1. Usuário
Assine o Estadão
assine
  • Comentar
  • A+ A-
  • Imprimir
  • E-mail

'No banco, minhas chances de voltar à seleção seriam menores', diz Ramires

- Atualizado: 27 Fevereiro 2016 | 17h 12

Ainda em processo de adaptação, volante fala que não foi só o dinheiro que o levou a aceitar a proposta do Jiangsu Suning

Chegar a um time forte da Europa e conquistar títulos nacionais e continentais sendo importante na equipe é o sonho de qualquer jogador de futebol. No entanto, mudanças de comando podem fazer com que o atleta perca espaço na equipe e acabe se sentindo incomodado. Some-se isso a uma proposta milionária, e o cenário que indica uma mudança de ares fica evidente. Mesmo que a nova jornada aconteça do outro lado do mundo, com um grau de competição em nível inferior.

Essa junção de fatores foi a responsável por fazer Ramires trocar o Chelsea pelo Jiangsu Suning pelo valor de 28 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões), se tornando a terceira contratação mais cara do futebol chinês. De clube novo, o volante de 28 anos fala em entrevista exclusiva ao Estado que não foi só o dinheiro que o motivou a ir para o país. 

Para ele, uma temporada de destaque na Chinese Super League ao lado dos seus novos companheiros Alex Teixeira e Jô pode dar mais visibilidade do que a reserva na Inglaterra, e consequentemente, colocá-lo de volta no radar da seleção brasileira. 

Como está sendo a adaptação na China?

Tem vezes que ainda sinto um pouco de cansaço ainda, principalmente durante o dia. Estou evitando dormir à tarde para acelerar esse processo, mas aos poucos vou me adaptando. Eu tenho ficado mais em hotéis desde que cheguei na China e a maioria deles oferece uma variação muito grande de comidas, então não tenho encontrado nenhuma dificuldade nesse sentido. O clube também nos fornece um cardápio diário mais dentro do que estamos acostumados. A primeira pergunta que o pessoal sempre me faz sobre a China é se já comi cachorro, grilo, mas ainda não precisei fazer isso e espero não precisar (risos).  

Ramires custou R$ 122 milhões ao Jiangsu Suning

Ramires custou R$ 122 milhões ao Jiangsu Suning

Quais as diferenças da pré-temporada asiática com a europeia e a brasileira?

Acho que é bem parecido. O Jiangsu saiu da China e foi se preparar em Málaga, na Espanha. Faz muito frio aqui no começo do ano e eles acabam procurando lugares com a temperatura mais elevada nessa época. 

Apesar de tudo ser novidade ainda, você acha que o Jiangsu Suning tem uma equipe boa para disputar a ponta da Chinese Super League?

O clube se reforçou muito, mas ainda está nesse processo de se estruturar para ser uma potência. O presidente falou que espera que o Jiangsu seja o maior do país em aproximadamente quatro anos. Mas acho que temos condições de conseguir bons resultados em curto prazo. Gostei do que eu encontrei, dos jogadores locais que o nosso time conta. Contamos com três que atuam na seleção chinesa, um volante, um lateral e um zagueiro. Com o (Alex) Teixeira e com o Jô, temos um time forte. Espero que a gente consiga fazer um bom trabalho. 

Ter um treinador europeu (o romeno Dan Petrescu) ajuda na adaptação?

Para mim está sendo bom ter o Petrescu aqui. A gente conversa bastante. Tenho brincado até dizendo que eu falo mais inglês aqui do que falava na Inglaterra, justamente por estar trocando muitas ideias com ele. É um cara que entende de futebol e que é muito capacitado para tocar esse projeto. Vamos ajudar no que for possível.  

Como você avalia as suas chances de voltarem para a seleção brasileira? Acha que com nomes como você, Gil, Alex Teixeira e outros, o Dunga será obrigado a acompanhar o futebol asiático?

Se eu ficasse no banco do Chelsea, acho que minhas chances de voltar para a seleção brasileira seriam menores do que as que tenho hoje. Eu acredito que se jogarmos bem vamos conseguir chamar atenção para o nosso trabalho aqui. As contratações colocaram a China no radar do futebol brasileiro e mundial e isso pode ajudar de alguma forma. 

Há alguma coisa além do dinheiro que faz um jogador trocar um clube mundial de ponta pela China?

Lógico que o dinheiro foi um fator importante, mas posso te garantir que não vim só por isso. A minha situação no Chelsea não estava muito boa. Depois que o Mourinho saiu eu acabei, não entendi muito bem os motivos disso, me tornando a quarta opção para minha posição. Bem ou mal, isso tira de você um pouco do prazer e justamente naquele momento surgiu essa oportunidade de vir para a China. Isso me motivou, além do fato de eu estar sendo contratado para ser uma peça fundamental dentro de um novo projeto. Poderia muito bem ter ficado no Chelsea, acomodado com a situação que eu estava vivendo, mas eu precisava desse gás, do desejo de superar um novo desafio. Tive uma história maravilhosa no Chelsea, o clube fará parte da minha eternamente, mas achei que era a hora de encerrar aquele ciclo e seguir em frente. 

Veja quais brasileiros custaram mais dinheiro aos times da China
Reprodução/Instagram
13º - Aloísio

Do São Paulo ao Shandong Luneng em 2014 por 5 milhões de euros

Você acha que as contratações de renome feitas pelos chineses é um benefício para o futebol brasileiro e mundial?

Para o futebol brasileiro em si acaba sendo um pouco complicado porque você perde alguns jogadores importantes, como aconteceu no caso do Corinthians, mas vejo pelo lado positivo de que é uma nova porta que se abre. Surgiu na China o desejo de se estruturar, de investir forte no esporte, e tudo que está acontecendo agora é parte natural desse processo.

Comentários

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Estadão.
É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Estadão poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os criterios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Você pode digitar 600 caracteres.

Mais em EsportesX