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Copa 2014

Mundial se torna balcão de negócios

Fernando Faro - Enviado especial a Salvador - O Estado de S. Paulo

06 Julho 2014 | 05h 00

Uma boa apresentação na Copa muda a vida dos jogadores. Na reta final do torneio, o mercado da bola está em ebulição

Celebração do esporte, histórias de superação. Não faltam termos para qualificar uma Copa, também responsável por esquentar o mercado da bola. Mais do que levar uma seleção a uma boa colocação, ter destaque no meio dos melhores pode garantir um contrato rentável.

Não faltam exemplos de como uma boa campanha muda o patamar de jogadores. Mesut Özil, um dos grandes nomes da Alemanha, era apenas uma promessa do Wolfsburg quando se destacou na Copa de 2010 e foi negociado com o Real Madrid.

Os espanhóis também contrataram o português Fábio Coentrão depois do então lateral do Benfica ser um dos poucos a se salvar na discreta campanha do seu país no mesmo Mundial. Kevin Prince Boateng, de Gana, o uruguaio Luis Suárez e marfinense Gervinho, entre outros, faziam parte da lista dos que passaram a chamar atenção no Mundial da África do Sul.

Vanderlei Almeida/AFP
Artilheiro da Copa, James Rodríguez é um dos jogadores mais cobiçados pelos grandes clubes da Europa

Às vezes, nem é preciso fazer uma Copa brilhante. Quem não se lembra dos poucos minutos em que Viola esteve em campo na final de 1994, contra a Itália? O atacante, então no Corinthians, chamou a atenção do Valencia e, meses depois de conquistar o tetracampeonato, estava desembarcando na Espanha, onde ficou apenas um ano. O importante é impressionar.

Com a primeira fase a todo vapor, alguns nomes já surgem como alvo de especulações e chamam a atenção pelas boas partidas. Principal responsável por segurar o empate sem gols contra o Brasil e autor de outras grandes defesas, o goleiro mexicano Ochoa já foi citado como alvo do Milan após deixar o modesto Ajaccio, da França.

Companheiro de posição, o costa-riquenho Keylor Navas é cotado no Real Madrid após grande Mundial e por ter sido eleito o melhor goleiro do último Campeonato Espanhol, atuando pelo modesto Levante. Também da Costa Rica, o atacante Joel Campbell já foi avisado pelo Arsenal que ele será reintegrado após defender o Olympiakos por empréstimo. O jovem de 21 anos despertou a cobiça de grandes clubes após destroçar o Uruguai no jogo de estreia do Grupo D.

Destaque na Copa, o colombiano James Rodríguez também desperta o interesse de diversos clubes. O Real Madrid promete desembolsar uma fortuna. Difícil será convencer o Monaco a liberá-lo. O clube francês deseja  75 milhões (aproximadamente R$ 227,3 milhões).

ANTECIPAÇÃO

Justamente para evitar uma maior concorrência, os clubes tentam antecipar as negociações por medo de que seus alvos estourem na competição e inflacionem o valor de mercado. O Barcelona viveu as duas situações: conseguiu fechar com o croata Rakitic antes do Mundial e evitou o assédio. O mesmo ocorreu com o goleiro Bravo, que desembarca na Catalunha após se destacar com o Chile. Mas demorou demais para tirar o colombiano Cuadrado da Fiorentina e agora os italianos esperam oferta que supere os  25 milhões (R$ 75 milhões) oferecido pelos catalães. A Roma está de olho no atacante.

E, mesmo em casos de fiasco de uma seleção, uma atuação individual pode chamar atenção. Matteo Darmian conseguiu se sobressair à eliminação da Itália e despertou a cobiça de clubes do seu país. Jogador do Torino, ele pode continuar na cidade, mas vestir as cores da Juventus na próxima temporada. Luis Suárez, apesar do bizarro episódio da mordida em Chiellini que lhe impôs quatro meses de suspensão, também deve trocar de ares e deixar o Liverpool para reforçar o Barcelona.

Os chilenos impressionaram com atletas como Sánchez e Isla. A mídia espanhola dá como certo o acerto do alemão Toni Kroos com o Real Madrid, embora o jogador se esquive. "Não é hora de falar sobre isso", desconversa.

É uma questão de tempo para que a Copa produza seus heróis, vilões e também novas estrelas. O mercado de negociações está aberto.

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