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Ministro ataca críticas de Ronaldo sobre a Copa: 'Foi do comitê e nada falou'

Paulo Bernardo, titular da pasta das Comunicações, vê com estranheza comentários do ex-jogador

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Irany Tereza,
O Estado de S. Paulo

30 Maio 2014 | 07h00

BRASÍLIA - A vergonha que o jogador Ronaldo assumiu sentir em relação aos problemas constatados nos preparativos para a Copa do Mundo é infundada, na opinião do ministro das Comunicações Paulo Bernardo. Ele rebateu as críticas do Fenômeno cobrando também do ex-jogador responsabilidade na organização do torneio. "Não sei do que o Ronaldo se envergonha. O que vejo é que ele foi membro do comitê local e não falou nada durante esse período todo. E faz cinco anos que está sendo preparada a Copa", disse o ministro.

Bernardo reconheceu que boa parte das obras projetadas para a Copa não será entregue até a abertura do mundial, daqui a duas semanas. E disse que, durante uma reunião para decidir sobre a preparação do País para sediar o campeonato, alguém propôs, "a sério" que a decretação de feriado nos dias de jogos resolveria o problema de mobilidade.

"Na época, lembro que teve até uma discussão, ainda na gestão do presidente Lula, de que teríamos que investir em mobilidade, metrô, corredor de ônibus, e alguém na mesa disse o seguinte: vamos ser francos, essa história de mobilidade é só decretar feriado no dia e acabou o problema. Vai todo mundo pra casa, não fica carro na rua e acabou o problema de mobilidade. Mas, não queríamos fazer isso. Achamos que era uma oportunidade para colocar recursos em obras de mobilidade", disse o ministro.

Ele defende que, apesar de não ser possível estipular prazos para a conclusão, os projetos pendentes ficarão prontos depois do campeonato. "Não ficou pronto, mas vai ficar. Vai acabar a Copa e esses investimentos vão continuar", afirmou, dizendo que "vai dar tudo certo" durante o torneio, inclusive na transmissão de dados e imagens.

Em relação às críticas feitas dos representantes da Fifa, o ministro foi bastante categórico, principalmente na resposta a Jérome Valcke. "Em alguns momentos eles resvalaram para a grosseria. Não vou nem falar que o Valcke queria dar um pontapé na nossa bunda, mas acho que em alguns momentos se portaram de forma bem grosseira. E isso inclusive depõe contra eles, porque todo mundo sabe que cartola de futebol é meio mafioso", afirmou.

Bernardo comentou também a entrevista que o ex-jogador francês Michel Platini concedeu ao Estado, no qual afirmou que o grande legado de uma Copa do Mundo são os estádios. "Ele sabe tudo de futebol. Com certeza, mudamos o padrão de estádios do Brasil. Eu vi esse negócio de Cuiabá, do 'sertanejão'. Mas, por exemplo, Manaus, onde os times estão muito ruins, tem o maior torneio de futebol amador do Brasil, chamado 'peladão'. Por que não aproveitar essa paixão que o povo tem por futebol para fazer uma coisa organizada e ter um futebol com o padrão do estádio que está lá? Os estádios são de futebol, mas são multiuso. Mas têm de ser para futebol, que foi a origem da ideia para construir. Se no Mato Grosso não vai ter ninguém interessado, tudo bem, acho razoável fazer festival sertanejo. Mas os estádios foram feitos para futebol", afirmou.