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'No banco, minhas chances de voltar à seleção seriam menores', diz Ramires

Ainda em processo de adaptação, volante fala que não foi só o dinheiro que o levou a aceitar a proposta do Jiangsu Suning

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Raphael Ramos e Vanderson Pimentel,
O Estado de S. Paulo

27 Fevereiro 2016 | 17h00

Chegar a um time forte da Europa e conquistar títulos nacionais e continentais sendo importante na equipe é o sonho de qualquer jogador de futebol. No entanto, mudanças de comando podem fazer com que o atleta perca espaço na equipe e acabe se sentindo incomodado. Some-se isso a uma proposta milionária, e o cenário que indica uma mudança de ares fica evidente. Mesmo que a nova jornada aconteça do outro lado do mundo, com um grau de competição em nível inferior.

Essa junção de fatores foi a responsável por fazer Ramires trocar o Chelsea pelo Jiangsu Suning pelo valor de 28 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões), se tornando a terceira contratação mais cara do futebol chinês. De clube novo, o volante de 28 anos fala em entrevista exclusiva ao Estado que não foi só o dinheiro que o motivou a ir para o país. 

Para ele, uma temporada de destaque na Chinese Super League ao lado dos seus novos companheiros Alex Teixeira e Jô pode dar mais visibilidade do que a reserva na Inglaterra, e consequentemente, colocá-lo de volta no radar da seleção brasileira. 

Como está sendo a adaptação na China?

Tem vezes que ainda sinto um pouco de cansaço ainda, principalmente durante o dia. Estou evitando dormir à tarde para acelerar esse processo, mas aos poucos vou me adaptando. Eu tenho ficado mais em hotéis desde que cheguei na China e a maioria deles oferece uma variação muito grande de comidas, então não tenho encontrado nenhuma dificuldade nesse sentido. O clube também nos fornece um cardápio diário mais dentro do que estamos acostumados. A primeira pergunta que o pessoal sempre me faz sobre a China é se já comi cachorro, grilo, mas ainda não precisei fazer isso e espero não precisar (risos).  

Quais as diferenças da pré-temporada asiática com a europeia e a brasileira?

Acho que é bem parecido. O Jiangsu saiu da China e foi se preparar em Málaga, na Espanha. Faz muito frio aqui no começo do ano e eles acabam procurando lugares com a temperatura mais elevada nessa época. 

Apesar de tudo ser novidade ainda, você acha que o Jiangsu Suning tem uma equipe boa para disputar a ponta da Chinese Super League?

O clube se reforçou muito, mas ainda está nesse processo de se estruturar para ser uma potência. O presidente falou que espera que o Jiangsu seja o maior do país em aproximadamente quatro anos. Mas acho que temos condições de conseguir bons resultados em curto prazo. Gostei do que eu encontrei, dos jogadores locais que o nosso time conta. Contamos com três que atuam na seleção chinesa, um volante, um lateral e um zagueiro. Com o (Alex) Teixeira e com o Jô, temos um time forte. Espero que a gente consiga fazer um bom trabalho. 

Ter um treinador europeu (o romeno Dan Petrescu) ajuda na adaptação?

Para mim está sendo bom ter o Petrescu aqui. A gente conversa bastante. Tenho brincado até dizendo que eu falo mais inglês aqui do que falava na Inglaterra, justamente por estar trocando muitas ideias com ele. É um cara que entende de futebol e que é muito capacitado para tocar esse projeto. Vamos ajudar no que for possível.  

Como você avalia as suas chances de voltarem para a seleção brasileira? Acha que com nomes como você, Gil, Alex Teixeira e outros, o Dunga será obrigado a acompanhar o futebol asiático?

Se eu ficasse no banco do Chelsea, acho que minhas chances de voltar para a seleção brasileira seriam menores do que as que tenho hoje. Eu acredito que se jogarmos bem vamos conseguir chamar atenção para o nosso trabalho aqui. As contratações colocaram a China no radar do futebol brasileiro e mundial e isso pode ajudar de alguma forma. 

Há alguma coisa além do dinheiro que faz um jogador trocar um clube mundial de ponta pela China?

Lógico que o dinheiro foi um fator importante, mas posso te garantir que não vim só por isso. A minha situação no Chelsea não estava muito boa. Depois que o Mourinho saiu eu acabei, não entendi muito bem os motivos disso, me tornando a quarta opção para minha posição. Bem ou mal, isso tira de você um pouco do prazer e justamente naquele momento surgiu essa oportunidade de vir para a China. Isso me motivou, além do fato de eu estar sendo contratado para ser uma peça fundamental dentro de um novo projeto. Poderia muito bem ter ficado no Chelsea, acomodado com a situação que eu estava vivendo, mas eu precisava desse gás, do desejo de superar um novo desafio. Tive uma história maravilhosa no Chelsea, o clube fará parte da minha eternamente, mas achei que era a hora de encerrar aquele ciclo e seguir em frente. 

Você acha que as contratações de renome feitas pelos chineses é um benefício para o futebol brasileiro e mundial?

Para o futebol brasileiro em si acaba sendo um pouco complicado porque você perde alguns jogadores importantes, como aconteceu no caso do Corinthians, mas vejo pelo lado positivo de que é uma nova porta que se abre. Surgiu na China o desejo de se estruturar, de investir forte no esporte, e tudo que está acontecendo agora é parte natural desse processo.

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