Reprodução Twitter PSG
Reprodução Twitter PSG

O PSG pode ser punido? Entenda o que é o Fair Play Financeiro

Conjunto de medidas da Uefa foi criado para impedir gastos exorbitantes e 'supertimes'

O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2017 | 18h07

Logo que a transferência de Neymar para o Paris Saint-Germain pela exorbitante quantia de 222 milhões de euros (aproximadamente R$ 821 milhões), muita gente ficou se perguntando se o clube francês não pode ser punido por inflingir as regras do Fair Play Financeiro, que estabelece um limite para os clubes europeus não gastarem mais do que arrecadam.

Para entender mais sobre o que é essa medida de regras da Uefa e as suas variáveis, confira alguns itens importantes a serem esclarecidos:

- O que é o Fair Play Financeiro?

Para melhorar a saúde financeira dos clubes europeus, a Uefa estabeleceu um limite para que as equipes não gastem mais do que arrecadam. O objetivo da entidade era evitar que se formassem "supertimes".

- Quais suas principais regras?

O Fair Play Financeiro possui três princípios básicos:

+ Controle de gastos: como o nome já diz, os clubes não podem gastar muito mais do que arrecadam. Quando a regra foi criada, em 2011, o déficit entre gastos e lucros não poderia ultrapassar os 5 milhões de euros. Hoje em dia, caso os donos das equipes tenham patrimônio como garantia, esse valor chega a 30 milhões de euros (R$ 110,4 milhões) no período de três anos.

+ Sem calote: os clubes que se qualificam para as competições europeias precisam provar que não têm dívidas em atraso, sejam elas com outros clubes, jogadores, previdência social e autoridades fiscais.

+ Investimento "sustentável": A entidade monitora clubes que tenham tido injeção suspeita de dinheiro, mas, ao mesmo tempo, controla aqueles times com dificuldades estruturais.

- Se é preciso controlar gastos, como é possível investir fortunas em jogadores?

O limite é medido não apenas baseado em vendas e contratações de jogadores e sim em receitas totais. Ou seja, entram aí vendas de produtos e também patrocínios conquistados com a expansão da marca. No Paris Saint-Germain, por exemplo, o presidente e dono Nasser Al-Khelaïfi acredita que ter em seu time um dos atletas com mais destaque no futebol mundial pode atrair ainda mais mídia e, consequentemente, mais dinheiro para o clube.  Por isso, a "loucura" de investir tanto dinheiro em apenas um jogador passa a fazer sentido e a transferência "se paga", pois Neymar venderá muitas camisas do clube pelo mundo todo, assim como conquistas, trazendo lucro e tornando o negócio viável com a Uefa.

- Os proprietários podem injetar dinheiro no clube à vontade?

Se o proprietário injeta dinheiro no clube através de um contrato de patrocínio com uma empresa com a qual está relacionado, os órgãos competentes da Uefa terão de investigar e, se necessário, ajustar as receitas de patrocínio nos cálculos do resultado do equilíbrio de contas para um nível mais adequado. O xeque do PSG fará isso. Ele não investirá o dinheiro por modos convencionais, mas sim por meio de patrocínio, com um contrato. Ou seja, "inesperadamente", o PSG teve uma bolada a mais vindo de parceiros, que na verdade são mantidos pelo seu dono, possibilitando a contratação sem que as normas sejam descumpridas.

- Caso não cumpra as regras, os clubes podem ser punidos?

Sim e de inúmeras formas, que vão desde advertências a limite no número de atletas inscritos em competições (como já aconteceu com o próprio PSG e com o Manchester City) a até mesmo uma suspensão de competições da Uefa. Segundo a entidade, punições já foram feitas em 57 ocasiões diferentes, sendo que seis clubes foram impedidos de participar de competições europeias por não pagarem o salário aos jogadores ou verbas a outros clubes devido a transferências. Outro foi excluído por não ter cumprido os requisitos para uma gestão equilibrada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.