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Novos talentos tentam driblar inchaço da Copa São Paulo de Juniores

- Atualizado: 01 Janeiro 2016 | 19h 39

Presença de 112 clubes compromete nível e altera o regulamento

Criada em 1969 com apenas quatro clubes, a Copa São Paulo de Juniores inicia neste sábado a edição mais inchada de sua história. São 112 clubes divididos em 28 grupos. O início da maratona coloca o Corinthians, atual campeão, diante do Bragantino, às 19h30. Para comentaristas e dirigentes, o aumento do número de participantes, ano após ano, compromete o nível técnico e evidencia a ação de empresários e prefeituras que montam equipes apenas para lucrar com a exposição e venda de atletas.

Neste ano, o inchaço criou até distorções no regulamento. A quinta fase do torneio, por exemplo, será disputada por sete times que se classificaram depois da fase de grupos e de eliminatórias simples. O oitavo classificado dessa fase será um perdedor da fase anterior, mas que apresente a melhor campanha no geral. Ou seja, um time que tenha perdido seu jogo no mata-mata também pode se classificar à próxima fase.

Campeão em 2015, Corinthians estreia na Copinha neste sábado

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O inchaço da Copinha tem sido constante nos últimos anos. A primeira edição, criada para celebrar o aniversário da cidade, objetivo que se mantém até hoje com a final marcada para o dia 25 de janeiro, teve apenas Corinthians, Palmeiras, Nacional e Juventus. Em 1980, onze anos após sua criação, o formato tinha 16 clubes, que representavam as principais forças do futebol profissional. Em 1990, já eram 36 times; no ano 2000, 64 clubes; em 2010, já eram 92. 

Para Ronaldo Lima, gerente das categorias de base do Santos, esse aumento reflete a importância do torneio. "A competição ganhou uma dimensão nacional e atrai até clubes do exterior", argumenta. Para o comentarista Neto, o nível técnico cai com tantos times. "Os jogos da primeira fase são muito ruins. Os times não têm a mesma qualidade. Só dá para assistir os jogos finais".

A escolha dos participantes do torneio é feita pela Federação Paulista. Um dos critérios é claramente geográfico já que todos os estados têm pelo menos um representante. Em outras palavras: as federações pressionam para mostrar a cara no torneio nacional. "Uma eventual diferença técnica acaba sendo resolvida dentro dos próprios grupos, ainda na primeira fase", diz Lima.

Na outra ponta, estão os interesses dos clubes, que precisam revelar jogadores para consumo próprio ou para fazer dinheiro. Vale lembrar que Kaká, Lucas e Neymar são alguns craques que surgiram no torneio.

O caso mais emblemático da ação dos empresários no aumento do número de clubes na Copinha talvez seja o do Roma, campeão de 2001 em cima do São Paulo. Bancado por uma empresa de construção civil por meio de uma parceria com a Prefeitura de Barueri, a equipe simplesmente desapareceu do torneio seguinte por causa do fim da parceria. A maioria dos jogadores foi vendida.

CORINTHIANS E SANTOS

Para a estreia diante do Bragantino, em Limeira, o Corinthians traz campeões de 2015 que chegaram a treinar com o técnico Tite, como os meias Matheus Pereira e Matheus Vargas e os atacantes Tocantins e Gabriel Vasconcelos. Volante habilidoso, rápido e inteligente, Matheus Pereira distribui o jogo no meio-campo, sempre com qualidade e eficiência. Nascido em 1996, disputa sua última Copinha. A equipe tem duas grandes apostas: o atacante Léo Jabá e o meia Fabrício Oya.

"É uma equipe veloz, que tem mobilidade e sabe pressionar o adversário", define o técnico Osmar Loss. O Santos estreia na Fonte Luminosa, em Araraquara, diante do Confiança (SE), às 11 horas. O objetivo principal do time em busca do tetra é evitar uma decepção como a do ano passado. Bicampeão consecutivo em 2013 e 2014, o time foi eliminado ainda na primeira fase.

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