Oposição investiga Corinthians-Hicks

O contrato de parceria entre o Corinthians e a Hicks Muse, firmado em 28 de abril de 1999, veio à tona nesta sexta-feira e provocou um certo ar de dúvida e revolta entre torcedores e conselheiros da oposição, que não são muitos. O acordo, que vinha sendo mantido em sigilo, tem algumas cláusulas não muito bem explicadas e outras que, segundo advogados, não deveriam ser aprovadas sem consulta aos Conselhos Fiscais e Deliberativo do clube. Numa delas, o fundo de investimentos norte-americano exigia mudança no Estatuto Social do Clube. "Esse contrato teria de, no mínimo, ter passado pelo Conselho, o que não ocorreu", comentou o advogado corintiano Edgar Ortiz, que conseguiu o documento no 5º Cartório do Notas do Rio, onde foi registrado. Ele passou a tarde analisando os itens ao lado de Marlene Matheus, da oposição. "Quero apenas que todos tenham o direito de analisar o contrato. Se for favorável, que aplaudam a diretoria. Se não, os Gaviões estão aí para malhar o presidente", disse Marlene. Outra cláusula indicava que o Corinthians teria de pagar aluguel à Hicks para jogar no estádio construído por ela, além de ser obrigado a mandar todas as partidas nesse estádio. A renda, obtida com todas as formas de venda de ingressos e assentos, seria dos americanos. "Acho estranho o Corinthians ter escondido um contrato se ele era bom. Só se esconde coisa ruim", criticou Douglas Deungaro, diretor da Gaviões da Fiel. A partir deste sábado, as principais torcidas do Corinthians colocarão em seus sites a íntegra do contrato. O documento confirma que a Hicks pagou R$ 60 milhões (US$ 35,4 milhões) ao clube em 1999, além dos 15% de seu lucro encaminhados todos os meses para o Corinthians. E que teria de iniciar as obras do estádio no máximo três anos após o acerto do vínculo, o que não ocorreu. O acordo prevê, também, rescisão de contrato sem indenização por parte da Hicks. O fundo tinha como garantia os passes, que ainda existiam na época, de 161 jogadores em caso de descumprimento do contrato. Ou seja, praticamente todos passariam a pertencer à Hicks. Um balancete anexado ao contrato mostra que, na ocasião de sua assinatura, o Corinthians tinha passivo de cerca de R$ 25 milhões. "Na ocasião, os dirigentes do Corinthians diziam que não tinham nenhuma dívida", lembrou Douglas Deungaro. Apesar de alguns pontos discutíveis, o contrato não apresentou nenhum item que pudesse comprometer a diretoria do clube. "Esse contrato é a maior frustração para as pessoas que estavam esperando alguma bomba", afirmou Antonio Roque Citadini, vice-presidente de futebol do Corinthians. As partes estão tratando amigavelmente da rescisão, que só não foi feita porque há pontos em discussão. O Corinthians não aceita, por exemplo, acertar as contas com o atacante Luizão caso ele ganhe na Justiça ação que move contra o clube e a empresa. A Hicks também não quer bancar essa despesa. Amistoso - O Corinthians joga neste sábado, às 11 horas, no Parque São Jorge, contra o Brasiliense. A diretoria espera definir a contratação do meia-atacante Wellington Dias. O acerto com o atacante Guilherme está cada vez mais difícil.

Agencia Estado,

02 Agosto 2002 | 20h10

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