Na África do Sul, estádios formam uma manada de elefantes brancos

Ao todo, arenas feitas ou reformadas para a Copa do Mundo de 2010 custaram R$ 4,15 bilhões

Almir Leite, enviado especial, O Estado de S. Paulo

16 Março 2014 | 05h00

JOHANNESBURGO - Uma das previsões feitas ainda na fase de preparação para a Copa de 2010 está amplamente confirmada, quatro anos depois do fim do torneio: os estádios sul-africanos construídos ou reformados para o Mundial ao custo declarado de 16 bilhões de rands (R$ 4,15 bilhões) formam uma manada de elefantes brancos. São subutilizados e causam prejuízos a seus administradores e ao poder público.

O impotente Soccer City, palco da abertura e da final em 2010 e onde recentemente a seleção brasileira goleou a África do Sul por 5 a 0, é o maior dos elefantes. Recebe, em média, dois eventos por mês. E só lota quando há show - o U2 atraiu 98 mil pessoas, mais do que a capacidade oficial do estádio, de 94 mil pessoas.

Com o futebol, a média de público é de 32 mil pessoas.E assim mesmo porque recebe decisões de competições locais e jogos dos Bafanas, como o contra o Brasil, que teve 55 mil pagantes, muito graças aos preços módicos dos ingressos - entre R$ 11 e R$ 44, estes para os setores vip.

É opinião geral que o Soccer dá prejuízo, mas seus administradores não confirmam - nem negam. Fato é que a arena reformada ao custo de R$ 800 milhões está bem cuidada, com instalações em bom estado de conservação e seu imenso entorno limpo e com o paisagismo em ordem.

O prejuízo do belíssimo Green Point, na Cidade do Cabo, é conhecido: R$ 10 milhões por ano. É que o custo de manutenção de um estádio que comporta 68 mil pessoas é alto. E como ele fica vazio a maior parte do ano - tanto os times de rúgbi como os de futebol da cidade preferem jogar em outros locais -, vai ser difícil recuperar o R$ 1 bilhão gasto para erguê-lo. Por isso, vira e mexe alguém propõe derrubá-lo. Mas essa proposta só aumenta a confusão.

Outro gigante, o Moses Mabhida, em Durban (69 mil pessoas) vive às moscas, porque o time local, o AmaZulu não atrai torcida. Assim, abre também para shows, feiras (recentemente recebeu uma de gastronomia e decoração) e eventos diversos como o que ocorrerá nos dias 21 e 22 de junho e está sendo anunciado com grande pompa: um show de acrobacias de carros com preparação especial. Vai ser a segunda edição do tal show no estádio.

O Nelson Mandela Bay, em Port Elizabeth, onde em 2010 o Brasil caiu diante da Holanda, recebeu apenas 17 jogos de futebol desde o fim da Copa -oito durante a Copa Africana de Nações, no ano passado. Lá também ocorreram jogos de rúgbi, shows e casamentos, num total de 57 eventos nestes quase quatro anos.

Os estádios de Nelspruit e Polokwane também são subutilizados. No azul, operam apenas dois estádios usados na Copa de 2010: o Ellis Park, em Johannesburgo, e o Loftus Versfeld, em Pretória. Graças ao rúgbi.

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