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Copa 2014

'Nada será bem feito se a gente não ganhar o título', afirma Hernanes

Almir Leite - O Estado de S. Paulo

19 Maio 2014 | 07h 00

Meia da Inter de Milão disputa sua primeira Copa do Mundo

SÃO PAULO - Aos 28 anos, o meio-campista Hernanes considera estar na idade perfeita para disputar uma Copa do Mundo. E a sua primeira tem um componente especial: vai ser no Brasil, diante da torcida e da família. O jogador da Inter de Milão admite, nesta entrevista ao Estado, que, apesar de sempre confiar na convocação, teve um momento de insegurança quando ficou fora do amistoso de março contra a África do Sul, em Johannesburgo. Agora, tem dois objetivos claros: ser titular e conquistar o título.

ESTADÃO - Pessoal e profissionalmente, o que representa para você disputar uma Copa do Mundo?

HERNANES - É um projeto que tracei para minha vida e minha carreira. O primeiro objetivo era chegar à seleção brasileira e aí, consequentemente, jogar uma Copa. E quando foi decidido que seria no Brasil as minhas expectativas duplicaram. Pela minha idade, essa será a (Copa) mais importante. Estou com a idade perfeita, idade física e mental. Realmente está tudo legal. Eu queria muito poder participar e ajudar o Brasil de alguma maneira a tentar conquistar esse título, esse hexacampeonato.

ESTADÃO - E um sonho realizado...

HERNANES - É a realização de um sonho. Quando a gente deita, imagina tanta coisa boa... sonha com muitas coisas boas. Mas eu falo brincando que nem nos melhores sonhos você imaginava um momento como esse, tão especial. Jogar a Copa do Mundo no Brasil pela seleção brasileira realmente é um espetáculo para mim e para a minha família. É maravilhoso.

ESTADÃO - Você temeu ficar fora se o Felipão optasse por levar mais um jogador de ataque, por exemplo?

HERNANES - Eu estava confiante, mas não estava seguro. Ele (Felipão) sempre convocava um primeiro volante e um segundo volante. Luiz Gustavo e Paulinho, depois Lucas Leiva e eu, o Fernando e eu... Sempre foram duplas muito bem formadas que ele convocou. Então eu não temia ser preterido por um jogador de outro setor. O único momento de insegurança que eu tive foi quando fiquei de fora da convocação para o amistoso (de março, contra a África do Sul). Aí, eu pensei por um instante: ‘Pode ser que não’. Mas sempre tive muito confiante, sempre acreditei muito.

ESTADÃO - Você pode exercer várias funções do meio de campo. Acha que isso ajudou? Mas há outros versáteis. Isso pode tornar mais difícil conquistar vaga de titular?

HERNANES - Ele sempre me colocou muito como segundo volante e também, para mim, é a função que mais gosto. Às vezes me colocou um pouco mais na frente, com um primeiro volante e dois meias mais ofensivos. Pelo tanto que eu já fui testado por ele, vejo que posso brigar por uma vaga no time titular sem nenhum problema.

ESTADÃO - Como lidar com a pressão e uma empolgação maior com a torcida?

HERNANES -Acredito que nós temos de ser inteligentes. Vamos estar bem motivados. Jogando em casa, com a família e os torcedores presentes, isso já é por si só uma motivação. Então temos de ser inteligentes no sentido de quando as coisas começarem realmente a clarear, com o time sólido, ganhando algumas partidas, manter o ideal. O foco é o seguinte: Nada será bem feito na Copa se não ganharmos o título. Porque o que importa é o final. Então não podemos dar brecha, comemorar antes. Todos os passos que formos dando têm de ser com muita moderação. Temos de ser sérios para alcançar o nosso objetivo.

ESTADÃO - Qual a sua análise sobre os adversários da seleção?

HERNANES - São três times que não têm tradição em Copas do Mundo, de chegar em situação importante, não são seleções tradicionais. Mas me lembrou que em 1998 a Croácia, que tinha o Suker, surpreendeu e chegou lá na frente (3.ª colocada). Esse ano o time dos caras merece atenção especial. Tem um jogador que joga comigo aqui (na Inter de Milão, Kovacic) muito bom, tem o Modric do Real Madrid. Por sorte o Mandzukic não vai jogar contra nós. Na defesa o jogador do Shakhtar (Srna) é muito bom também. Eles têm jogadores de qualidade, temos de ter atenção total.

ESTADÃO - E as outras duas seleções?

HERNANES - Camarões, como todo africano, é time de muita força. A gente sabe que os caras não ligam muito para a parte tática. Eles se lançam ao ataque e são muito fortes na parte física. São partidas difíceis de jogar. O México é um time com jogadores rápidos, de qualidade. Não são times tradicionais, mas são seleções que, se a gente jogar com sono, podem complicar.

ESTADÃO - Quais os principais adversários na briga pelo título?

HERNANES - Essa Copa vai ser bem disputada. Todas as grandes seleções estarão no Brasil. Dos grandes jogadores, só o Ibrahimovic (Suécia) não vai estar. Eu acredito que a Alemanha é um time forte, a Espanha entra como uma das favoritas, a Argentina tem um ataque muito forte. A Itália sempre chega. Essas quatro seleções são aqueles que começam a Copa como favoritas para serem campeãs.

ESTADÃO - Você Tem preferência nas oitavas de final entre Chile, Holanda e Espanha?

HERNANES - Eu gosto de traçar meus objetivos e, depois, fazer o for necessário, mudar, adaptar, crescer, trabalhar, melhorar, para atingi-lo. Tudo faz parte do caminho. Objetivo vem em primeiro e depois você tem de encontrar uma maneira de superar as dificuldades que se colocam em cada momento. Assim seja qual for a (seleção) que vier teremos de ter a habilidade necessária para transpor o obstáculo.

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