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Copa 2014

Obras de mobilidade urbana para a Copa do Mundo estão atrasadas

Almir Leite, com correspodentes - O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2014 | 16h 00

Muito do que foi prometido não ficará pronto até junho. E o que não falta são desculpas

SÃO PAULO - Uma dúzia de estádios modernos, aeroportos um pouco melhor estruturados e algumas obras de mobilidade urbana efetivamente concluídas. Esse deverá ser o legado da Copa do Mundo. A pouco mais de quatro meses do início do torneio, ainda há muita coisa por fazer. Na área de mobilidade urbana, por exemplo, das 41 intervenções previstas na última versão da Matriz de Responsabilidades, apenas cinco estão concluídas. Em relação às restantes, prevalece, de maneira geral, a promessa de que tudo estará pronto quando a bola rolar.

O risco de descumprimento, porém, é grande. Levantamento do Estado com base na Matriz de Responsabilidades, em informações do Portal da Transparência e das sedes conclui que quando a Copa acabar ainda poderá restar muita poeira e lama, vindas de obras inacabadas ou finalizadas às pressas. Afinal, por incrível que possa parecer, ainda tem obra dependendo de processo de licitação, como a pavimentação do entorno do Beira-Rio, em Porto Alegre.

Essa, pelo menos, é uma obra pequena e de rápida execução, segundo os especialistas. Mas há intervenções complexas, como o VLT que ligará Cuiabá a Várzea Grande, no Mato Grosso. Para a Copa, apenas parte da obra será entregue – se for. Atrasos em licitações, dificuldades para fazer desapropriações, erros de projeto e questões ambientais são apontados pelas autoridades como causas dos atrasos nos projetos para a Copa do Mundo.

"A mobilidade vai ser a maior frustração da sociedade em relação à Copa", disse ao Estado Gil Castelo Branco, secretário geral da ONG Contas Abertas. "Várias obras foram excluídas da Matriz de Responsabilidades e outras não ficarão prontas a tempo. É um resultado pífio."

QUATRO ANOS ANTES

A Matriz foi assinada em 13 janeiro de 2010. Previa 56 obras de mobilidade e R$ 15,4 bilhões em investimentos. Após várias alterações, na versão recente, de setembro passado, com atualização em novembro, restaram 41 intervenções, com gasto previsto de R$ 8 bilhões.

A não utilização de dinheiro público nas arenas e o legado permanente para o cidadão que representariam as obras de mobilidade urbana - expansão e construção de avenidas, criação de corredores e de meios diversos e eficientes de transporte coletivo, entre outras - foram dois dos argumentos utilizados por dirigentes e autoridades para vender a Copa do Mundo como bom negócio para os brasileiros. O financiamento privado dos estádios logo foi por terra. E das obras de mobilidade, até agora, pouco se viu.

Das cinco obras concluídas, nenhuma é de grande porte: a Estação Cosme e Damião do metrô e o Viaduto da BR-408, em Pernambuco (intervenções próximas ao estádio); as vias de acesso à Fonte Nova, em Salvador; o corredor de ônibus Arrudas/Teresa Cristina, em Belo Horizonte; e a reforma do Terminal Santa Cândida, em Curitiba.

Há vários empreendimentos com finalização prometida para este mês, outros em março e em abril. Alguns têm o término planejado para maio, ou seja, em cima da Copa. Mas as autoridades garantem que sairão. "A Transcarioca está 85% concluída, com grandes estruturas já abertas ao trânsito. Nosso compromisso é concluir antes do Mundial", disse o secretário de Obras do Rio de Janeiro, Alexandre Pinto, sobre o corredor de 39 km que vai ligar o Aeroporto do Galeão à Barra da Tijuca.

 

CAPITAL FEDERAL

Em Brasília, que tem apenas uma obra na Matriz, a Coordenadoria de Comunicação para a Copa também garante que a DF-47 ficará pronta a tempo. "A obra está dentro do cronograma, com aproximadamente 80% de conclusão. A entrega está prevista para maio", afirmou em nota. O cronograma, nesse caso, é o atual, pois o da Matriz de 2010 previa que tudo estaria pronto em novembro de 2011.

Pelo ritmo e estágio atual da obra, é possível apostar que ficará pronta antes da Copa. Mas é arriscado fazer o mesmo com outras obras prometidas para maio. As intervenções viárias que vão melhorar o tráfego até a Arena das Dunas, em Natal, por exemplo, estavam no fim de janeiro com 45% dos serviços concluídos. Ou seja, qualquer contratempo pode fazer o prazo estabelecido ir para o espaço.

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