O quarto poder

Postura do Corinthians surpreendeu a Ponte Preta em Campinas

Marília Ruiz, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2017 | 03h00

A quarta força transformou-se em quarteto de força na primeira partida da final do Paulista: em um dia em que o Corinthians resolveu propor o jogo, Rodriguinho, Jadson, Romero (juro) e Jô fizeram um jogo irrepreensível e deixaram o time de Fábio Carille muito perto do 28.º título paulista.

Incomodado ou não com a alcunha de pior dos grandes de SP, o Corinthians fez contra a Ponte Preta, em Campinas, o que Santos e Palmeiras, eliminados nas quartas e semifinais respectivamente, não fizeram: surpreendeu.

Antes de a bola rolar, Gilson Kleina disse que a sua Ponte repetiria o futebol que havia classificado o time à final, aproveitaria a marcação baixa do adversário (eufemismo para a famosa e eficiente retranca corintiana) e aumentaria a velocidade do jogo.

O problema? O Corinthians não foi só o óbvio ululante cantado em prosa e verso por torcedores e cronistas. Assim como havia feito no Morumbi no jogo de ida da semifinal, o Corinthians dominou, não sofreu e marcou seu primeiro gol com 15 minutos em jogada do trio Romero, Jô e Rodriguinho.

Acreditava-se, então, que o Corinthians, amante-mor do 1 a 0, recuaria. Não aconteceu.

A Ponte seguiu repetindo o erro que eliminou o São Paulo contra o mesmo Corinthians: ligações diretas e bolas alçadas na área, que facilmente eram neutralizadas pela zaga corintiana sempre constante e serena.

O Corinthians não foi brilhante, mas foi eficiente como nunca neste 2017. Não se trata de um time técnico, não se trata de um líder de estatísticas, não consegue dominar a posse de bola, mas é uma equipe muito adaptada às suas limitações. Isso ficou claríssimo no segundo tempo, quando a Ponte com duas alterações se jogou ao ataque para tentar o empate. Aí o time de Carille à la Carille foi fatal.

Em um contra-ataque de jogada excepcional de Rodriguinho, Jadson fez 2 a 0. Quando saiu o 3 a 0 de novo com Rodriguinho, a Ponte estava perdida em campo e Carille já tinha feito substituições para poupar jogadores para o jogo do próximo domingo.

O Corinthians, que não havia vencido nenhum jogo no ano por vantagem tão elástica, pode agora perder por até dois gols de diferença e ainda assim ficará com a faixa de campeão.

Até Kleina não acredita muito. Saiu agradecendo a mobilização da torcida e dizendo que treinará o time para sair de maneira honrosa do campeonato.

Carille conteve a empolgação. A torcida, isenta de responsabilidade, já esgotou os ingressos para a final.

Pode-se até discutir a qualidade do elenco corintiano (aliás é bem fácil), mas é inegável que um time, que não perdeu nenhum clássico e agora venceu a finalista Ponte fora de casa, tem um força inegável baseada em uma defesa sólida. E com uma vantagem do 3 a 0, nada poderia ser melhor.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.