Movimento no Morumbi decepciona

O futebol em campo pode ter voltado aos bons tempos. Mas o movimento do comércio nas redondezas do estádio do Morumbi esteve longe de relembrar seus melhores dias. Independente do clube do coração, quem depende do dinheiro dos torcedores para viver engrossou o coro com o técnico Vanderlei Luxemburgo: dia de clássico entre as duas melhores equipes do Torneio Rio-São Paulo, no caso São Paulo e Palmeiras, tem que ser domingo. O primeiro sinal de que o horário do jogo desta quarta-feira foi infeliz pôde ser visto nas bilheterias, onde as tradicionais filas sumiram. Mesmo na meia hora que antecedeu a partida, comprar ingresso era fácil, bastava ir ao guichê, apresentar o dinheiro e levar quantos quisesse. As arquibancadas passaram longe de sua lotação máxima, especialmente na torcida do Palmeiras. Movimento? Só o dos carros que congestionaram as ruas desde a Marginal do Pinheiros até o Morumbi. Para os comerciantes, o movimento foi bem abaixo do esperado. "Vendi umas cinco camisas do Palmeiras. Já cheguei a vender de 30 a 40 em um bom dia", suspirava o vendedor Edson de Assis. "Com jogo neste horário o torcedor vem correndo e nem pára para comer. Dia bom de clássico é domingo", opina. Do lado do São Paulo, nem a grande fase vivida pelo time fez a torcida se animar. O vendedor Rodrigo de Jesus lembrava dos bons tempos em que vendia 15 camisas em um clássico. "Vendi só cinco. Acho que o povo está tão sem dinheiro que vem ao estádio e nem tem uns trocados para comer." Nas barracas de lanche, o movimento não empolgou. "Em um dia bom, chego a vender cerca de 250 lanches, hoje só vendi 150", lamentava Said Mohan, que estava no lado da torcida são-paulina. O comerciante, no entanto, contentou-se pois, segundo ele, o poder aquisitivo do torcedor anda tão ruim que o movimento foi, até agora, o melhor do ano. O estudante palmeirense Pedro Azevedo deu uma pista do que está se passando. "O torcedor do Palmeiras vai em jogo no Parque Antártica. Hoje eles estão lotando as poltronas, assistindo pela televisão", disse. "E a torcida do São Paulo só apareceu porque o time está indo bem." Nem mesmo o comandante do policiamento, major Marcos Marinho, ficou feliz. Apesar da tranqüilidade antes da partida, o policial temia pela segurança após o apito final, pois, segundo ele, a torcida palmeirense chegava a um terço da são-paulina, o que a deixava mais vulnerável a represálias em caso de vitória do time do Parque Antártica.

Agencia Estado,

20 Março 2002 | 22h20

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