Momentos

Campeonato Brasileiro apresenta times em diferentes situações

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2017 | 09h01

Estimado leitor, não se empolgue nem xingue o cronista, por causa do título e da janela (esse quadradinho no meio do texto) da crônica que tem sob seus olhos. O tema é justamente o que está escrito: trata-se de avaliar o momento de alguns times e certos personagens do futebol local. No caso mais específico, de Chapecoense, Corinthians e Vanderlei Luxemburgo - veja só, o pofexô está de volta.

As duas equipes formam o trio de “Cs” que estão à frente no Brasileiro - o Cruzeiro completa a insólita lista. Você vai dizer que foram realizadas só três das 38 rodadas previstas no regulamento e que obtiveram sete dos nove pontos disputados. Além disso, há um bloco enorme com seis pontos, um com cinco, dois com quatro e etc. Chata mesmo a situação do Atlético Goianiense, o lanterna com zero. 

Claro, sem dúvida, deve-se levar isso em conta. Não seria doido de tascar aqui que o time catarinense ou que o campeão paulista são favoritos ou vão levar o título. Não há nada mais imprevisível, até certa altura, do que a nossa Série A. No mínimo até a sexta ou sétima rodada do returno há um baralhamento na classificação, um sobe e desce de deixar tonto qualquer um.

O que não impede que se elogie quem cumpre boa campanha. Caso dos dois em questão. E por que não o Cruzeiro? Porque os mineiros largaram no grupo dos candidatos à taça, ao contrário de Chapecoense e Corinthians. Ou seja, a rapaziada de Mano Menezes segue a trajetória previamente imaginada para ela; já a turma de Vagner Mancini e Fabio Carille vai além do previsto, subverte a lógica inicial. 

Até onde irá essa maré alta? Sabe-se lá, tomara que até o final. Ninguém deve iludir-se e considerar que estamos diante de esquadrões. Nem vem ao caso discutir tal aspecto, pelo fato de que não há nestas bandas um timaço. Não é o Palmeiras, tampouco o Flamengo, bem como o Galo ou o Grêmio, para ficar na turma mais bem cotada. Para sermos mais claros: quando foi a última vez em que o futebol brasileiro produziu e manteve por várias temporadas um time visto como bicho-papão, que entrava em campo certo de que a vitória seria barbada? Lembra?

A proeza da Chapecoense dispensa explicações adicionais. O ressurgimento, após a tragédia de final de ano, já é em si um milagre - e consequência de trabalho bem feito e colaboração ampla. O elenco montado em pouco mais de dois meses, a toque de caixa, rendeu um título estadual, uma campanha digna na Libertadores (a desclassificação veio no tapetão) e agora a arrancada inédita no Brasileiro. A vocação para complicar rivais de peso veio com o empate com o Corinthians na estreia, a vitória sobre o Palmeiras, fora os 2 a 0 no Avaí, mas aí é briga paroquial. Mancini faz o pessoal jogar simples, mas com boa recomposição na marcação, sistema defensivo bom e ataque cirúrgico, com aproveitamento alto. 

Fórmula que se aplica ao Corinthians, que tomou gosto pelo 1 a 0, como se viu no Paulistão e nas visitas ao Vitória e ao Atlético-GO. Pode-se alegar que topou com obstáculos de segundo escalão, que a dureza virá mais tarde e coisa e tal. Insisto: não se está a cravar que o torneio acabou desde já; detecta-se o período atual. E, por ora, os alvinegros têm jogado futebol decente, com equilíbrio entre os setores.

E, por falar em dar as caras, não é que Luxemburgo reaparece, após longa hibernação, entre China e o desemprego?! O calejado treinador desembarcou ontem em Recife cheio de prosopopeia, com frases de efeito e otimismo a sair pelas abas das calças. Luxa é personagem controvertido, há tempos não faz trabalho expressivo, mas é inegável o valor do currículo. Fica a torcida para que reedite alguns momentos como aqueles da década de 90, seus anos dourados. O Sport agradecerá. 

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