Neymar…

Transferência do atacante para o PSG é assunto em todos os bistrôs parisienses

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

31 Julho 2017 | 17h23

“Ele vai assinar o contrato”. “Não”. “Já assinou”.  “Passou pelo médico no Qatar há alguns dias”. “O Barça está furioso. Vai tentar uma última manobra”.

Afinal quem é esse personagem aguardado com tanto entusiasmo pelo Paris Saint Germain, ou melhor, por Paris?

Neymar, simplesmente.

Pela manhã, em todos os bistrôs parisienses, enquanto mergulhamos o croissant no café escutamos as últimas notícias. Nada de Trump. Putin ou Macron.  Não se fala em Jihad e tampouco sobre o sol nas praias da França. A ordem do dia é Neymar. “Imagine!  222 milhões de euros. Algo nunca visto”. Ou então? “O contrato é de cinco anos. Sabe qual será o seu salário? 30 milhões de euros, livres de impostos. O jogador mais bem pago do mundo”.

O Paris Saint German (PSG) é o melhor clube de futebol da França, e o mais rico, graças ao Qatar. E este clube, há muito tempo mantém vínculos sólidos com o Brasil, a ponto de um incauto achar que Paris se tornou um simples anexo do Brasil, a menos que  o Brasil não seja, simplesmente, uma “colônia do PSG”. 

Esse amor louco entre um clube francês e um país foi confirmado visualmente há pouco tempo: O PSG decidiu, para sua temporada 2017-2018, adotar uma camiseta amarela para lembrar a cor da brasileira. Com três milhões de fãs nas redes sociais, o Brasil se tornou a primeira comunidade de fãs parisienses no mundo.

Essa paixão é antiga.  Há anos o clube de futebol parisiense é um viveiro repleto de brasileiros. Há 50 anos contei pelo menos 10, talvez 15 ou 20. Abel Braga foi contratado em 1979-1981 por dez anos. Depois chegaram sucessivamente Raí, Valdo, Ronaldinho, Ricardo Gomes, Leandro, Nenê, Alex e Maxwel. A última fornada não é menos brilhante: Thiago Silva, Lucas e Marquinhos.

E eis que aparecem dois outros, Daniel Alves que, no seu primeiro jogo com o PSG contribuiu para derrotar o A.S. Monaco, outro grande clube francês.  E Daniel Alves tem mais um mérito, aos olhos dos inúmeros fãs franceses. É um dos melhores amigos de Neymar. Eles conversam diariamente. Ontem ele disse ao Figaro: “Neymar tem de se decidir pela sua maturidade e sua ideia de continuar a progredir. Eu digo a ele: seja corajoso. O mundo pertence aos corajosos”.

O último obstáculo são as manobras do Barça para bloquear a transação. Mas a isso o Real Madri retruca, dando uma ajuda, ao PSG . Sergio Ramos afirmou que “se Neymar sair será um problema a menos para nós. Espero que seja a última vez que ele irá usar a camiseta do Barça”.

Tradução de Terezinha Martino

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