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Técnicos e jogadores famosos veem, por razões diversas, carreiras entrarem em declínio

Antero Greco, O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2018 | 04h00

A semana pré-carnavalesca não esteve prenhe de motivos de alegria para alguns nomes famosos do futebol brasileiro. Oswaldo de Oliveira, Luis Fabiano, Ganso viram as respectivas carreiras entrarem em turbulência – para não dizer em declínio. Por motivos diversos, com alarde ou quase na surdina, encerraram parcerias com clubes de peso. As rescisões de contrato, práticas corriqueiras no meio em que atuam, desta vez soaram como duros golpes e levam à incertezas a respeito do futuro deles.

Ganso talvez seja o caso mais desgostoso, porque coloca em xeque uma trajetória que despontou como brilhante, no início da década, e que tende apenas a enriquecer estatística dos projetos de craques que não vingaram.

Depois de quase dois anos de Sevilla, soube que não faz parte dos planos de Vincenzo Montella. O treinador italiano abriu mão do meia e o clube se dispõe a liberá-lo, se aparecer interessado. Nesse período, quando muito, entrou em campo algumas dezenas de vezes, raramente como titular.

A Espanha surgira, em 2016, como alternativa para a encruzilhada em que se encontrava Ganso. A saída do Santos fora traumática e a experiência no São Paulo um fiasco. Aos 26 anos, com talento a rodo, tentou a Europa como teste definitivo. Ilusão desfeita logo, num time que, se não disputa o título espanhol com Real e Barcelona, pelo menos tem frequentado finais de torneios continentais com alguma regularidade. Ou seja, Ganso poderia destacar-se. Não teve a explosão que há tempo se espera. Terá algum dia? Sempre resta algum time brasileiro para acolhê-lo e tratá-lo como ídolo... Será?

O Sevilla também fez parte da vida profissional de Luis Fabiano, entre 2005 e 2011, com aproveitamento satisfatório. Bem diferente do que foram as aventuras na China, com o Tianjin Quanjian (2016), e sobretudo com o Vasco, no ano passado. Contusões seguidas o afastaram de boa parte dos compromissos de 2017 e levaram a nova diretoria do clube carioca e chamá-lo para romperem amigavelmente.

Luis Fabiano, 37 anos completados em novembro, cogita a possibilidade de pendurar as chuteiras. Decisão dura e pessoal; porém, provavelmente a adequada no momento. Antes que se torne sombra e caricatura de si mesmo.

Distorção de si próprio parece ser Oswaldo de Oliveira. O antigo auxiliar técnico que conquistou fama, respeito e fortuna com o Mundial de Clubes do Corinthians, em 2000, topou com o episódio mais constrangedor da vida no meio da semana. Após a classificação do Atlético-MG, na Copa do Brasil, com empate sofrível com o Atlético do Acre, discutiu com um repórter de rádio de BH, soltou palavrões. Quase partiu para a briga. Perdeu a compostura, em indício da tensão, insegurança e preocupação que o atormentavam.

Pouco adiantaram as desculpas no dia seguinte: o Galo optou por dispensá-lo. Menos pelo entrevero, fato muito desagradável; mais pela desconfiança do trabalho feito desde que chegou, em meados de 2017. A torcida não lamentou, e eis ponto a considerar. Afinal, ultimamente no Brasil jornalistas viraram vilões por contarem histórias de vilões de fato.

A carreira de Oswaldo empacou. Assim como a de tantos outros colegas seus – o caso mais emblemático, talvez, seja o de Vanderlei Luxemburgo, seu antigo mentor e modelo. Nas passagens recentes por Santos, Palmeiras, Flamengo, Sport, Corinthians não causara impacto; foram insossas e com sinais de estagnação.

Não se tome a idade (tem 67) como parâmetro. Não conta o envelhecimento físico, mas o de iniciativas. A não ser que ocorra guinada (o Botafogo demitiu o técnico neste sábado; vai que...), deve acostumar-se à ideia do ocaso. Que chega para todos. O importante é preparar-se para recebê-lo com serenidade. Desafio difícil.

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