Assine o Estadão
assine
0

Raphael Ramos e Vanderson Pimentel

27 Fevereiro 2016 | 17h00

O campeonato nacional com maior investimento em 2016 começa nesta sexta-feira. Não é o Espanhol. Nem o Inglês, nem o Italiano. É o Campeonato Chinês que, pela quantidade de jogadores brasileiros inscritos, já está sendo chamado de ‘Chinezão’. No jogo de abertura, o Guangzhou R&F enfrenta o China Fortune.

Só com a contratação de jogadores, os clubes chineses investiram mais de 300 milhões de euros (quase R$ 1,5 bilhão). Em segundo lugar do ranking está a Inglaterra, onde os clubes gastaram na janela de inverno 235 milhões de euros (R$ 1 bilhão).

Quase a metade de todo o dinheiro que os chineses investiram para comprar jogadores foi com brasileiros. Puxam a lista Alex Teixeira, Ramires, Elkeson e o ex-corintiano Gil.

Apesar de no ano passado ter evitado a convocação de atletas de clubes asiáticos, a recente debandada de jogadores do País para China deve obrigar o técnico Dunga a olhar com mais atenção para o outro lado do mundo. Na quinta-feira, o treinador vai convocar a seleção brasileira para os jogos contra Uruguai e Paraguai pelas Eliminatórias da Copa e há possibilidades de jogadores que atuam na China estarem na lista.

Um dos mais cotados é o zagueiro Gil. Ele foi titular no último jogo do Brasil em 2015 (vitória sobre o Peru por 3 a 0), quando defendia o Corinthians.

“Ser convocado é fruto do trabalho, independentemente do local. Tenho me dedicado aqui do mesmo jeito que sempre me dediquei no Corinthians. Procuro fazer complementos físico e técnico e hoje o futebol pode ser visto em qualquer lugar”, disse ao Estado o zagueiro Gil, comprado por 10 milhões de euros pelo Shandong Luneng.

Quem também espera por uma chance na seleção é Ricardo Goulart. Desde que foi contratado pelo Guangzhou Evergrande, no ano passado, não voltou a ser lembrado por Dunga. Eleito melhor jogador da Liga dos Campeões da Ásia e do Campeonato Chinês, renovou contrato até 2020.

“O futebol da Ásia vai demorar quatro anos para estar em um nível muito alto, mas está começando agora. O campeonato vai ficar mais difícil porque vários clubes contrataram grandes jogadores”, disse.

Ricardo Goulart tem razão. A meta dos outros 15 times que disputam o Campeonato Chinês é derrubar a hegemonia do Guangzhou Evergrande. O time treinado por Felipão venceu cinco títulos seguidos (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015).

O ex-botafoguense Elkeson jogou no Guangzhou Evergrande entre 2013 e 2015. Em janeiro, foi comprado pelo Shanghai Dongya SIPG por 18,5 milhões de euros. Durante seis dias, a sua transferência foi a mais cara da história do futebol chinês até o Jiangsu Suning pagar 28 milhões de euros por Ramires. O recorde ainda seria batido por Jackson Martinez e depois Alex Teixeira, que custou 50 milhões de euros.

“Conquistei tudo pelo Guangzhou e queria sentir o gostinho de construir uma bonita história por um novo clube. O Shanghai tem como objetivo tirar a hegemonia do Guangzhou e esse desafio despertou o meu interesse”, revela Elkeson.

São 16 times disputando o título no sistema de pontos corridos. Os três primeiros colocados vão à Liga dos Campeões e os dois últimos são rebaixados. Ainda não há acordo com TVs brasileiras para transmissão.

Mais conteúdo sobre:

publicidade

0

Raphael Ramos e Vanderson Pimentel

27 Fevereiro 2016 | 17h00

Chegar a um time forte da Europa e conquistar títulos nacionais e continentais sendo importante na equipe é o sonho de qualquer jogador de futebol. No entanto, mudanças de comando podem fazer com que o atleta perca espaço na equipe e acabe se sentindo incomodado. Some-se isso a uma proposta milionária, e o cenário que indica uma mudança de ares fica evidente. Mesmo que a nova jornada aconteça do outro lado do mundo, com um grau de competição em nível inferior.

Essa junção de fatores foi a responsável por fazer Ramires trocar o Chelsea pelo Jiangsu Suning pelo valor de 28 milhões de euros (cerca de R$ 122 milhões), se tornando a terceira contratação mais cara do futebol chinês. De clube novo, o volante de 28 anos fala em entrevista exclusiva ao Estado que não foi só o dinheiro que o motivou a ir para o país. 

Para ele, uma temporada de destaque na Chinese Super League ao lado dos seus novos companheiros Alex Teixeira e Jô pode dar mais visibilidade do que a reserva na Inglaterra, e consequentemente, colocá-lo de volta no radar da seleção brasileira. 

Como está sendo a adaptação na China?

Tem vezes que ainda sinto um pouco de cansaço ainda, principalmente durante o dia. Estou evitando dormir à tarde para acelerar esse processo, mas aos poucos vou me adaptando. Eu tenho ficado mais em hotéis desde que cheguei na China e a maioria deles oferece uma variação muito grande de comidas, então não tenho encontrado nenhuma dificuldade nesse sentido. O clube também nos fornece um cardápio diário mais dentro do que estamos acostumados. A primeira pergunta que o pessoal sempre me faz sobre a China é se já comi cachorro, grilo, mas ainda não precisei fazer isso e espero não precisar (risos).  

Quais as diferenças da pré-temporada asiática com a europeia e a brasileira?

Acho que é bem parecido. O Jiangsu saiu da China e foi se preparar em Málaga, na Espanha. Faz muito frio aqui no começo do ano e eles acabam procurando lugares com a temperatura mais elevada nessa época. 

Apesar de tudo ser novidade ainda, você acha que o Jiangsu Suning tem uma equipe boa para disputar a ponta da Chinese Super League?

O clube se reforçou muito, mas ainda está nesse processo de se estruturar para ser uma potência. O presidente falou que espera que o Jiangsu seja o maior do país em aproximadamente quatro anos. Mas acho que temos condições de conseguir bons resultados em curto prazo. Gostei do que eu encontrei, dos jogadores locais que o nosso time conta. Contamos com três que atuam na seleção chinesa, um volante, um lateral e um zagueiro. Com o (Alex) Teixeira e com o Jô, temos um time forte. Espero que a gente consiga fazer um bom trabalho. 

Ter um treinador europeu (o romeno Dan Petrescu) ajuda na adaptação?

Para mim está sendo bom ter o Petrescu aqui. A gente conversa bastante. Tenho brincado até dizendo que eu falo mais inglês aqui do que falava na Inglaterra, justamente por estar trocando muitas ideias com ele. É um cara que entende de futebol e que é muito capacitado para tocar esse projeto. Vamos ajudar no que for possível.  

Como você avalia as suas chances de voltarem para a seleção brasileira? Acha que com nomes como você, Gil, Alex Teixeira e outros, o Dunga será obrigado a acompanhar o futebol asiático?

Se eu ficasse no banco do Chelsea, acho que minhas chances de voltar para a seleção brasileira seriam menores do que as que tenho hoje. Eu acredito que se jogarmos bem vamos conseguir chamar atenção para o nosso trabalho aqui. As contratações colocaram a China no radar do futebol brasileiro e mundial e isso pode ajudar de alguma forma. 

Há alguma coisa além do dinheiro que faz um jogador trocar um clube mundial de ponta pela China?

Lógico que o dinheiro foi um fator importante, mas posso te garantir que não vim só por isso. A minha situação no Chelsea não estava muito boa. Depois que o Mourinho saiu eu acabei, não entendi muito bem os motivos disso, me tornando a quarta opção para minha posição. Bem ou mal, isso tira de você um pouco do prazer e justamente naquele momento surgiu essa oportunidade de vir para a China. Isso me motivou, além do fato de eu estar sendo contratado para ser uma peça fundamental dentro de um novo projeto. Poderia muito bem ter ficado no Chelsea, acomodado com a situação que eu estava vivendo, mas eu precisava desse gás, do desejo de superar um novo desafio. Tive uma história maravilhosa no Chelsea, o clube fará parte da minha eternamente, mas achei que era a hora de encerrar aquele ciclo e seguir em frente. 

Você acha que as contratações de renome feitas pelos chineses é um benefício para o futebol brasileiro e mundial?

Para o futebol brasileiro em si acaba sendo um pouco complicado porque você perde alguns jogadores importantes, como aconteceu no caso do Corinthians, mas vejo pelo lado positivo de que é uma nova porta que se abre. Surgiu na China o desejo de se estruturar, de investir forte no esporte, e tudo que está acontecendo agora é parte natural desse processo.

publicidade

0

Vanderson Pimentel

27 Fevereiro 2016 | 17h00
Atualizado 29 Fevereiro 2016 | 10h32

Uma transferência de Ricardo Goulart para o exterior era aguardada em 2015 após o meia ser eleito pela segunda vez um dos melhores jogadores do Brasileirão pelo bicampeonato de 2013 e 2014 do Cruzeiro. No entanto, poucos esperavam que o jogador, então com 22 anos e convocado para a seleção brasileira, trocasse os grandes torneios europeus pela China. 

Com uma mala carregada de arroz e feijão e o bolso cheio de yuans (moeda local) após ser vendido por aproximadamente por R$ 48 milhões o atleta não teve dificuldades em se adaptar e conquistou a torcida do Guangzhou Evergrande com gols e assistências que o renderam os prêmios de melhor jogador da Liga dos Campeões da Ásia e do Campeonato Chinês de 2015, juntamente com as taças ganhas pela equipe nas duas competições.

E é com essa bagagem de sucesso na Ásia que ele buscará novamente a glória e a seleção no Campeonato Chinês deste ano, ao lado dos também brasileiros Paulinho, Alan, e do técnico Luiz Felipe Scolari. Ao Estado, o jogador conta que apesar de ter renovado recentemente com o time até 2020, ainda sonha em ir para a Europa e que os recém-chegados devem "cair na real" e ter a consciência de que futebol no país ainda está em processo de evolução.

Como foi sua chegada na China em 2015?

A diretoria do Guangzhou Evergrande veio atrás de mim com uma boa proposta. Pensei bem nela e após avaliar a situação com o meu empresário, achamos que era o momento certo tanto para mim quanto para o Cruzeiro. Cheguei jogando bem, comecei a fazer gols,e as coisas foram fluindo. Minha esposa está bem adaptada também. De vez quando trazemos nossa familia para ficar aqui com a gente, porque não é fácil ficar longe deles. Os costumes dos chineses são totalmente diferentes dos nossos. Na comida foi um pouco complicado no começo, mas depois eu trouxe arroz e feijão e não senti tanta dificuldade nessa parte alimentar.

O que o motivou a ir para a China num momento em que você vivia uma grande fase no futebol brasileiro?

O projeto que eles me apresentaram. Tanto que depois vieram outros grandes jogadores como o Paulinho e o Robinho, e recentemente o pessoal do Corinthans, o Alex Teixeira, e outros jogadores da seleção, e isso não é a toa. O objetivo deles é ter um futebol de alto nível, mas tudo tem um começo. Estamos aqui felizes e participando desse crescimento do futebol aqui.

Há muitas diferenças entre o trabalho do Fabio Cannavaro, que foi o seu primeiro técnico aí, com o do Felipão?

Aqui foi o primeiro clube do Cannavaro como treinador. O Felipão tem uma bagagem como técnico, rodou o mundo inteiro e nós brasileiros estamos gostando bastante. Até mesmo no dia a dia, todos ficamos sempre juntos, e é melhor para compreender o que ele pede para fazermos no campo.

Os atletas chineses vêm evoluindo tecnicamente?

A técnica aqui já melhorou bastante, mas o vigor físico não prevalece só aqui. No mundo inteiro, se o cara não se sobressai na técnica, tem que se destacar fisicamente. Mesmo no Brasil há treinadores que preferem o cara que corre bastante do que o jogador técnico. Aqui o pessoal corre bastante e a técnica está evoluindo.

O que o motivou a renovar recentemente com o Guangzhou até 2020?

Estou me sentindo bem aqui, tenho grandes amigos e isso também me motivou. Eu já falei em outras entrevistas que o futebol da Ásia vai demorar quatro anos para estar em um nível muito alto, porque o processo está começando agora. Mas minha escolha foi certeira. Agora é só manter o nível porque o campeonato vai ficar muito mais difícil, já que vários clubes contrataram grandes jogadores. Isso gera mais disputa e faz com que a visibilidade do torneio também cresça.

Você acredita que o Dunga já acompanhava o Campeonato Chinês?

Creio que ele está acompanhando, e agora vai acompanhar mais ainda. Pegar informação dos clubes, de nós que estamos aqui, vai ligar para o Felipão por exemplo para saber como estamos. Aqui a gente também trabalha forte, para estarmos preparados assim que tivermos uma oportunidade.

Você foi eleito o melhor jogador do Campeonato Chinês e da Liga dos Campeões da Ásia. Qual a sua expectativa individual para esta temporada?

Ano passado foi muito bacana em prêmios individuais, mas ficou para trás. A cobrança agora aumenta com os novos jogadores, então depende do meu esforço e do trabalho do dia a dia. A competição aqui exige também que você esteja preparado. E eu tenho essa cobrança comigo mesmo para ser melhor do que no ano passado.

Você ainda sonha em ir para a Europa?

Sonho sim. Não sai da minha mente isso, mas temos que estar em alto nível. Se a oportunidade aparecer, temos que estar preparados física, técnica e psicologicamente. Se for bom para mim e para o clube, a gente pode se acertar.

Aceitaria uma diminuição salarial para jogar em um centro maior?

Sim, aceitaria. Isso depende do meu momento, do momento em que o clube europeu está passando. Temos que avaliar certinho, mas se as condições forem boas, eu abro mão sim, porque sonho com isso. Tenho idade para jogar lá e trabalhar.

Qual conselho você daria para os jogadores recém-chegados ao futebol chinês?

Tem que focar aqui. Cair na real de que está na China e não ficar 'lá era isso, lá era aquilo'.Aqui tem que se destacar e com trabalho as coisas vão encaixando. Com a família por perto as coisas também ficam a favor, porque você se sente leve.

publicidade

0

Raphael Ramos

27 Fevereiro 2016 | 17h00

O zagueiro Gil foi comprado do Corintians por 10 milhões de euros pelo Shandong Luneng. Mesmo na China, o jogador está cotado para ser convocado pelo técnico Dunga para defender a seleção brasileira  para os jogos contra Uruguai e Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo. Ele foi titular no último jogo do Brasil em 2015 (vitória sobre o Peru por 3 a 0), quando defendia o Corinthians.

A sua família também está morando com você na China? Como está a adaptação dos seus famílias ao País?

Eles ainda não vieram. Estão organizando as coisas no Brasil para, em breve, poder vir para cá comigo. Teria também muitas viagens aqui neste início, por conta da Liga da Ásia, então acabei ficando pouco fora da nossa cidade.

Quais foram as suas primeiras impressões da China?

Ainda não deu para conhecer muito, até por causa das viagens. Mas por enquanto tudo tranquilo. Os brasileiros do time me receberam muito bem, saímos para jantar, e parece um lugar agradável. Os chineses do time e toda diretoria também me trataram muito bem e foram muito atenciosos. Aos poucos vamos conhecendo melhor.

A China pretende se transformar em uma potência no futebol. É possível?

Acho que estão caminhando para isso. Trazendo jogadores de peso, vão melhorar ainda mais o nível do futebol daqui, que já é bom. Pelo que vi aqui até agora, o nível é bom e o campeonato disputado. Existe um planejamento, muito investimento, e a China já mostrou em outras modalidades que é uma potência esportiva.

Que tipo de contribuição os brasileiros podem dar para o desenvolvimento do futebol chinês?

Todo jogador de qualidade que vier para China poderá ajudar nesse desenvolvimento, principalmente por elevar o nível de competição do país. Acho que esse é o principal ponto. Eles são dedicados, muitos têm qualidade, e com o tempo a evolução será natural. Hoje já existe um bom nível entre os principais clubes.

A China tem chamado a atenção pelos gastos com o futebol. Alguma situação relacionada a isso, como instalações luxuosas ou estruturas milionárias, já lhe chamou a atenção?

É um país com estrutura muito boa, tudo é bem organizado e as coisas funcionam. Existe uma grande organização para as coisas serem como devem ser. Conheci pouco na prática ainda, mas aos poucos vamos sabendo melhor sobre a cultura e costumes deles.

Você teme não ser mais convocado para a seleção brasileira?

Não. Acho que ser convocado é fruto do trabalho feito, independentemente do local. Tenho me dedicado aqui do mesmo jeito que sempre me dediquei no Corinthians. Procuro fazer complementos físico e técnico, temos uma comissão técnica muito boa, e isso ajuda. Hoje, o futebol pode ser visto em qualquer lugar do mundo também, então ajuda para que todos possam ser observados. Além disso, estou em um clube de ponta aqui da China, que disputa títulos e joga a Liga dos Campeões da Ásia, principal competição para eles.

Qual é a sua expectativa para o Campeonato Chinês?

A expectativa é boa. Temos um bom time, chegaram alguns reforços, e creio que temos tudo para brigar pelo título. Sabemos das dificuldades, mas estamos preparados e já mostramos isso nos primeiros jogos da temporada. É o início de um novo trabalho, mas que tem tudo para dar certo.

O Guangzhou Evergrande venceu cinco títulos seguidos (2011, 2012, 2013, 2014 e 2015). O objetivo do Shandong Luneng é acabar com esse hegemonia?

Não pensamos em acabar com a hegemonia deles, mas sim em conquistar esse título. Temos condições de brigar de igual para igual em todas as competição que estamos na disputa.

Mais conteúdo sobre:

publicidade

0

Vanderson Pimentel

27 Fevereiro 2016 | 17h00

Como foi a chegada à China? A adaptação a comida, costumes, treinos? Foi dificil ou fácil a adaptação para a família também?

Na verdade, quando eu cheguei na China, minha primeira cidade foi Guangzhou. Lá é a terceira maior cidade do país e eu tinha muitas opções de restaurante, com comidas de outras nacionalidades, e, por isso, não tive nenhum problema com a alimentação. Outro fator que me ajudou muito foi ter somente trabalhado com comissão técnica italiana e brasileira. Isso ajudou muito nas refeições que fazíamos nas viagens e nas concentrações. Estou morando sozinho aqui na China e pelo menos duas vezes por ano minha família vem para cá ficar um tempo comigo. Como o calendário aqui na China é bem tranqüilo em relação à sequência de jogos, consigo ir para o Brasil no meio do ano e aproveito para passar uns dias com amigos e familiares. Minha adaptação aqui foi muito boa. Quando cheguei no Guangzhou tinha o Muriqui e o Conca, que me ajudaram muito nesse processo. 

Você foi um dos primeiros jogadores brasileiros a seguir para a China. O que o motivou na época?

É claro que a questão financeira foi o principal ponto quando decidi aceitar a proposta, mas outros fatores me levaram a tomar aquela decisão na época. A primeira é que quem foi no Brasil pedir a minha contratação foi o Marcelo Lippi. Quando um treinador campeão do mundo pela Itália presta atenção no seu futebol e fala para você que gostaria de contar com o seu futebol, se torna um chamado irrecusável. Quando eu cheguei noGuanzghou, a equipe ainda não tinha sido campeã da Liga dos Campeões da Ásia. E me mostraram um projeto de que gostariam de conquistar esse título já no ano seguinte. Graças a Deus, foi o que aconteceu. Conquistamos o torneio intercontinental em 2013 e repetimos o sucesso no ano passado. O presidente do clube tem uma visão grandiosa para o clube e aquilo foi determinante para escolher a China como destino.

Você virou uma espécie de conselheiro dos jogadores que receberam propostas?

O Paulinho, antes de acertar com o Guangzhou, me ligou algumas vezes para saber como era o país, a cidade, a cultura, os chineses. Ele queria saber dos prós e dos contras de jogar na China e passei um cenário completo de como as coisas funcionam por aqui. Acredito que ele não tenha se arrependido de ter vindo para cá. O Guangzhou e o Shanghai, clubes que atuei aqui na China e vi de perto a estrutura, são clubes que não ficam devendo nada para equipes da Europa. Os clubes daqui estão investindo cada vez mais. Quem chega aqui recebe todo um tratamento adequado para praticar o futebol.

Após se recuperar de lesões, você acabou voltando com a confiança do Felipão. Apesar de terem passado pouco tempo juntos, ele teve alguma importância nesse seu retorno aos gramados?

O Felipão é um cara que conhece muito de futebol, e trabalhar com ele foi um aprendizado. Agradeço muito a ele por ter me inscrito na fase final da Liga dos Campeões, o que me permitiu ganhar ritmo de jogo e conseguir marcar o gol que deu o bicampeonato ao Guangzhou. Para mim, a competição mais importante da Ásia. Minha passagem aqui na China tem sido de muito aprendizado. Os treinadores (Marcelo Lippi, Canavarro, Felipão e agora Sven-Goran Eriksson) com os quais trabalhei me ajudaram muito a desenvolver meu futebol nesses últimos anos.

O que o motivou para se mudar para o Shanghai SIPG foi o dinheiro ou a ambição de participar de um novo projeto?

Acredito que, dessa vez, foi a ambição de iniciar um novo projeto. Conquistei tudo pelo Guangzhou e queria sentir o gostinho de construir uma bonita história por um novo clube. O Shanghai SIPG tem como objetivo tirar a hegemonia do Guangzhou no país e esse desafio despertou meu interesse. Nesse ano, o clube está disputando pela primeira vez a Liga dos Campeões, e os jogadores que estão aqui podem entrar para a história como os primeiros a conquistar esse título. Espero construir aqui uma história vencedora, assim como fiz no Guangzhou.

De onde vem todo esse investimento do futebol chinês?

O presidente da China é um fanático por futebol e,há alguns anos, colocou como meta desenvolver o esporte no país e tornar a seleção nacional uma das maiores equipes do mundo. O futebol chinês está se desenvolvendo graças ao fanatismo do presidente, que decidiu dar subsídios aos grandes empresários do país que quisessem investir nos clubes. Com isso, essa onda de investimentos se tornou possível, principalmente na última janela de transferências.

Você acha que após a chegada de vários jogadores da seleção, o Dunga terá de obrigatoriamente olhar para o futebol chinês?

Acredito que sim. Não só o Dunga, mas os treinadores do mundo todo estarão de olho no futebol chinês. Nessa última janela de transferências não foram só jogadores brasileiros, mas jogadores de outros países da América do Sul desembarcaram aqui como grandes contratações. A Liga vai se fortalecer e atrair cada vez mais a atenção do mundo de uma forma geral.

Você possui médias excelentes de gols aí. Vive a expectativa de ser o centroavante do Brasil?

Todo jogador sonha com seleção brasileira e comigo não é diferente. Espero continuar sendo importante para minha equipe marcando gols e conquistando títulos para chamar a atenção do professor Dunga.

Você ainda sonha com o futebol europeu ou não pensa em sair tão cedo? 

Ainda penso, sim. Dois clubes do futebol italiano já tentaram minha contratação, mas os valores oferecidos por eles não atendiam aos interesses do Guangzhou na época. Nesse momento, estou em um novo clube aqui na China e quero justificar dentro de campo o esforço que eles fizeram para ter meu futebol. 

Aceitaria uma diminuição no salário para jogar em um clube de centro futebolístico maior?

Complicado falar se aceitaria ou não, porque essa possibilidade não aconteceu para mim. Tudo tem que ser pensado e conversado junto com meu empresário e familiares. 

Para encerrar, como um dos brasileiros mais experientes na China, o que você aconselha aos recém-chegados ao país?

Aconselho a eles a virem de coração e mente abertos para compreender e entender o futebol e a cultura chinesa. O esporte ainda está em desenvolvimento no país, mas numa crescente bem forte. Os atletas que chegarem aqui e botarem na cabeça que podem brilhar e se destacar na China vão construir uma história de sucesso no país. 

Mais conteúdo sobre:

publicidade

Comentários