Fredy Builes/Reuters
Fredy Builes/Reuters

Na volta a Medellín, Chapecoense é goleada e vê Atlético Nacional levar a Recopa

Catarinenses perdem título com derrota por 4 a 1 para colombianos

Gabriel Melloni, Estadão Conteúdo

10 Maio 2017 | 23h46

Mais de cinco meses depois da tragédia do ano passado, a Chapecoense voltou a Medellín para decidir um título continental diante do Atlético Nacional. Os jogadores no gramado eram outros, mas era impossível esquecer dos colegas que perderam a vida e deram ao clube a Copa Sul-Americana de 2016. Dessa vez, o título não veio. O time catarinense perdeu por 4 a 1, nesta quarta-feira, e viu os colombianos ficarem com a taça da Recopa.

Em uma noite de tantas emoções, a Chapecoense foi valente e, depois de ser completamente dominada e levar dois gols no primeiro tempo, foi para cima na etapa final e incomodou o adversário. Mas os erros no ataque foram fatais, e o Atlético Nacional aproveitou os contragolpes para confirmar o título.

Apesar da perda do título, a Chapecoense deixa o confronto orgulhosa pela vitória na ida, por 2 a 1, em casa, e com a relação de "irmandade" com o Atlético Nacional fortalecida. Os clubes, que se uniram diante do trágico cenário do fim do ano passado, protagonizaram mais uma série de gentilezas que mostraram que aquele sentimento não foi passageiro.

Agora, a Chapecoense foca no início do Campeonato Brasileiro. Depois de ser campeã catarinense no último fim de semana, o time volta as atenções para uma outra competição, já que estreia diante do Corinthians neste sábado, às 19 horas, no Itaquerão.

O JOGO

Até pelas homenagens dos últimos dias, era impossível esquecer do trágico acidente aéreo de novembro do ano passado, quando 71 pessoas morreram na queda do avião que levava a Chapecoense para a decisão da Sul-Americana com o Atlético Nacional. Vagner Mancini e os jogadores, no entanto, garantiam que o foco estaria dentro de campo.

Mas o fato é que a Chapecoense começou devagar. E antes mesmo que pudesse acordar, o Atlético Nacional foi preciso para acabar com a vantagem do adversário. Com apenas um minuto, Dayro Moreno recebeu de Macnelly Torres em uma rápida escapada pela direita, nas costas de Grolli, e bateu. A bola foi em cima de Artur Moraes, mas o goleiro caiu mal e viu ela passar sob ele.

Somente com o passar do tempo, os catarinenses foram se ambientando ao confronto e passaram a chegar na base dos contra-ataques. A ausência de meias, no entanto, prejudicava a equipe, que dependia de lançamentos e cruzamentos para levar perigo.

Como em diversas partidas neste início de temporada, a Chapecoense apresentou falhas defensivas infantis e foi punida por isso. Aos 30 minutos, Díaz cobrou lateral e encontrou Rodríguez sozinho na linha de fundo pela esquerda. O atacante tocou para Macnelly Torres, que deixou Ibargüen em ótimas condições na área. Ele ainda teve calma para cortar a marcação e bater firme, desta vez sem chances para Artur Moraes.

Como no primeiro tempo, o Atlético Nacional demorou segundos para levar perigo ao gol da Chapecoense na etapa final. Em lançamento longo, Dayro Moreno saiu de frente para Artur Moraes, que fechou bem o ângulo e bloqueou. Mas desta vez, a resposta foi imediata. João Pedro fez grande jogada antes de cruzar para Arthur Caike, que dominou e bateu no canto direito. O zagueiro Henríquez se jogou na bola e evitou o gol em cima da linha.

A equipe brasileira mudou completamente e chegava como queria até a intermediaria adversária. Mas aí, tomava as decisões erradas. Chutes precipitados de João Pedro e Apodi e passes mal dados de Wellington Paulista e Osman minavam os melhores momentos dos visitantes.

Só que depois de tanto errar no campo ofensivo, a Chapecoense minguou. E aí, o Atlético Nacional matou o jogo. Aos 22 minutos, Ibargüen fez o que quis com Apodi na lateral e cruzou. Arley Rodríguez ajeitou para o meio e Dayro Moreno completou de cabeça para a rede.

Aos 35, o mesmo Ibargüen entortou Grolli antes de bater e contar com a sorte. A bola pegou em seu próprio pé de apoio e encobriu Artur Moraes, que já havia caído. Mas seria injusto, por tudo que aconteceu, se a Chapecoense deixasse o gramado sem o gol de honra, e ele veio aos 38. Após confusão na área, Túlio de Melo finalizou e deu um alento ao time brasileiro.

FICHA TÉCNICA

ATLÉTICO NACIONAL 4 x 1 CHAPECOENSE

ATLÉTICO NACIONAL - Armani; Bocanegra, Nájera, Henríquez e Díaz; Aldo Ramírez (Elkin Blanco), Farid Diego Arias e Macnelly Torres; Dayro Moreno, Ibargüen e Arley Rodríguez. Técnico: Reinaldo Rueda.

CHAPECOENSE - Artur Moraes; João Pedro, Nathan, Dogulas Grolli e Reinaldo; Moisés Ribeiro, Andrei Girotto e Luiz Antonio (Apodi); Osman, Wellington Paulista e Arthur Caike (Túlio de Melo). Técnico: Vagner Mancini.

GOLS - Dayro Moreno, a um minuto, e Ibargüen, aos 30 minutos do primeiro tempo. Dayro Moreno, aos 22, Ibargüen, aos 35, e Túlio de Melo, aos 37 minutos do segundo tempo.

ÁRBITRO - Roberto Tobar (Fifa/Chile).

CARTÕES AMARELOS - Ibargüen (Atlético Nacional); Reinaldo, Moisés Ribeiro, Arthur Caike, Nathan (Chapecoense).

CARTÃO VERMELHO - Andrei Girotto (Chapecoense).

RENDA E PÚBLICO - Não disponível.

LOCAL - Estádio Atanásio Girardot, em Medellín (Colômbia).

Notícias relacionadas
Mais conteúdo sobre:
futebol Chapecoense Recopa

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.