá, a gente poderia estar disputando para subir para a Série A e a situação seria bem diferente.

A queda no Paulista serviu de exemplo para rever conceitos?

Com certeza. Aprendi muito. Quando você toma um revés, você aprende. Quando ganha, não percebe muitos erros. Reconheço os erros, mas mantenho meu pensamento e minhas convicções táticas.

Você foi ao treino do São Paulo recentemente. O que fazia por lá?

Quando enfrentamos o Santos na decisão do Paulista, o Dorival me disse que gostou muito do jeito que a gente jogava e queria marcar um encontro para conversarmos. Um tempo depois, ele deu uma entrevista em que me elogiou muito, liguei para agradecer e ele me convidou para ir ao São Paulo. Ele gosta de jogo bonito também e ficamos trocando ideia de futebol. Também tenho amizade com o Fábio (Carille, técnico do Corinthians) e pretendo passar por lá quando a agenda permitir.

Qual time do Brasil te faz lembrar o seu Audax?

O Grêmio é quem tem jogado mais bonito. É o que melhor representa aquele Audax. O Corinthians tem um estilo mais pragmático do que eu gosto, mas também admiro o estilo.

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