Jorge Abrego/EFE
Jorge Abrego/EFE

Palmeiras é derrotado na Bolívia e perde chance de garantir vaga na Libertadores

Alviverde leva decisão para última rodada, contra o Tucumán

Ciro Campos, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2017 | 23h42

A primeira derrota do Palmeiras na Copa Libertadores deixou nesta quarta-feira uma lição. O 3 a 2 sofrido para o Jorge Wilstermann, na Bolívia, pouco afeta a condição do time na tabela, porém mostra a necessidade de ser mais regular ao longo da partida, em vez de confiar sempre que a reação virá após começar atrás no placar novamente.

O resultado negativo não tira do Palmeiras a liderança do grupo, nem a proximidade da classificação. Resta apenas um empate no dia 24, contra o Tucumán, no Allianz Parque, para confirmar vaga nas oitavas de final. A lamentação fica por ter desperdiçado a chance de ao menos empatar e já garantir tanto a passagem de fase como o primeiro lugar do grupo.

Acompanhar os jogos do Palmeiras nesta Libertadores é testemunhar andamentos surpreendentes e imprevisíveis. Quando o time parece estar no sufoco, consegue amenizar o prejuízo e quando parece engrenar, vacila. Entre gols nos acréscimos e reações tardias, a equipe tem mostrado que a qualidade é o segredo para se livrar dos apuros, porém será preciso oscilar menos e ter mais regularidade para avançar no torneio.

Em Cochabamba, a cerca de 2,5 mil metros do nível do mar, o Palmeiras alternou momentos de comando com outros em que foi dominado. Pelo menos o tropeço veio em um momento aceitável e de pouca influência sob os compromissos seguintes pela competição.

A equipe parece entrar em campo na Libertadores programada para economizar energia no começo e tentar compensar o desperdício apenas mais tarde. No quinto jogo pela competição, foi a quarta vez em que os adversários saíram na frente no placar e pela segunda vez seguida, o Palmeiras se viu com a desvantagem de 2 a 0.

Os gols do Jorge Wilstermann por Morales, aos 35, e Machado, aos 40 do primeiro tempo, foram a punição necessária para quem começou a partida tão mal (mais uma vez). O time paulista demonstrou dificuldade na saída de bola, não pressionou, deixou a equipe boliviana avançar e se comportou de maneira em que a desvantagem seria questão de tempo.

Assim como na última semana, em Montevidéu, o Palmeiras via o primeiro tempo já no fim e o adversário, em casa, já ter feito dois gols. Para amenizar o sufoco, uma falta pouco antes do intervalo teve o rebote convertido por Guerra. 

A atuação ruim do primeiro tempo tem como um dos motivos a ausência de Felipe Melo. O volante, suspenso pelo envolvimento na briga contra o Peñarol, não é só um marcador merecedor do apelido de “pitbull” dado pela torcida. É quem dá qualidade à saída de bola em direção ao ataque. O substituto dele na Bolívia foi Thiago Santos.

O desafio para o Palmeiras durante o intervalo era organizar uma reviravolta similar à obtida em Montevidéu, uma semana antes. O técnico Eduardo Baptista tomou atitude parecida, ao voltar para o segundo tempo com o time modificado. Willian não foi bem e o colombiano Borja, tirado dos titulares por opção técnica, entrou na equipe.

O relógio avançou no segundo tempo e foi preciso ousar. Logo depois de colocar o atacante Keno na vaga do volante Thiago Santos, o Palmeiras teve a infelicidade de uma falha de cobertura de Jean terminar com um pênalti cometido por Prass. Cardozo converteu aos 23 minutos para dar mais tranquilidade ao Jorge Wilstermann.

A esperança voltou quatro minutos depois. Keno driblou dois defensores pela direita e cruzou. Cabezas marcou um belo gol contra, ao subir sozinho e tirar do goleiro. Foi um presente inusitado, capaz de dar expectativas para chegar ao empate.

A busca por um gol até o fim e os acréscimos dessa vez não foram suficientes. Desta vez o Palmeiras terá de aprender a partir de uma derrota.

FICHA TÉCNICA

JORGE WILSTERMANN 3 x 2 PALMEIRAS

JORGE WILSTERMANN: Olivares; Morales, Alex Silva, Zenteno e Aponte; Machado, Saucedo e Chávez (Ortíz); Bergese (Cabezas), Cardozo e Ríos. Técnico: Roberto Mosquera.

PALMEIRAS: Fernando Prass; Jean, Mina, Vitor Hugo e Michel Bastos; Thiago Santos (Keno); Róger Guedes, Tchê Tchê, Guerra e Dudu (Raphael Veiga); Willian (Borja). Técnico: Eduardo Baptista.

Gols:  Morales, aos 35, Machado, aos 40, e Guerra, aos 45 minutos do primeiro tempo. Cardozo, aos 23, Cabezas (contra) aos 27 minutos do segundo tempo.

Árbitro: Wilson Lamouroux (Colômbia)

Cartões amarelos: Aponte, Morales, Ortiz

Público e renda: Não divulgados

Local: Felix Cápriles, em Cochabamba

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